FIIS: ‘momento é de aumentar a diversificação’, diz Baroni, da Suno

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Foto: FIIS com professor Marcos Baroni

Com mais de 20 anos de carreira em cursos de graduação e MBA, o professor Marcos Baroni, da Suno Research, recomenda que se aumente a diversificação da carteira.

Especialista em fundos imobiliários (FIIS), a fala dele diz respeito à conjuntura atual do mercado acionário, amplamente impactada pela crise da Covid-19.

Isso porque a saída da crise ainda não está muito clara, visto que ninguém sabe como as cidades e as pessoas vão reagir no pós-pandemia.

E a necessidade de diversificação de carteira se dá, conforme ele, porque o rendimento dos FIIS já caiu muito.

Levantamento da XP Investimentos indica que os fundos imobiliários cortaram dividendos em 27%.

Baroni elenca cinco derivadas da crise que o investidor deve ficar atento. “O primeiro diz respeito ao lockdown”, frisou, fazendo menção à reação das pessoas no pós-crise.

Já o segundo é referente às concessões, diferimentos e negociações por parte dos locatários. “O terceiro está chegando e é a possível inadimplência que pode ocorrer no mercado”, disse.

A quarta derivada, segundo ele, vai demorar um pouco e é a crise de crédito. “Essa, quando vier, irá impactar muito a economia real”, frisou.

Por fim, a quinta implicação é a fiscal. “Quando o país tenta salvar a economia injetando dinheiro, é um socorro no primeiro momento, mas depois desequilibra a economia”, declarou.

Baroni conversou com Luis Fernando Moran, da EQI Investimentos, na tarde de segunda-feira (11).

Década dos FIIs

De acordo com Baroni, essa será a década dos fundos imobiliários, que terão a maior procura por parte das pessoas físicas.

Isso porque, segundo ele, trata-se de um fundo fechado e com receita previsível. “Se não fosse a pandemia, a previsibilidade dessa classe de ativos costumava ser grande”, disse.

A instabilidade vista no mercado atualmente é fruto de uma economia que arrefeceu por conta dos efeitos do coronavírus, bem como devido às medidas de contenção da pandemia.

Para Baroni, essa é uma classe de ativos que vinha aos poucos caindo no gosto do investidor brasileiro. “Ele concentra dentro de si um pouco de renda variável e fixa”, explicou.

E disse mais: “agora, estamos começando a ancorar nosso patrimônio. Essa é uma indústria jovem e vai sentir bastante a pancada, mas, no longo prazo, o ativo vai se mostrar forte.”

Outro fator que deve ser levado em consideração é que a taxa de desconto caiu, e muito provavelmente vai continuar baixa por período de tempo suficientemente longo.

Por fim, o risco de tributação é uma realidade, visto que há uma reforma tributária no forno e ninguém sabe o que virá dela. “Então, não podemos assumir que vai ter todo fluxo ajustado em 2020”, destacou.

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Fundos de tijolos

Para Baroni, os investidores devem continuar mantendo os aportes, mas, agora escolhendo com mais prudência os papéis.

“Os fundos de tijolos sentem na veia o problema e sentirão mais nos próximos meses, mas, se essa crise ficar muito grave, é o tijolo que vai proteger o investidor no fim desse ciclo”, disse.

E fez uma ressalva: “interromper totalmente os fluxos de aporte pode ser algo muito ruim.”

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Mais e menos impactados

De acordo com Baroni, no primeiro momento, os menos impactados foram os fundos logísticos, pois estes têm contratos com empresas que são favorecidas no curto prazo, como as ligadas ao e-commerce.

“Quando falamos de lajes corporativas, a gente tem uma premissa de que elas possuem papéis de empresas com balanço forte, que tendem a superar a crise por conta da qualidade dos locatários”, disse.

Quanto aos fundos de shoppings, a desvantagem, informou, é que se trata de uma renda altamente impactada em 2020. “Por outro lado, são ativos que estão nos principais centros urbanos”, ressaltou, indicando uma força a se avaliar.

Já os fundos de escolas e fundos de hospitais, a princípio, tendem a passar bem pela crise, e os fundos de agências bancárias são os que podem passar melhor ainda por esse momento.

Vale ressaltar, porém, que toda pandemia ou guerra tende a acelerar algum processo que, nesse caso, é o de digitalização bancária.

“Os fundos que têm mais caixa até apresentam alguma vantagem, mas não tanto assim, pois o mercado, a princípio, não está se recuperando em V”, concluiu.

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