FII: desvalorização de cotas abriu oportunidades, diz Dahruj da Hegde

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

Crédito: FII: desvalorização de cotas abriram oportunidades, diz Dahruj da Hegde Investments

A crise do coronavírus mexeu com todos os mercados e gerou desvalorização nas cotas de fundos de investimentos, os FIIs, o que na prática resultou em grande oportunidade.

Isso porque com preços mais baixos, esses ativos atraíram a atenção de investidores que estão atentos à retomada econômica, bem como valorização futura desses produtos.

“O fundo de investimento imobiliário é renda variável na cota e no dividendo mês a mês”, disse Mauro Dahruj, da Hedge Investments, especializada nesse tipo de ativo.

Para ele, é fundamental que o investidor tenha isso em mente quando optar por esse pacote. Ocorre que há muitos fundos negociando com descontos no valor patrimonial ou em relação ao preço de custo por conta do momento econômico.

Conforme Dahruj, bons ativos não vão perder 30% ou 40% de valor intrínseco por conta do coronavírus. Além disso, mais cedo ou mais tarde haverá uma retomada.

“A quarentena vai chegar ao fim em algum momento e as operações serão retomadas. Algumas empresas vão ficar à beira do caminho, mas outras surgirão”, disse.

Dahruj conversou por videoconferência com Elias Wiggers e Luis Fernando Moran, sócios da EQI Investimentos na tarde desta terça-feira (14).

Valor intrínseco

De acordo com ele, o valor intrínseco de um ativo, seja empresa, prédio ou shopping, é medido pela capacidade de gerar renda na perpetuidade.

“Prédios costumam ter vida útil de 50 ou 60 anos”, frisou, acrescentando que cada ativo que caiu poderá voltar 20% ou 30% acima do patamar de hoje.

O cálculo é simples: o nível de preço que se tem atualmente se assemelha aos praticados em 2016. “Quando a gente olha para o contexto, é completamente diferente, porque o fundamento hoje é melhor do que naquele período”, ressaltou.

A fala do especialista diz respeito à crise financeira daquele ano que, segundo ele, tinha um contexto econômico completamente diferente deste.

Em 2016 os juros estavam em 14% contra os 4% de hoje. Ou seja, as condições do mercado são completamente outras. “Vale ressaltar que em janeiro e fevereiro deste ano, alguns fundos imobiliários vinham performando na casa dos dois dígitos”, elencou.

FII

A Hedge conhece bem os meandros desse mercado. De 2015 até o ano passado a gestora ganhou cerca de 20% ao ano. “A relação risco-retorno hoje é bem melhor para apostar nessa classe de ativos”, disse Dahruj.

Entretanto, por conta do coronavírus, o retorno nos próximos meses está mais para longo prazo. “Os shoppings terão problema de dividendos entre quatro meses e dois anos, mas o empreendimento vai continuar lá”, frisou.

A gestora

Fundada em 2017, tem 30 profissionais na equipe e administra R$ 5 bilhões em fundos imobiliários, dos quais R$ 3 bilhões em shoppings e o restante em fundos.