Fed: atividade econômica tem queda acentuada por causa da pandemia

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação/Fed

O Federal Reserve divulgou nesta quarta (27) relatório em que aponta a queda acentuada da atividade econômica em todos os distritos do país em razão da paralisação causada pela pandemia do coronavírus.

A conclusão consta no Livro Bege, documento elaborado pelo Fed que serve como referência para as decisões que a instituição tomará sobre a economia dos Estados Unidos.

No relatório anunciado hoje o Fed reforça o que já vinha informando sobre o impacto da crise do coronavírus na economia americana.

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Queda da atividade industrial

Os dados foram compilados até 18 de maio, quando boa parte dos estados ainda mantinham isolamento social, bixa circulação de pessoas nas ruas com medidas de restrição e funcionamento apenas de serviços essenciais.

A Livro Bege informa que houve recuo evidenciado da economia em todos os distritos do país, com queda da atividade industrial.

O Fed destaca também aumento da demanda por empréstimos a pequenas empresas, que ajudaram a reduzir demissões, e diminuição da venda de imóveis, com oferta mais baixa.

Fechamento do comércio

A taxa de desemprego no país subiu para 14,7%, com 38 milhões de pedidos de seguro-desemprego em março e abril, lembra o Fed.

A instituição ressalta também que o fechamento do comércio fez cair gastos de consumidores em todos os distritos.

Cita setores de lazer, turismo e de viagens como os mais afetados severamente pela crise. Menciona também a queda drástica na produção de automóveis e a diminuição do consumo de energia.

Lembra que houve alta nos preços da carne e frutas. Lembra a queda no preço de commodities como petróleo e aço.

Assinala que o governo agiu de maneira agressiva para conter os efeitos negativos da pandemia na economia americana. Baixou as taxas de juros perto do zero e injetou trilhões de dólares, além intensificar empréstimos de emergência.

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Bolsas em alta, apesar do relatório do Fed

As bolsas em Nova York fecharam em alta nesta quarta-feira, apesar do tom negativo do Livro Bege do Federal Reserve.

Prevaleceu o otimismo com a reabertura de parte da economia dos Estados Unidos e a esperança de que seja logo produzida uma vacina contra o coronavírus, informa o serviço Bom dia Mercado, do Telegram.

O presidente Donald Trump acredita que a vacina esteja à disposição da população até o fim de 2020.

“O setor financeiro foi o grande destaque de alta, como JP Morgan (+5,78%), Goldman Sachs (+6,90%) e Citigroup (+8,49%)”, diz o BDM.

O Dow Jones fechou em alta de 2,21%, aos 25.548,27 pontos; o S&P 500 subiu 1,48% (3.036,13); e o Nasdaq ganhou 0,77% (9.412,36).

Juros próximos do zero

A crise foi o tema da ata do reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), realizada de 28 a 29 de abril de 2020, que manteve as taxas de juros próximas do zero.

Na última quarta-feira (20), os dirigentes do Fed disseram que o banco teme por uma nova onda de coronavírus no médio prazo, com forte impacto na economia.

As restrições impostas na atividade econômica e na circulação de pessoas para frear o avanço da doença já provocam retração no PIB, queda nos investimentos, paralisação de setores como o das empresas aéreas e de turismo, queda na indústria e desemprego, com risco de recessão.

Incertezas e riscos

O cenário pessimista, provocado por uma volta dos índices altos da doença, inclui, afirma o banco,”uma série de incertezas e de riscos”.

A Covid-19 deixou no país, até esta quarta (27), quase 101 mil mortos e infectou mais de 1,7 milhão de pessoas.

“O surto da doença e as medidas tomadas para proteger a saúde pública estavam prejudicando gravemente a atividade econômica nos Estados Unidos e no exterior. Uma nova onda do vírus deve intensificar a crise a médio prazo”, afirmam os dirigentes do Comitê.

O comitê entende que há possibilidade de uma nova onda da doença voltar a fechar a economia no segundo semestre.

