Fed: falta de apoio do Congresso põe em risco a recuperação econômica

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) divulgou nesta quarta (7) a ata das últimas reuniões do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), realizadas em 15 e 16 de setembro últimos.

O documento aponta uma preocupação dos dirigentes do Fed a respeito da falta de um apoio fiscal do governo e do Congresso para a recuperar a economia do país em meio à crise causada pelo novo coronovírus.

Temem que a falta de estímulo fiscal prejudique a retomada econômica.

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Referem-se à falta de acordo no Congresso americano em relação a um novo pacote de estímulo à economia — que deve injetar cerca de US$ 2,4 trilhões.

Os congressistas democratas e republicanos negociam um pacote — mas já se fala em adiar o acordo para depois das eleições americanas, em 3 de novembro.

A reunião do Fed incluiu abrangente debate sobre as perspectivas econômicas do país.

Taxas perto do zero

Em sua última decisão, anunciada em 16 de setembro, os dirigentes do Fed mantiveram as taxas de juros entre zero e 0,25%.

Disseram que pretendem manter os juros perto da estabilidade até pelo menos 2023.

“As informações disponíveis à época da reunião de 15 a 16 de setembro sugeriam que o PIB real dos EUA estava se recuperando a uma taxa rápida no terceiro trimestre”, diz a ata do Fomc.

“As condições do mercado de trabalho continuaram a melhorar acentuadamente em julho e agosto, mas o nível de emprego ainda estava abaixo do nível do início do ano”, pondera.

“A inflação dos preços ao consumidor – medida pela variação percentual de 12 meses no índice de preços para despesas de consumo pessoal (PCE) até julho – permaneceu bem abaixo das taxas que prevaleciam no início do ano”, acrescenta.

Apoio fiscal

Nesta quarta, o Fed reforçou mais uma vez os riscos da pandemia para a atividade econômica.

“A crise sanitária causou enormes dificuldades para os EUA e o mundo”, diz a ata do Fomc. “A economia e emprego nos EUA reagiram nos últimos meses.”

Mas, apesar da melhora, ressalta o comitê, economia e emprego continuam abaixo dos patamares registrados  no começo do ano.

A maioria dos integrantes do Fed mostrou preocupação com a retração do apoio fiscal.

Os dirigentes concordam que Fed usará todos os instrumentos de que dispõe para apoiar a economia. Concordam que trajetória da economia dependerá do coronavírus.

Dirigentes do Fed declaram que é preciso mais ajuda fiscal: consideram a incerteza econômica “muito elevada”, apesar de os indicadores mostrarem que a economia está se recuperando mais rapidamente do que o previsto.

Os membros do Fomc concordam em manter juros baixos até atingir a completa recuperação econômica.

Lembraram que as condições financeiras relaxaram desde a reunião anterior e que a política monetária acomodada contribuiu para compras de bens duráveis.

Reação do mercado

As bolsas repercutiram a ata do Fed com otimismo: Dow Jones avançou 1,77%. S&P 500 subiu 1,60% e Nasdaq tem alta de 1,75%

Apesar dos alertas da ata do Fed, o documento trouxe um pouco de otimismo ao mercado.

A promessa de juros baixos por longo tempo e a admissão que a economia está se saindo melhor do que o esperado estimularam o otimismo em Wall Street.

Fed: juros estáveis até 2023

O Fed, em 16 de setembro, disse estar “comprometido em usar seu total arsenal de instrumentos para apoiar a economia, promovendo o máximo emprego e a estabilidade dos preços”.

Treze dirigentes veem juro entre zero e 0,25% em 2023.  Dois integrantes do comitê sugerem subir as taxas para 0,25% e 0,50%, e um, entre 1,25% e 1,5%.

Para 2023, a maioria dos membros do Fomc vê estabilidade do juro nesses patamares.

O Fed prometeu, ainda, aumentar as compras de títulos nos próximos meses.

Justificativas do Fed

A instituição monetária lembrou que a pandemia do novo coronavírus provocou “um tremendo revés humano e econômico nos EUA e no mundo”

A atividade econômica e o emprego estão se recuperando nos últimos meses, pondera o Fed em comunicado, mas ainda continuam muito abaixo do início do ano

O Fed disse que pretende manter a política de juros perto do zero até os índices de emprego subirem. Aguardam ainda que a inflação fique em torno de 2%.

“Nos próximos meses, vamos aumentar compras de títulos, pelo menos, no ritmo atual”, anunciou o Fed.

