Fed corta juros e anuncia programa de US$ 700 bilhões

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciou neste domingo (15) o segundo corte de juros em menos de duas semanas, em uma medida para combater os efeitos da pandemia do coronavírus sobre a economia.

Segundo o Fed, a nova faixa de juros será 0% a 0,25% e foi decidida em reunião extraordinária – com nove votos a favor e um contra.

O banco central americano lançou ainda um programa de flexibilização quantitativa de US$ 700 bilhões.

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“O surto do coronavírus prejudicou comunidades e interrompeu a atividade econômica em muitos países, incluindo os Estados Unidos. As condições financeiras globais também foram significativamente afetadas”, escreveu o Fed.

Segundo o comunicado, os efeitos do coronavírus irão pesar na atividade econômica no curto prazo e representar riscos para as perspectivas econômicas.

“À luz desses desenvolvimentos, o Comitê decidiu reduzir o intervalo da meta para a taxa de fundos federais para 0% a 0,25%”, acrescentou.

O Fed informou que pretende manter essa faixa de metas “até ter certeza de que a economia resistiu a eventos recentes e está a caminho de alcançar suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços”.

“Essa ação ajudará a apoiar a atividade econômica, as fortes condições do mercado de trabalho e a inflação retornando ao objetivo simétrico de 2% do Comitê.”

O que você verá neste artigo:

Programa

O Fed anunciou ainda um novo programa de compra de ativos, “para apoiar o fluxo de crédito para famílias e empresas e, assim, promover suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços”.

Segundo o comunicado, nos próximos meses, o Comitê aumentará sua participação em títulos do Tesouro em pelo menos US$ 500 bilhões e suas títulos lastreados em hipotecas de agências em pelo menos US$ 200 bilhões.

“O Comitê também reinvestirá todos os pagamentos principais das reservas de dívida da agência e títulos lastreados em hipotecas da agência em títulos lastreados em hipotecas da agência”, informou.

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Mercados

Logo após a divulgação, os índices futuros de Nova York operavam com forte queda. Por volta das 19h45 deste domingo, S&P recuava 4,7%; Nasdaq caia 4,5% e Dow Jones desvalorizava-se 4,4%.

De acordo com a CNBC, os futuros de ações recuavam, mesmo após a ação do Fed, porque muito investidores avaliam que, em última análise, desejam ver casos de coronavírus recuando antes de voltar ao mercado.

Os futuros do mercado de ações atingiram níveis de “limite para baixo” de 5%.

Para a consultoria inglesa Pantheon Macroeconomics, as medidas do Fed são uma “ótima notícia”, mas não resolvem – mercados esperam medidas fiscais do Congresso dos EUA.

Dessa forma, a percepção de risco segue elevada e medidas como essas do Fed tendem a trazer fôlego em alguns dias, mas no momento o mercado busca reencontrar uma referência de preço que foi perdida nas últimas semanas.

Powell

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou neste domingo, segundo a CNBC, que o banco central “está disposto a ser paciente antes de aumentar novamente as taxas”, já que o surto de coronavírus continua pesando nos mercados globais.

Segundo ele, é improvável que o banco central implemente taxas de juros negativas como o próximo passo para ajudar a economia durante o susto do coronavírus.

“Não vemos uma política de taxas negativas como uma resposta política apropriada aqui nos Estados Unidos”, disse, em uma resposta durante teleconferência, reportou a CNBC.

Além de não considerar taxas negativas, Powell disse que o Fed também não pretende expandir suas compras de ativos além dos Treasurys e dos títulos lastreados em hipotecas foco do anúncio deste domingo.

Alguns participantes do mercado especularam que o Fed poderia querer entrar em ativos mais arriscados, como ações e títulos corporativos, apesar de precisar de autorização do Congresso para fazê-lo, reportou a CNBC.

“Não estamos buscando autoridade legal”, disse ele, acrescentando que o Fed ainda tem opções em aberto, apesar do corte. “Acho que temos muito espaço para ajustar nossa política.”

Powell ressaltou anda a importância de “ferramentas de liquidez”, como outras medidas adotadas pelo Fed para reduzir a taxa de desconto dos bancos para emprestar do Fed e fornecer linhas de swap de dólares a outros bancos centrais globais.

O Fed tem “muita energia restante” em seu kit de ferramentas, reforçou, conforme a CNBC.

Votos

Votaram favoravelmente ao corte Jerome H. Powell, presidente; John C. Williams, vice-presidente; Michelle W. Bowman; Lael Brainard; Richard H. Clarida; Patrick Harker; Robert S. Kaplan; Neel Kashkari; e Randal K. Quarles.

O voto dissidente ficou por conta de Loretta J. Mester, que “apoiou totalmente todas as ações adotadas”, mas preferiu reduzir o intervalo de metas para a taxa de fundos federais para 1/2 a 3/4 por cento nesta reunião.