Fed decide manter taxas de juros estáveis, perto do zero

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação/Fed

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) decidiu nesta quarta (16) pela manutenção das taxas de juros estáveis, entre 0% e 0,25% ao ano.

A decisão foi unânime.

Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes do Fed, lembrou que a pandemia de coronavírus — em alta, com número recorde de contágios — continua causando efeitos significativos na economia.

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O Fed reitera que trajetória da economia dependerá principalmente do rumo do coronavírus — hoje com taxas recordes, com média de 250 mil diagnósticos por mês.

Para frear o avanço da doença, estados vêm adotando medidas mais duras de restrição e distanciamento social.

Compra de ativos

No comunicado, o Fed afirma que manterá a compra de ativos em ao menos US$ 120 bilhões ao mês. E avisa que vai estender linhas de swap de dólar até setembro de 2021.

Essa orientação era esperada pelo mercado.

O banco central segue com o compromisso de manter estímulos monetários, o que favorece os mercados emergentes com a liquidez.

Após sua reunião de dois dias, o Federal Reserve se comprometeu a continuar comprando títulos até que a economia alcance o pleno emprego e a inflação fique em 2%.

“Essas compras de ativos ajudam a promover o funcionamento suave do mercado e condições financeiras acomodatícias, apoiando assim o fluxo de crédito para famílias e empresas”, acrescentou o Fed.

O comitê, contudo, não disse se e até quando estenderia a duração dessas compras de ativos.

Atividade econômica abaixo dos níveis pré-pandemia

O tom do comunicado do Fed não trouxe nenhuma modificação em relação à reunião de novembro.

O Fed ainda observa a atividade econômica em recuperação, mas atenta que está “bem abaixo” do nível pré-pandemia.

O comitê diz que a pandemia apresenta riscos consideráveis ​​para as “perspectivas econômicas no médio prazo”.

Dirigentes do Fed vêm pressionado o Congresso por mais estímulos fiscais.

Mas ainda não há um entendimento em torno desse tema no Congresso.  Um projeto bipartidário pretende injetar US $ 900 bilhões na economia.

Projeções

Os dirigentes elevaram a projeção do PIB americano de 2021 de 4% para 4,2%. Para 2022, de 3,0% para 3,2%.

Dezesseis dos dirigentes do Fed veem juro entre 0% e 0,25% em 2022.

Doze dos 17 dirigentes do Fed consideram juro estável (0% e 0,25%) até 2023.

Três deles esperam 0,25% a 0,50% em 2023. Um dos integrantes do comitê prevê entre 0,50% e 0,75% e 1 entre 1% e 1,25%

A maioria dos dirigentes estima juro em 2,5% no longo prazo.

Os dirigentes do Fed disseram que as taxas ficarão nesse patamar até a inflação atingir a meta anual de 2% ao ano.

Títulos do Tesouro

O Fed anunciou que vai aumentar compras de títulos do Tesouro em pelo menos US$ 80 bilhões ao mês.

A autoridade monetária afirmou ainda que irá elevar compras de títulos lastreados em hipoteca em pelo menos US$ 40 bi por mês.

Reação do mercado

Após a decisão da taxa de juros, o Dow Jones ampliou queda para 0,35%, mas passou a operar em estabilidade, a -0,003%. O S&P 500 virou e está em alta de a 0,39%, Já o Nasdaq avança 0,64%.

O entendimento imediato de parte dos investidores mercado foi de que Fed frustrou ao não ampliar o programa de recompra de títulos, mantido em US$ 120 bilhões ao mês. Mas o comunicado no geral foi bem recebido.

É que Powell disse em seguida que o Fed poderá expandir as compras de Treasuries.

Em São Paulo, a bolsa de valores inverteu o sinal no início de tarde desta quarta-feira (16), e operava, às 17h, com alta de 1,62%, aos 117.936,16 pontos.

“Recuperação improvável”

O presidente do Fed, Jerome Powell, concedeu entrevista após o anúncio do Fed sobre a taxa de juros.

Powell insistindo no impacto da pandemia sobre a recuperação da economia. Falou sobre incertezas e desafios “significativos” em torno da distribuição da vacina.

“É improvável que a economia se recupere até que as pessoas se sintam seguras”, afirmou Powell.

Disse o guidance de compras de ativos é muito importante e lembrou que as condições atuais são apropriadas.

Powell diz não saber quando a economia possibilitará redução de estímulos. Lembrou que o pacote de estímulos fiscais de cerca de US$ 900 bilhões seria bem-vindo.

O presidente do Fed assinalou que a instituição pode expandir o programa de compras de ativos.

Emprego

O Fed mencionou que aguarda pelo “pleno emprego” e números satisfatórios do mercado de trabalho.

O governo dos EUA informou no último dia 4 que a economia do país criou 245.000 vagas em novembro. Além disso, a taxa de desemprego teve leve queda, de 6,9% para 6,7%.

De acordo com os dados do payroll, ainda há 10,7 milhões de desempregados nos EUA, somado com os que pararam de procurar trabalho.

Os números de novembro ficaram abaixo da projeção dos economistas, que esperavam uma adição de 460 mil vagas formais.

Há uma grande diferença em relação ao mês de outubro, quando o mercado de trabalho ganhou 610 mil vagas nos EUA.

As autoridades destacaram que o índice está oito pontos abaixo do máximo alcançado durante a pandemia, em abril. Mas permanece 3,2 pontos percentuais acima do nível anterior à chegada do vírus.

Política monetária

No último dia 5 de novembro, O  Fed, banco central dos Estados Unidos já havia mantido sua política monetária de afrouxamento intacta.

Na ocasião se comprometeu a fazer o que puder para sustentar uma recuperação econômica norte-americana ameaçada pela pandemia.

 

 

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