Fed: Livro Bege aponta recuperação fraca da economia e “otimismo moderado” no 2º semestre

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

Federal Reserve divulgou, nesta quarta (13), o Livro Bege, documento que analisa a economia do país e é assinado pelos dirigentes da instituição.

O texto pontua análises observações sobre indicadores como desemprego, inflação, consumo e atividade industrial.

No documento desta quarta, o Fed ressalta que a atividade econômica continuou crescendo em todos os distritos pesquisados, mas o ritmo de retomada é leve e modesto em meio ao recrudescimento da pandemia do novo coronavírus.

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O país vem registrando média altas de infecções e números recordes de óbitos, com cerca de 3000 óbitos e 200 mil casos a cada 24 horas.

Ligeira melhora

No relatório desta quarta, o Fed lembrou que  a “atividade econômica melhorou ligeiramente desde a última publicação, em novembro”.

“A perspectiva das vacinas contra a Covid-19 reforçou o otimismo empresarial para o crescimento de 2021, mas essa tendência é moderada por causa da preocupação com o recente ressurgimento do vírus e as implicações para as condições de negócios de curto prazo”, analisou o Fed.

O relatório analisou um período que viu o início da vacinação, mas com apenas uma pequena parcela da população imunizada até este início de 2021.

O governo prometeu ampliar a cobertura de vacinação — e o presidente eleito Joe Biden vem afirmando que vai acelerar o processo e torná-lo mais abrangente. Mas os impactos na economia ainda não podem ser notados, diz o Fed.

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Recuperação

Apesar do quadro negativo deste início do ano, analistas do Fed lembraram que existem razões para acreditar que a economia pode se recuperar no segundo semestre de 2021.

Os dirigentes dizem que esse crescimento será impulsionada pela vacinação no país.

O pacote fiscal aprovado no Congresso também será fundamental para mitigar os efeitos econômicos da pandemia.

O Livro Bege foi elaborado com base em informações reunidas até 4 de janeiro de 2021.

Segundo os dirigentes, na maioria dos distritos, a indústria continuou a se recuperar — apesar das medidas de restrição impostas pela alta de casos e avanço da pandemia no pais.

Segundo a Bloomberg, o presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, espera um crescimento de 5% em 2021, impulsionado por inoculações;

Eric Rosengren, de Boston, disse na quarta-feira que a vacinação generalizada poderia sustentar um aumento significativo no consumo.

Raphael Bostic, de Atlanta, disse que a distribuição começou devagar e mais atrasos seriam um retrocesso para a esperada forte recuperação, atestou a Blooomberg.

O texto do Livro Bege ressalta que os preços das moradias continuam a subir.

Afirma ainda que o otimismo com vacinas foi moderado com recente onda do coronavírus.

Emprego: desaceleração

Menciona ainda que o ritmo de crescimento do emprego desacelerou à medida que o ressurgimento de contaminações aumentou nos EUA.

A folha de pagamentos oficial não-agrícola dos Estados Unidos, payroll, apontou o fechamento de 140 mil postos de trabalho em dezembro. A projeção era de geração de 71 mil vagas no mês.

pesquisa ADP, considerada uma prévia, já havia apontado a perda de 123 mil vagas. Mas, ao contrário do payroll, ela não contabiliza a criação de cargos públicos, apenas as vagas no setor privado não-agrícola.

O resultado é creditado ao novo avanço do coronavírus, segundo o Bureau of Labor Statistic dos EUA. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (8).

Em dezembro, as perda de empregos em lazer e hotelaria e na educação privada foram apenas parcialmente compensados ​​por ganhos no comércio e na construção.

A taxa de desemprego atingiu 6,70% em dezembro. A projeção era 6,80%.

O salário médio nos EUA teve variação mensal de 0,8% no mês, ante expectativa de 0,2%.

PMI

UM exemplo de como está a atividade econômica no país é o Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) industrial dos Estados Unidos, calculado pelo Institute for Supply Management (ISM). O indicador foi divulgado na última terça-feira (5).

O índice subiu para 60,7 pontos em dezembro, de 57,5 em novembro. Economistas do jornal Wall Street Journal esperavam queda para 57,0 pontos.

Leituras acima de 50 indicam que o setor está em está crescendo, enquanto abaixo de 50 indicam queda.

De acordo com a nota do ISM, o número aponta expansão na atividade do setor pelo oitavo mês consecutivo. Anteriormente, antes das contrações entre março e abril de 2020, o setor cresceu por 131 meses seguidos.

Preços

Enquanto a atividade da indústria mostrou alguns sinais de retomada, a maioria dos distritos analisados pelo Fed apontou que os gastos do consumidor oscilaram.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) dos Estados Unidos, por exemplo, teve alta de 0,4% em dezembro, em linha com as projeções do mercado e acima dos 0,2% registrado em novembro.

Na comparação com dezembro de 1029, o IPC subiu 1,4%. A projeção era de alta de 1,3%.

Os núcleos do IPC vieram em linha: 0,1% no mês e 1,6% na base anual.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (13) pelo Bureau of Labor Statistics americano.

Destaque para o aumento de 8,4% no índice da gasolina, que representou mais de 60% do aumento geral. A alimentação, tanto em casa quanto fora subiu 0,4%.