Fed: reunião do Fomc decide manter as taxas de juros perto do zero

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Foto: Fed: reunião Fomc

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) decidiu nesta quinta (5) manter as taxas de juros estáveis, entre 0% e 0,25% ao ano.

Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes do Fed, disse que a pandemia de coronavírus continua impactando a economia do pais, afetando o emprego e a atividade.

A decisão foi unânime.

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O Fed manteve sua política monetária de afrouxamento intacta e se comprometeu novamente a fazer o que puder nos próximos meses para sustentar uma recuperação econômica norte-americana ameaçada pela pandemia.

O banco central dos EUA não comentou sobre a eleição em seu comunicado de decisão de política monetária divulgado após reunião de dois dias.

“A atividade econômica e o emprego continuaram a se recuperar, mas permanecem bem abaixo de seus níveis no início do ano”, disse o Fomc.

“A pandemia da Covid-19 está causando enormes dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos e em todo o mundo.”

Patamares abaixo dos níveis pré-pandemia

Mais uma vez, o Fed disse estar empenhado em usar toda a gama de ferramentas para apoiar a economia do país.

“A atividade econômica e o emprego ainda estão em recuperação, com indicadores abaixo dos níveis do início do ano”, diz o comunicado, divulgado em meio à indefinição do desfecho das eleições presidenciais.

O Fomc reforçou que a trajetória da economia dependerá do curso da pandemia.

O país voltou a registrar números altos de covid-19 — nesta quarta as autoridades contabilizaram mais de 100 mil casos em 24 horas

As taxas de juros se mantêm nos mesmos níveis desde 15 de março.

O comitê lembrou que a demanda fraca e preços baixos mantêm a inflação baixa — e ficará acima de 2% por algum tempo.

Na avaliação do Fomc, o Fed continuará levando em conta a equação saúde pública, mercado de trabalho e inflação.

Em seu comunicado, o Fed destacou riscos ainda “consideráveis” da pandemia para a atividade americana, emprego e a inflação, confirmando o compromisso de continuar fornecendo estímulos sustentados.

Na reunião de setembro, o Fomc sinalizou que espera manter as taxas perto de zero por, pelo menos, até 2023.

Títulos

O Fed disse que por enquanto continuará comprando “ao menos” US$ 120 bilhões em títulos do governo, e usará suas outras ferramentas e programas conforme necessário dependendo de como a economia evolui.

O relatório de emprego nos EUA para outubro, a ser divulgado pelo Departamento do Trabalho na sexta-feira, dará a visão mais atualizada sobre a rapidez com que a economia está levando os milhões de desempregados pela pandemia de volta ao trabalho.

Mas, além disso, o Fed vai estar agora aguardando para ver se o presidente republicano Donald Trump permanece no cargo ou se o democrata Joe Biden assume o controle da Casa Branca, e o que cada cenário pode significar em termos de gastos adicionais do governo para ajudar os que estão sem trabalho.

Reação do mercado

As bolsas em Nova York fecharam em alta.

O Dow Jones subiu 1,95%, para 28.390,24 pontos.

O S&P 500 avançou 1,95%, a 3.510,44 pontos. Nasdaq teve alta de 2,59%, para 11.890,33 pontos.

Por aqui, o Ibovespa acompanhou o movimento de alta e fechou com avanço de 2,95%, aos 100.751,40 pontos

Já o dólar encerrou a sessão em queda de 1,91%, cotado a R$ 5,5459.

Mas o otimismo dos mercados globais tem mais relação com a proximidade da definição das eleições nos EUA — Joe Biden está a quatro delegados do colégio eleitoral de se tornar presidente, em meio a apurações conturbadas.

Powell fala em ritmo moderado de retomada

Em discurso após a divulgação da decisão do Fed, o presidente da instituição Jerome Powell assinalou que o ritmo da recuperação econômica está agora em ritmo moderado.

Powell argumentou que o caminho para o futuro permanece “altamente incerto”.

Mas, segundo o presidente do Fed, a crise econômica não atingiu todos os americanos igualmente.

Afirmou que gastos do setor de serviços ainda estão baixos

Ponderou ainda que os juros estão apropriados até emprego se recuperar totalmente e a meta de inflação seja alcançada.

Disse também que levará tempo para a economia voltar ao ritmo do início do ano. Mas manteve a garantia de que o país continuará comprando ativos “ao menos”, no ritmo atual.

