Fed anuncia início do tapering no final de novembro

Felipe Moreira
Editor na EuQueroInvestir, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional.
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Crédito: Wikimedia Commons

O Federal Reserve (Fed) anunciou nesta quarta-feira (3) o início do tapering no final de novembro. O tapering será de US$ 5 bilhões por mês em títulos atrelados a hipotecas e US$ 10 bilhões de Treasuries.

O Fed diz que a partir de dezembro elevará a carteira de Treasuries em ao menos US$ 60 bilhões por mês.

Já a carteira de títulos lastreados em hipotecas será elevada em ao menos US$ 30 bilhões ao mês.

O Comitê julga que reduções semelhantes no ritmo de compras de ativos líquidos provavelmente serão apropriadas a cada mês, mas está preparado para ajustar o ritmo de compras se for justificado por mudanças nas perspectivas econômicas.

Juros e inflação

Em relação ao juros, o banco central americano mantém taxa juro entre 0% e 0,25%. O Fed diz estar preparado para ajustar política monetária, caso surjam riscos.

O Fed mudou avaliação de inflação “para fatores que devem ser transitórios”.

A instituição mira inflação moderadamente acima de 2% por um tempo.

Assim, o Fed espera manter acomodação até que metas para inflação e emprego sejam atingidas.

Emprego e atividade econômica

De acordo com a nota, a atividade econômica e o emprego seguiram se fortalecendo com progresso da vacinação contra Covid-19.

Os setores mais afetados pela pandemia melhoraram nos últimos meses, mas recuperação foi contida no verão.

Dessa forma, segundo o comunicado, o progresso em vacinação e relaxamento dos gargalos na cadeia devem apoiar crescimento e aliviar inflação.

O que é tapering?

Em momentos de crises financeiras, quando é preciso dar mais suporte à atividade econômica, o Fed (banco central dos EUA) injeta liquidez no mercado. Foi assim durante a crise do subprime, em 2008 e, mais recentemente, a partir do início da pandemia.

O termo tapering, que pode-se traduzir como “estreitamento gradual”, ficou conhecido a partir de 2013, por causa de Ben Bernanke. Na ocasião, o então presidente do Fed utilizou a expressão para avisar que começaria a reduzir as compras de títulos públicos e hipotecas, feitas para mitigar os prejuízos do subprime.

Na ocasião, o fato causou estragos, em especial nas economias emergentes. No caso do Brasil, tivemos uma piora no risco-país e uma desvalorização média do real de 20%.

Já em 2020, devido à Covid, foram mais de US$ 3 trilhões injetados na economia norte-americana. Em 2021, o Fed passou a comprar mensalmente US$ 120 bilhões em títulos públicos, como mais uma forma de ajudar o mercado a lidar com a crise.