Monitor PIB da FGV aponta queda de 1% no 1TRI e de 5,3% em março

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Portal FGV

O Monitor do PIB-FGV divulgado nesta segunda-feira (18), apontou retração de 1,0% na atividade econômica no 1º trimestre de 2020, na comparação com o 4º trimestre de 2019.

Na comparação mensal, a queda foi ainda mais forte, de 5,3% em relação a fevereiro. A Fundação Getúlio Vargas estima mensalmente a performance do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro desde o ano 2000.

“A retração da economia de 1,0% no 1º trimestre do ano expõe os enormes desafios que serão enfrentados no âmbito econômico no decorrer de 2020”, explica Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.

“As medidas de isolamento social só vigoraram por cerca de 1/6 desse trimestre, ou quinze dias de março e já foram suficientes para que a economia apresentasse essa significativa queda”.

“A queda de 5,3% registrada em março, em comparação a fevereiro é a maior observada na série histórica do Monitor do PIB iniciada em 2000, segue Considera.

“E, ao que tudo indica, esse recorde de queda, muito provavelmente atingirá patamares mais negativos nos próximos meses. É inegável que o ano de 2020 será marcado pela forte desaceleração econômica em decorrência da pandemia de Covid-19; passamos do lento ritmo de crescimento observado nos três últimos anos, à acelerada retração, que está apenas no início”.

Em termos monetários, o PIB em valores correntes foi de aproximadamente R$ 1.858.205.000,00 (1 trilhão, 858 bilhões, 205 milhões de reais) no 1º trimestre de 2020.

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Comparações

Mesmo com a expressiva queda de março em relação a fevereiro, se colocar em perspectiva os dados do 1º trimestre de 2019, a economia cresceu 0,3% no 1º trimestre. Entretanto na comparação com março do ano anterior, o PIB contraiu 0,9% em março.

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Esses números foram corrigidos pela FGV. Anteriormente, foi divulgado que houve queda de 1,2% em relação ao 4TRI19 e alta de 0,1% em relação ao 1TRI19.

Entretanto, a correção das comparações não muda o quadro geral.

Crescimento do PIB é interrompido

A retração de 1,0% do PIB no 1º trimestre interrompe o ritmo de crescimento observado no período desde o 1º trimestre de 2017 ao 4º trimestre de 2019, com taxa de crescimento média de 0,4% ao trimestre.

“Essa mudança na trajetória econômica é principalmente explicada pelo desempenho da economia em março deste ano, em que a atividade caiu 5,3%, sendo a maior queda registrada nesta comparação desde o início da série histórica iniciada em 2000. É digno de nota que os resultados de janeiro (+0,6%) e fevereiro (+0,2%) já eram bem decepcionantes”, analisa o relatório do Monitor.

“Na comparação interanual, os resultados também mostram forte desaceleração econômica, embora a taxa trimestral ainda tenha apresentado crescimento de 0,3% com crescimento das três grandes atividades (agropecuária, indústria e serviços)”, segue, lembrando que apenas a agropecuária apresentou aceleração do ritmo de crescimento; na comparação dessazonalizada a agropecuária foi a única das três grandes atividades a crescer.

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Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu 0,2% neste 1º trimestre, em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior, mesmo afetado pela última quinzena de março ter sido a mais alta no isolamento social desde o começo da pandemia no Brasil.

O consumo de produtos não duráveis cresceu 2,4% e o de serviços, 0,4%. Foram ao únicos com números positivos. No caso do consumo de não duráveis, a FGV explica que se deve, principalmente, a produtos alimentícios e os artigos farmacêuticos, a maior procura nesse período pandêmico.

A retração no consumo de semiduráveis foi de 8,5%, influenciada pela queda no consumo de vestuários e calçados em geral, tidos como comércios “não essenciais” nesse período. A queda no consumo de duráveis, na ordem de 3,8%, foi devido, em grande parte, ao desempenho do consumo de equipamentos de informática e de veículos em geral, diz a FGV.

“A forte desaceleração da taxa do 1º trimestre do ano é explicada pela paralisação de diversas atividades econômicas em decorrência das medidas de isolamento social adotadas. Com isso, o consumo retraiu 1,9% em março, na comparação interanual; a menor taxa desde outubro de 2016 (-3,9%)”, relata o Monitor.

Formação Bruta de Capital Fixo

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) retraiu 0,2% no 1º trimestre do ano, na comparação ao 1º trimestre de 2019.

A construção foi o único componente da FBCF a crescer neste trimestre. Os demais, só queda. Máquinas e equipamentos teve queda de 1,3%, influenciada, principalmente, pelas retrações dos segmentos de automóveis em geral e de equipamentos eletrônicos.