“O Federal Reserve aumentará suas participações em títulos do Tesouro e títulos garantidos por hipotecas de agências, pelo menos no ritmo atual para manter o funcionamento do mercado”, explica o comunicado.

“Isso ajudará a promover condições financeiras acomodatícias, apoiando assim o fluxo de crédito para famílias e empresas”, acrescentou o Fed.

Fed: crise do coronavírus ainda pesa na atividade econômica

Os dirigentes argumentaram ainda que a atual crise sanitária — ainda com números altos nos EUA — continuará a pesar na atividade econômica, no emprego e na inflação no curto e médio prazos.

Diz o comunicado: “A pandemia de Covid-19 está causando enormes dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos e em todo o mundo.”

E adiciona: “A demanda mais fraca e os preços do petróleo significativamente mais baixos estão mantendo a inflação dos preços ao consumidor.”

“As condições financeiras gerais melhoraram, em parte refletindo medidas de política para apoiar a economia e o fluxo de crédito para famílias e empresas americanas”, ressalva.

O documento prossegue: “A trajetória da economia dependerá significativamente do curso do vírus. A atual crise de saúde pública continuará a pesar sobre a atividade econômica, o emprego e a inflação no curto prazo e apresenta riscos consideráveis ​​para as perspectivas econômicas no médio prazo.”

E conclui: “O Comitê espera manter uma postura acomodatícia da política monetária até que esses resultados sejam alcançados.

PIB e desemprego

O Fed fez projeções que incluem queda menor do PIB em 2020: de 6,5% para 3,7%. Para 2021, diminuiu o recuou de 5% para 4%

A previsão de taxa de desemprego em 2020 foi reduzida de 9,3% para 7,6%. Para 2021, diminuiu a projeção de 6,5% para 5,5%.

Fed prevê que juro fique em 2,5% nos EUA no longo prazo.

Presidente do Fed garante juros inalterados

O presidente do Fed Jerome Powell concedeu entrevista coletiva após o anúncio da decisão da instituição.

Fez um balanço dos recentes dados divulgados da atividade econômica e como o Fed respondeu a esses indicadores.

Segundo Powell, o Fed “está comprometido em alcançar os objetivos de pleno emprego e de inflação (2%)”. Assegurou juros inalterados nos EUA até que “os objetivos de inflação e emprego sejam atingidos”.

Observou que a economia nos EUA tem melhorado desde o segundo trimestre. Powell afirmou que recuperação da economia pode exigir mais ações de política monetária e fiscal do governo.

O Fed anunciou operações de repo reversas com limite de US$ 30 bilhões ao dia e juro de 0%.

Powell alertou para o risco de desaceleração econômica caso os EUA não anunciem um programa fiscal após o fim da pandemia.

Hoje, no entanto, a Casa Branca sinalizou que pode apoiar um programa bipartidário de US$ 1,5 trilhão de estímulo à economia

Fed: decisão anterior

Na última decisão, em 29 de julho, o Fed também havia decidido pela manutenção das taxas de juros.

A instituição justificou manter as taxas de juros dizendo que a atividade econômica e emprego melhoraram nos últimos meses nos Estados Unidos, mas permanecem em patamares mais baixos dos registrados antes da pandemia.

O Fed acrescentou que os rumos da economia dependerão do novo coronavírus. Os números da pandemia vêm aumentando nas últimas três semanas, com altas em metade dos estados.

O comitê informou também que continuará comprando pelo menos US$ 120 bilhões em treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) e títulos lastreados em hipotecas todos os meses para estabilizar os mercados financeiros.

Momento desafiador

“O Federal Reserve está comprometido em usar toda a sua gama de ferramentas para apoiar a economia dos EUA neste momento desafiador”, anunciou o comunicado.

“O Comitê espera manter essa taxa de juros até ter certeza de que a economia resistiu a eventos recentes e está a caminho de alcançar suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços”, acrescentou.

O Fed renovou sua promessa de juros baixos um dia antes da divulgação de relatório do governo que deve mostrar tombo recorde de 34% na produção econômica, em dado anualizado, no segundo trimestre.

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Autoridades adotaram restrições que fecharam empresas e mantiveram pessoas isoladas em tentativa de conter a disseminação do coronavírus.

Desde a última reunião de política monetária em junho, a epidemia se intensificou, com uma média de cerca de 65 mil novos casos detectados diariamente, cerca de três vezes o ritmo de infecções de meados de junho.

As mortes também estão aumentando, e tudo isso levou governadores da Califórnia, Texas e Flórida a impor novas restrições econômicas.

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