Fed pode considerar taxas de juros negativas caso aconteça uma segunda onda do coronavírus

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Jerome Powell Photographer: Andrew Harrer/Bloomberg

O Federal Reserve dos Estados Unidos pode considerar cortar as taxas de juros para negativo, caso outra aconteça uma segunda onda do novo coronavírus no país. Entretanto, essa política monetária não seria “muito útil”, disse na quinta-feira (14) à CNBC um estrategista do Goldman Sachs.

O presidente do Fed, Jerome Powell, reiterou esta semana que o banco central não está considerando taxas de juros negativas neste momento, mesmo quando outros bancos centrais – como o Banco da Inglaterra – pareciam estar abertos à idéia, diz a CNBC.

Quando perguntado sobre o que poderia mudar a mente do Fed sobre taxas de juros negativas, Zach Pandl, co-chefe de estratégia global de câmbio, taxas e mercados emergentes da Goldman Sachs, levantou a possibilidade de uma segunda onda de casos de coronavírus que poderiam prejudicar a recuperação econômica futura.

“Se a economia tiver outro grande contratempo, como uma segunda onda de infecções, isso realmente levaria a recuperação para fora do curso, e abriria a possibilidade de uma série de ações adicionais”, disse ele à CNBC.

Primeiro passo: política fiscal

No entanto, Pandl diz que, mesmo nesse cenário, uma política fiscal seria o primeiro passo a ser dado: “não acho que reduzir as taxas para um território negativo possa ser muito útil, mesmo nesse ambiente”.

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“Mas, quem sabe, os formuladores de políticas vão querer tentar coisas novas se a economia estiver realmente lutando por um período de tempo”, acrescentou. “Portanto, nesse cenário, talvez eles possam considerar os juros negativos, caso contrário, acho que é uma probabilidade muito baixa neste momento”.

Pandl, entretanto, não chegou a explicar o motivo de achar que as taxas de juros negativas “não seriam úteis”. O certo é analistas duvidam da eficácia de tal política, citando a experiência de alguns países europeus e do Japão que lutam para reenergizar suas economias, mesmo depois de adotar taxas negativas há anos.

Fed espera vacina

Nesse domingo (17), Powell, afirmou que uma recuperação total da economia dos Estados Unidos depende de uma vacina contra o coronavírus. Só assim a confiança da população poderia retornar a níveis suficientes de retomar o consumo.

“Supondo que não haja uma segunda onda do coronavírus, acho que você verá a economia se recuperar de forma constante até o segundo semestre deste ano. Para que a economia se recupere completamente, as pessoas terão que estar totalmente confiantes e talvez tenhamos que aguardar a chegada de uma vacina”, afirmou.

Essa é uma análise que encontra eco em vários locais do mundo. Achatar a curva ou fazê-la apontar para baixo não garante que as pessoas vão retomar seu estilo de vida pré-pandemia. Ainda haverá empregos a ser recompostos e capacidade de consumo a ser retomado.

Dólar

O dólar norte-americano subiu depois que Powell descartou uma taxa negativa.

A moeda “permaneceu forte nas últimas semanas, à medida que os investidores buscam ativos mais seguros para investir depois que a pandemia de coronavírus diminuiu as perspectivas econômicas em todo o mundo”, lembrou a CNBC.

“Mas, à medida que a economia global se recuperar nos próximos anos, essa força na moeda desaparecerá”, disse Pandl à reportagem.

Para ele, o dólar está supervalorizado em cerca de 20%, o que significa que um declínio pode ser “bastante substancial”.

“As taxas de juros nos EUA têm sido o principal fator para manter o dólar forte nos últimos anos e essa fonte de apoio agora se foi, as taxas nos EUA estão muito mais próximas dos baixos níveis que vemos no resto do mundo”, acrescentou.

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