Por esse motivo, a instituição pede ao governo dos EUA “uma defesa mais robusta de apoio fiscal em decorrência da fragilidade econômica causada pela forte queda das atividades durante a pandemia”.

Queda expressiva do PIB

Segundo o Fed, espera-se para este ano “uma queda expressiva do PIB real, pressão por alta da inflação e aumento da taxa de desemprego”.

Esse quadro deve impactar a economia americana também em 2021.

“Indicadores econômicos já apontavam para uma extraordinária contração do PIB no segundo trimestre”, diz a ata do FOMC.

O Fed mencionou que a crise deverá impactar o setor bancário e causar falências de empresas e alta nos índices de desemprego.

“A economia americana pode sofrer ainda mais restrições no segundo semestre”, prevê o Comitê.

Compra de ativos

O Fed sugere a compra de ativos para garantir crédito a empresas e famílias afetadas pela crise.  O Fed assegura estar comprometido a “utilizar todas as ferramentas para apoiar a economia do país.”

Segundo o Comitê, os gastos dos consumidores não voltarão à normalidade após reabertura da economia, que vem ocorrendo em parte do país.

A ata do Fed lembra que atividades das empresas e investimentos caíram “drasticamente com a pandemia”. Os dirigentes afirmam temer que as demissões temporárias se tornem permanentes.

Os dirigentes assinalaram que os preços baixos da energia podem provocar onda de falências no setor, caso os valores se mantenham nesse patamar.

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Apoio a economia

A pandemia do coronavírus, que fez o governo americano injetar trilhões na economia, foi o motivo principal que norteou a determinação do Fed  de manter as taxas de juros entre 0% e 0,25% no final de abril.

O comitê alegou que “estava empenhado em usar toda a sua gama de ferramentas para apoiar a economia dos EUA neste momento desafiador, promovendo assim suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços”

“A pandemia do coronavírus causou imensas dificuldades humanas e econômicas”, observava o FOMC.

O comunicado prosseguia: “O vírus e as medidas tomadas para proteger a saúde pública estão induzindo acentuados declínios na atividade econômica e um aumento nas perdas de empregos.”

Taxas negativas

O Federal Reserve dos Estados Unidos pode considerar cortar as taxas de juros para negativo, caso outra aconteça uma segunda onda do novo coronavírus no país. Entretanto, essa política monetária não seria “muito útil”, disse na quinta-feira (14) à CNBC um estrategista do Goldman Sachs.

Taxas de juros negativas

Dias antes da divulgação da ata do Fed, o presidente da instituição, Jerome Powell, reiterouque o banco central não está considerando taxas de juros negativas neste momento, mesmo quando outros bancos centrais – como o Banco da Inglaterra – pareciam estar abertos à idéia, diz a CNBC.

Quando perguntado sobre o que poderia mudar a mente do Fed sobre taxas de juros negativas, Zach Pandl, co-chefe de estratégia global de câmbio, taxas e mercados emergentes da Goldman Sachs, levantou a possibilidade de uma segunda onda de casos de coronavírus que poderiam prejudicar a recuperação econômica futura.

“Se a economia tiver outro grande contratempo, como uma segunda onda de infecções, isso realmente levaria a recuperação para fora do curso, e abriria a possibilidade de uma série de ações adicionais”, disse ele à CNBC.

Política fiscal

No entanto, Pandl diz que, mesmo nesse cenário, uma política fiscal seria o primeiro passo a ser dado: “não acho que reduzir as taxas para um território negativo possa ser muito útil, mesmo nesse ambiente”.

“Mas, quem sabe, os formuladores de políticas vão querer tentar coisas novas se a economia estiver realmente lutando por um período de tempo”, acrescentou. “Portanto, nesse cenário, talvez eles possam considerar os juros negativos, caso contrário, acho que é uma probabilidade muito baixa neste momento”.

Pandl, entretanto, não chegou a explicar o motivo de achar que as taxas de juros negativas “não seriam úteis”. O certo é analistas duvidam da eficácia de tal política, citando a experiência de alguns países europeus e do Japão que lutam para reenergizar suas economias, mesmo depois de adotar taxas negativas há anos.

 

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