FGV estima que queda da economia brasileira pode ser de 4,5% por conta do Covid-19

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / YouTube

O Centro de Macroeconomia Aplicada da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, (FGV EESP) divulgou nessa quinta-feira (2) um estudo que projeta o impacto da pandemia do novo coronavírus, o Covid-19, na economia brasileira. A estimativa é de queda de 4,5%.

O trabalho foi coordenado pelo professor Emerson Marçal (foto), que alertou para medidas de controle interno da pandemia, para que o impacto não seja maior: “se nós perdermos o controle da pandemia domesticamente, a economia brasileira muito provavelmente se desorganizará e além das perdas de vidas, nós teríamos uma recessão muito provavelmente maior do que está sendo projetado em nosso cenário”.

“Esses efeitos são muito difíceis de ser mensurados”, disse. Ainda mais nesse momento em que há pouca ou quase nenhuma informação sobre o que está acontecendo na economia brasileira”.

Por isso, O estudo utilizou, segundo a FGV, “econometria e história econômica para identificar momentos importantes que podem ser comparados à crise atual”.

“Um primeiro momento que pode ser comparado com o que estamos vivendo agora é a crise de 2008. Essa foi uma crise global que afetou todo mundo, e em particular o Brasil. Um outro evento importante que nos afetou foi a greve dos caminhoneiros, em 2018. A economia brasileira ficou parada por praticamente um mês sem poder operar, por conta dos efeitos da greve”, justifica o professor.

Metodologia

“A pesquisa mediu qual foi a magnitude desses dois eventos e traçou um cenário base”, diz a FGV, “simulando o que aconteceria com a economia brasileira caso não fosse impactada pela pandemia de coronavírus. Segundo essa estimativa, o PIB brasileiro avançaria 2% em uma situação de normalidade. Foi a partir dessa projeção que foram traçados os cenários de impacto da crise do Covid-19”.

“Estimamos qual seria o cenário da economia se o evento que está ocorrendo agora tiver a ordem de magnitude da greve dos caminhoneiros. Nesse caso a economia deve crescer 0% em 2020, ou seja, o efeito seria de 2%. Mas nós acreditamos que isso é um cenário conservador, porque além do efeito doméstico da pandemia, há o efeito externo dos principais mercados, que estão parados: Europa, China e EUA”, segue o professor.

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“Então, nós simulamos o que ocorreria com a economia brasileira se o choque que está ocorrendo agora com a crise da pandemia tiver a magnitude da crise de 2008. Nesse cenário, nós estimamos que a queda da atividade econômica será de 2,5% em 2020, ou seja, o efeito sobre a economia brasileira seria uma queda de 4,5% do PIB em relação ao cenário base”, explica.

Terceiro cenário da FGV

Há também um terceiro cenário, com a junção dos dois anteriores. De acordo com Marçal, essa seria a projeção mais realista, visto que a crise atual agrega o impacto na economia mundial com a paralisação da economia brasileira.

“Nós simulamos, então, um cenário ainda mais dramático, em que o efeito da crise do coronavírus será equivalente a uma greve dos caminhoneiros e a crise de 2008 ocorrendo simultaneamente. Nesse cenário mais dramático, a economia pode encolher até 4,5%. Somando todos os efeitos, nós sairemos de um cenário base de crescimento de 2% para -4,5%, ou seja, uma queda de quase 6,5%”, analisa o professor.

“As estimativas são realistas?”, questiona. “Só o tempo vai dizer”.

“Vai depender basicamente de dois fatores. O grau da pandemia, ou seja, se nós perdermos o controle da pandemia domesticamente, a economia brasileira muito provavelmente se desorganizará e além das perdas de vidas, nós teríamos uma recessão muito provavelmente maior do que está sendo projetado em nosso cenário. Se a pandemia for controlada e nós conseguirmos dentro de alguns meses retomar uma certa normalidade, o ano de 2020 será difícil, será desafiador, mas em 2021, 2022, 2023 haverá uma trajetória de retomada”, conclui.

Outras estimativas do PIB

Não é só a FGV. O Itaú Asset prevê queda de 3,3% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

“Mesmo havendo retomada nos trimestres subsequentes, boa parte do PIB será onerada e a atividade interna deve retomar seu crescimento de forma mais lenta pós crise, seja pela volta ao dia a dia atrasada pelo medo de contágio, seja por efeitos colaterais do baixo crescimento prejudicando empresas e população”, projetam.

O banco suíço UBS vê contração de 2% em 2020 e vê um crescimento menor em 2021, saindo de 4,9% na previsão anterior para 3%.

“Esse cenário pressupõe que as formas mais intensas de distanciamento social começam a terminar em maio. Uma extensão para além de maio provavelmente levará a um crescimento abaixo do previsto”, diz o banco.

A XP Investimentos alterou consideravelmente sua projeção para PIB, passando de crescimento de 1,8% para queda de 1,9%.

A S&P Global Ratings prevê contração de 0,7%. O Bank Of America é mais pessimista ainda e prevê queda de 3,5%.

Os exemplos são muitos, mas podem ser resumidos no boletim de mercado, conhecido como relatório Focus, divulgado na segunda-feira (30) pelo Banco Central (BC), com dados de mais de 100 instituições financeiras: aponta para uma queda de 0,48% do PIB nacional.

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