Segundo a análise da CNBC, o tom do comunicado é menos otimista que a declaração de setembro, quando o Fomc mencionou que a atividade econômica havia “acelerado nos últimos meses”.

Além disso, Powell pediu  mais apoio fiscal para apoiar a política monetária — referindo-se à falta de acordo no Congresso sobre um novo pacote de estímulo à economia.

Powell acredita que a economia continuará se recuperando, mas em ritmo gradual. O dirigente disse que a falta de desenvolvimento de uma vacina poderá afetar a retomada de alguns setores, sem especificar quais.

E concluiu: o aumento generalizado de casos de coronavírus pode pesar na atividade econômica e que o ônus da crise foi amenizado pela atuação do Fed.

PIB: preocupação

Um dado recente da economia ilustra a fala de Powell.

PIB americano cresceu 33,1% no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores, em dados prévios, anualizados, divulgados nesta quinta-feira (29) pelo escritório oficial de estatísticas (BEA) do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Pela métrica não anualizada, a alta foi de 7,4%.

A expectativa era de uma alta de 31%, também em dados anualizados. Entretanto, os números ainda passarão por duas revisões nos próximos meses.

Mas o resultado veio após uma queda de 31,4% no segundo trimestre, devido aos impactos da pandemia de Covid-19. Por outro lado, foi melhor do que a estimativa de 32% dos economistas consultados pelo Wall Street Journal.

“O aumento do PIB real no terceiro trimestre refletiu aumentos nos gastos do consumidor, estoque, investimento, exportações, investimento empresarial e investimento em habitação, que foram parcialmente compensado por uma diminuição dos gastos do governo”, apontou o BEA em nota.

Os gastos do consumidor, que respondem por dois terços da atividade econômica, subiram 40,7% entre julho e setembro. Enquanto isso, o investimento empresarial aumentou 70,1%.

Apesar da recuperação histórica no último trimestre, economistas apontam preocupação.

Conforme a atual retomada de casos de covid-19 nos Estados Unidos, o país com mais infecções e mortes no mundo, a expectativa é de que a expansão econômica volte a abrandar, com a volta das restrições de circulação em algumas regiões.

Payroll

O payroll, folha de pagamento oficial não-agrícola dos Estados Unidos, apontou a criação de 661 mil vagas de emprego em setembro, abaixo da projeção de 850 mil do mercado.

O resultado veio abaixo também do mês anterior, quando foram criadas 1,499 milhão de vagas (ajustadas das 1,371 milhão anunciadas anteriormente).

A taxa de desemprego caiu de 8,4% para 7,9%, segundo informação do Bureau of Labor Statistics, do Departamento de Trabalho dos EUA.

Os novos pedidos de seguro-desemprego tiveram nova queda semanal nos Estados Unidos, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (5).

Foram 751 mil pedidos feitos na semana encerrada em 31 de outubro, 10 mil mais do que o esperado.

O número aponta 7 mil a menos que o nível revisado de 758 mil registrados na semana passada. Além disso, essa é a terceira queda semanal consecutiva do indicador. Os dados são do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.

Entretanto, apesar do novo recuo, os valores continuam sendo o dobro do registrado antes da pandemia. Desde o início da crise do coronavírus nos EUA, em março, foram 22 semanas com mais de 1 milhão de pedidos. Antes da disparada de pedidos, foram registrados 282 mil pedidos semanais.

A semana mais crítica foi a de 28 de março, quando as reivindicações atingiram o recorde de 6,86 milhões.

Antes desta crise, o teto nos pedidos de seguro-desemprego tinha ocorrido em 1982, com 650 mil reivindicações.

A média móvel de 4 semanas caiu para 787 mil, uma diminuição de 4 mil da média revisada da semana anterior, que ficou em 791 mil.

Falta de estímulo fiscal

Em 7 de outubro, o Fed havia decidido manter as taxas de juros perto do zero e apontou uma preocupação dos dirigentes do Fed a respeito da falta de um apoio fiscal do governo e do Congresso para a recuperar a economia do país em meio à crise causada pelo novo coronovírus.

Temiam que a falta de estímulo fiscal prejudique a retomada econômica.

Referiam-se à falta de acordo no Congresso americano em relação a um novo pacote de estímulo à economia — que deveria injetar cerca de US$ 2,4 trilhões, pela proposta dos congressistas democratas.

Mas a falta de entendimento a respeito desse pacote permanece até hoje.

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*Com Agência Brasil

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