FGV: pandemia é o principal fator de restrição ao aumento da produção industrial

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Emir Krasnić/Pixabay

O Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou pesquisa sobre a produção industrial no Brasil mostrando que para aproximadamente 20% do setor, a pandemia foi diretamente a principal restrição ao aumento da produção, “pela redução de demanda interna e externa, dificuldade de fornecimento dos insumos importados e devido à necessidade de paralisação parcial ou total das atividades por questões de saúde”.

A pesquisa é feita no primeiro mês de cada trimestre.

FGV mede o Nível de Utilização da Capacidade Instalada

A Sondagem da Indústria da FGV consultou as indústrias sobre o número de turnos em que vêm operando, para um recorte sobre o nível de atividade. Em abril de 2020, a média foi de 2,19 turnos, o que representa uma queda de 0,34 turno em relação a janeiro e de 0,44 turno em relação à média dos meses de abril.

“Mas a redução do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) das indústrias em abril não ocorreu apenas em função do fechamento de fábricas”, diz o estudo. “Em exercícios realizados com os microdados da pesquisa, ainda que fossem excluídas as empresas paralisadas, o NUCI do setor industrial teria sido, aproximadamente, 9,5 pontos percentuais acima do que o observado, ao nível de 66,8%”.

“Portanto, mesmo considerando apenas as empresas que estavam produzindo, abril ainda teria a maior queda na variação mensal e o menor patamar da série histórica iniciada em 2000, indicando que as consequências da pandemia para a indústria tenham ido além das questões sanitárias”, segue.

Produção em marcha lenta

O percentual de indústrias que dizem estar aumentando sua produção sem dificuldades caiu consideravelmente, de 52,2% em janeiro para 21,4% em abril.

“Contudo”, alerta a FGV, “o que nos chama a atenção é a parcela das empresas que optaram por fatores que não estavam nas faixas de opções apresentadas pela FGV, e responderam ‘outro fator’ como principal impedimento: houve um forte salto para 27,2% em abril em relação a 7,1% observado em janeiro deste ano e 8,1% no mesmo período em 2019”.

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Entre esses fatores, estão a redução de demanda interna e externa, a dificuldade de fornecimento dos insumos importados e a necessidade de paralisação parcial ou total das atividades por questões de saúde.

Por setores

Entre os segmentos analisados pela pesquisa da FGV, Veículos Automotores (-75,7%), Couros e Calçados (-54,2%) e Derivados de Petróleo e Biocombustíveis (-35,5%) foram os que apresentaram maior queda em número de turnos em relação à média dos meses de abril.

“Esses segmentos indicaram, respectivamente, uma média de 0,6, 1,1 e 2,0 turnos em abril contra 2,47, 2,4 e 3,1 turnos em média para o período. Os segmentos de Alimentos, Informática e Eletrônicos, Celulose e Papel e Maquinas e Materiais Elétricos apresentam pouca variação proporcional em relação à média de turnos para o mês de abril (queda menor de 2%). Em direção oposta, Farmacêutica foi o único setor que apresentou número de turnos maior do que a média do período: 2,7 em comparação a 2,2, um aumento de 20,3%”, aponta o estudo.

A redução do número de turnos é uma medida menos drástica do que a paralisação das atividades, mas foi necessária para muitas empresas continuarem operando em meio à pandemia do novo coronavírus.

A paralisação é mundial e era esperada também no Brasil, em vista das restrições de circulação de pessoas adotada como a melhor medida para tentar conter o avanço do vírus e não colapsar os sistemas de saúde.

“Os segmentos de Veículos Automotores, Couros e Calçados e Vestuário tiveram o maior percentual de empresas paralisadas, respectivamente 59,5%, 38,9% e 34,1%. Vale ressaltar que a média de empresas paralisadas nos meses de abril desses setores é 0,2% para Veículos e 0,0% para os demais. Como consequência, o NUCI desses segmentos foi fortemente afetado, caindo para valores abaixo de 25%. O resultado agregado da indústria de transformação mostra que 14,4% das empresas paralisadas, um aumento de 10,2 pontos percentuais (p.p.) em comparação a março, e de 11,5 p.p. em relação à média para os meses de abril”, conclui.

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