Fiat Chrysler prevê ‘retrocesso’ de 15 anos no mercado automotivo nacional

Marcello Sigwalt
null

Crédito: Site Tecmundo

Atingido em cheio pela pandemia e paralisia da economia, o setor de veículos deverá ‘retroceder’ 15 anos, calculou, nesta sexta-feira (22), o presidente da Fiat Chrysler Automóveis (FCA) para a América Latina, Antonio Filosa, que prevê um recuo de 40% da atividade este ano, em comparação com 2019, segundo o Estadão.

Firme no Brasil

Ao estimar que o mercado nacional recuará a um patamar anterior, em torno de 1,8 milhão de unidades vendidas por ano, Filosa deixou claro que não “tem nenhuma intenção de deixar o país”.

Efeito precificado

Mas os efeitos da crise sobre a montadora já estão precificados.

Plano ‘esticado’

O plano de investimentos de R$ 14 bilhões para o Brasil e a América Latina, inicialmente previstos para 2024, será‘esticado’ até o ano seguinte.

Negociação em curso

Enquanto a incerteza econômica supera a crise viral, a Anfavea – entidade que representa o setor – negocia com o governo e, mais especificamente, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a liberação de crédito às empresas.

“Ela (Anfavea) está recebendo respostas positivas”, adianta.

Queda abismal

Depois de amargar uma queda abismal de 90% nas vendas em abril para março, a atividade exibe, nesse mês, uma retração de demanda alta, entre 70% e 75%.

Para o terceiro trimestre do ano, o presidente da Fiat estima que a queda se amenizará para um nível entre 20% e 30%.

Como exemplo do baque do setor, Filosa lembrou que as vendas de abril não passaram de 2 mil unidades.

Fase pré-industrial

“Um dado tão baixo que leva a 1957. Ou seja, (fase) pré-industrial”, define.

‘Just in time’

Para se adaptar à nova realidade, o executivo adianta que a estratégia das montadoras agora é de produzir e realizar paradas, conforme a demanda.

Ele lembra que, por força da Medida Provisória 936, jornadas de trabalho e salários estão sendo ‘flexibilizados’.

Sem ilusões

No entanto, Filosa não tem ilusões quanto ao futuro imediato.

Embora deixe claro que “nunca teve intenção de sair do país”, o executivo observa que “a crise pode se arrastar mais, por até um ano e meio, dependendo dos estímulos aplicados para a retomada da demanda, mas também de como o governo vai se posicionar”.

Só em 2021

Para se manter vivo, o mercado passou a facilitar de todas as formas a aquisição do bem, como promoções de venda para pagamento somente em 2021.

Ajuda subsidiada

O dirigente da montadora italiana manifestou a expectativa de que o BNDES, depois de socorrer as companhias aéreas com ‘ajuda subsidiada’, faça o mesmo com as montadoras.

Sem resposta

Após um mês de negociações com o Executivo federal, contudo, “ainda não houve resposta concreta alguma da instituição”, acrescenta.

Queda dramática

Lembrando que o setor responde por 7 mil empresas e emprega 1,2 milhão de pessoas, Filosa avalia que “a receita caiu de forma dramática, um problema para montadoras, fornecedores e concessionárias responderem”.

Risco pendente

Quanto ao risco de operações com o setor público, o presidente da Fiat explica que “diante de uma situação sem precedentes, empresas globais não têm como compensar o risco de um país com outra região do mundo”.

Economia se reinventa

Apesar dos atrasos no planejamento, Filosa lembrou que “a capacidade única da economia brasileira de se reinventar depois de crises é um dos fatores para que a Fiat obtivesse  bons resultados tanto no Brasil quanto na América Latina”.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Desmistificando o COE: interesse pelo produto cresce mais a cada dia