“Mesmo que o componente da FBCF de construção tenha crescido no 1º trimestre do ano, na comparação interanual, apresentou retração em março, assim como os demais componentes da FBCF como reflexo dos efeitos do isolamento social”, explica a FGV. “Na comparação da série ajustada sazonalmente, o componente que mais retraiu, em comparação a fevereiro foi máquinas e equipamentos com queda de 5,6%, em março”.

Exportação e importação

A exportação de bens e serviços apresentou queda de 3,8% no 1º trimestre, na comparação com o 1º trimestre do ano anterior.

A expressiva retração da exportação de bens de capital, que caiu 42,7%, foi determinante para o resultado. Apesar do desempenho negativo, fiz o relatório, a série apresenta tendência ascendente, após a retração de 8,9% registrada no trimestre móvel que se encerrou em janeiro último.

“O expressivo crescimento de 9,4% da exportação em março, na comparação interanual é reflexo do desempenho positivo na maioria de seus componentes, com destaque para o crescimento de 27,7% da exportação de produtos agropecuários“, relata.

Em contrapartida, a maior retração dentre os componentes da exportação deveu-se, novamente, aos bens de capital com variação negativca de 18,0% no mês.

Já a importação cresceu 5,3% no 1º trimestre do ano, também comparando-se com o 1º trimestre de 2019. A importação dos bens intermediários e a dos bens de capital foram as principais responsáveis pelo desempenho positivo.

“O aumento da importação de produtos intermediários e de bens de capital, na comparação interanual, foram a principal influência para o crescimento positivo de 8,3% do total das importações em março. Em contrapartida, a importação de serviços (-13,2%) e de produtos da extrativa mineral (-11,8%) foram as únicas quedas registradas nos componentes da importação”, segundo o Monitor FGV.

Análise da FGV sobre saúde pública e privada

“A chegada da pandemia de Covid-19 no Brasil, com a adoção das recomendações de isolamento social, tem impactos diretos e indiretos na economia, afetando, praticamente, todas as atividades econômicas”, explica o relatório do Monitor.

“Em conjunto essas duas atividades (saúde pública e privada) representavam, de acordo com o IBGE, 4,3% do PIB em 2017, sendo a saúde pública responsável por 2,0% e a saúde privada pelos outros 2,3%. A saúde pública compõe, com participação de 13%, a atividade de administração pública na desagregação do PIB em 12 atividades, nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE”, segue.

Em março, a atividade de saúde pública caiu 2,7%, na comparação com março de 2019, tendo contribuído com menos 0,4 ponto percentual para o crescimento de 0,7% registrado na atividade de administração pública.

Já a saúde privada, “compõe, na desagregação do PIB em 12 atividades, nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, a atividade de Outros Serviços, com 15,1% de representatividade nesta atividade”, informa a FGV. “Em março, a atividade de saúde privada retraiu 0,6%, na comparação interanual, tendo contribuído negativamente (-0,04 p.p.) para a retração da atividade de Outros Serviços, embora tenha sido pouco, em comparação a queda de 4,0% do total de Outros Serviços”.

“Essas quedas de produção da atividade de saúde, tanto pública como privada, estão, provavelmente, associadas ao adiamento de consultas e exames devido ao isolamento social dos 15 últimos dias do mês de março”, analisa.

O monitor PIB-FGV

O Monitor do PIB-FGV estima mensalmente o PIB brasileiro em volume e em valor.

O objetivo é prover um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE.

O indicador é ajustado as Contas Nacionais Trimestrais sempre que há mudanças metodológicas e a cada trimestre divulgado. Ou seja, nos trimestres calendários, as médias trimestrais dos índices de volume do Monitor do PIB-FGV serão iguais aos indicadores trimestrais, sem ajuste sazonal, das Contas Nacionais Trimestrais.

“Nos trimestres calendário, são utilizados os mesmos modelos do IBGE para calcular todas as séries desagregadas com ajuste sazonal, tanto pela ótica da oferta, como da demanda. Para o ajuste sazonal mensal é utilizado o modelo mensal do IBC-Br, do Banco Central; para os trimestres móveis utiliza-se uma média desses ajustes mensais”, informa a FGV.

“Assim, as estimativas do Monitor do PIB-FGV antecedem os resultados das Contas Nacionais Trimestrais nos meses em que este é divulgado. E, nos meses em que não há divulgação, o Monitor representa uma excelente antecipação para as tendências do PIB e seus componentes”, conclui.

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