FGV diz que setor automobilístico do País tem ociosidade superior a 30%

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

Apesar de ter apresentando uma boa recuperação nos números após o início da pandemia, a FGV informou que o setor automobilístico enfrenta ociosidade no País.

Segundo os dados divulgados pelos fabricantes de veículos automotores e produtores de metal, e compilados pela Fundação Getúlio Vargas, a ociosidade média do parque fabril foi superior a 30% nos últimos quatro meses.

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Os dados compilados na Sondagem da Indústria do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) foram obtidos com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.

Segundo eles, dos 16 principais subsetores pesquisados na sondagem, apenas sete já superaram a média histórica de uso da capacidade instalada.

“A retomada não vem de forma ordeira e homogênea, ela vem de forma heterogênea, errática, tanto sob a ótica da produção quanto da utilização da capacidade instalada. A disseminação da recuperação vai depender da robustez do crescimento. Tudo está apontando para dias melhores, embora tenhamos desafios, como o fim do auxílio emergencial, o desemprego elevado e a curva da pandemia piorando”, avaliou Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Segundo os dados, a ociosidade permanece elevada em veículos automotores, que usaram em média 69,33% da capacidade instalada nos quatro últimos meses de 2020. Outros dos setores mais afetados pela ociosidade foram, pela ordem, informática, eletrônicos e ópticos, com um nível de utilização da capacidade instalada de 73,3% de setembro a dezembro de 2020, máquinas e equipamentos, operando com uma média de 70,9% da sua capacidade, e metalurgia, com Nuci de 78,78%, ante uma média histórica de 83,93%

FGV explica números

De acordo com os mais recentes números divulgados pela FGV, a indústria de transformação operava com 79,25% da capacidade instalada, em média, de setembro a dezembro de 2020.

Esse número é muito próximo da média histórica pré-pandemia, que chegou a 81,96% entre 2010 e 2015, bem antes das mais recentes crises econômicas do País.

Segundo a FGV, a melhora atual é puxada por setores como o de vestuário e celulose, nos quais o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) superou os 90%.

“Apesar de não ser um nível absurdo, começamos a ter um superaquecimento em alguns setores. Temos relatos de falta de insumos, mas o comércio online bombou a indústria de papelão ondulado, por exemplo. Quando você vende online, você reempacota o produto. Alguns setores são beneficiados por questões idiossincráticas da pandemia. Outras atividades mostram reação porque tinham perdido muito durante a crise, como vestuário”, apontou o superintendente de Estatísticas Públicas do Ibre/FGV, Aloisio Campelo Júnior.

 

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