Fed aponta melhora da economia, mas abaixo do patamar pré-pandemia

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

O Federal Reserve divulgou nesta quarta (15) uma análise a respeito da economia do país. O documento faz parte do Livro Bege, relatório elaborado pelos dirigentes da instituição.

O texto analisa indicadores que vão da atividade industrial às taxas de desemprego.

O relatório desta quarta concluiu que houve melhora e até aceleração do cenário econômico no país — mas num patamar abaixo do quadro anterior à pandemia do coronavírus.

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A pesquisa do Fed inclui dados coletados entre “o final de maio e 6 de julho.”

Cenário ainda desfavorável

De acordo com o Fed, a reabertura da economia, com a flexibilização das medidas de restrição para conter o avanço da Covid-19, aumentou as taxas de emprego em quase todos os distritos pesquisados.

Contudo, lembra o documento, essas taxas permaneceu bem abaixo do que estavam antes da pandemia.

O cenário ainda pesa, alertam os dirigentes — sobretudo porque estados registram alta de infecções do vírus, após reabrirem suas economias.

“As perspectivas se mantêm no terreno da incerteza: as empresas não sabem por quanto tempo a pandemia vai continuar, e é difícil estimar a amplitude das consequências econômicas”, alerta o Fed.

O Livro Bege ressalta que as vendas no varejo cresceram em quase todos os distritos, lideradas por vendas de automóveis.

Alta dos preços

Aponta ainda aumento da atividade manufatureira, Menciona alta dos preços de alimentos e bebidas, especialmente a carne.

Segundo o Fed, os preços em geral não subiram — apenas os de equipamentos de saúde apresentaram alta.

O documento enumera avanço com gastos com lazer, em um nível muito abaixo da pré-pandemia.

“A demanda por serviços profissionais e comerciais aumentou na maioria dos distritos, mas ainda era fraca”, sublinha o Livro Bege.

Reação do mercado

A divulgação do Livro Bege não refletiu no fechamento do mercado financeiro – que hoje manteve otimismo em virtude do anúncio de que a vacina da Moderna contra o coronavírus produziu anticorpos em todos os pacientes e segue para a última etapa de testes.

As ações da Moderna subiram mais de 16% após a divulgação. Avançam também as ações diretamente ligadas a uma reabertura mais segura, como companhias aéreas e empresas de turismo.

O Dow Jones fechou em alta de 0,85% (26.870,10 pontos). O S&P 500 avançou 0,91% (3.226,56 pontos) e o Nasdaq teve alta de 0,59% (10.550,49 pontos).

Indicadores

Dois indicadores de atividade industrial dos Estados Unidos vieram positivos nesta quarta-feira (15).

A produção industrial, medida pelo Federal Reserve (Fed), ficou em 5,4% em junho, quando o mercado projetava 4,3%.

E o Índice Empire State de Atividade Industrial, divulgado pelo Fed de Nova York, ficou em 17,20 pontos em julho, acima dos 10 de junho, acima do esperado de 10 e bem acima dos -0,20 de maio.

Em abril, pior mês da crise do coronavírus nos EUA, o indicador teve sua pior leitura histórica, quando registrou -78,20 pontos.

Produção Industrial

A produção industrial aumentou 5,4% em junho, depois de alta de 1,4% em maio. Ainda assim, ela permanece 10,9% abaixo do nível pré-pandêmico de fevereiro.

Na análise anual, houve queda de 10,82%, ante queda de 15,36% em maio.

No segundo trimestre como um todo, o índice caiu 42,6% a uma taxa anualizada, que é a maior queda trimestral já registrada desde a Segunda Guerra.

O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 68,6%, acima da projeção de 67,7% e também mair do que os 65,1% registrados em maio.

Reprodução/Fed

Índice Empire State

O Índice Empire State de Atividade Industrial, do Fed de Nova York, mede a saúde econômica das indústrias de Nova York por meio de um levantamento com cerca de 200 empresas. Os valores acima de 0 indicam melhoria nas condições da produção industrial, enquanto valores abaixo de 0 indicam piora.

O índice geral de condições comerciais subiu para 17,2 em julho, sua primeira leitura positiva desde fevereiro.

De acordo com o relatório do banco, novos pedidos e envios registraram aumentos. Os prazos de entrega foram um pouco mais longos e os estoques caíram. Os níveis de emprego e a semana média de trabalho foram pouco alterados na comparação com maio.

Os aumentos dos preços dos insumos também não foram muito diferentes, enquanto os preços de venda caíram.

As empresas permaneceram otimistas quanto às perspectivas de seis meses, embora um pouco menos do que em junho.

Reprodução/Fed Nova York

Queda acentuada

O relatório do Fed desta quarta embute, em certa medida, um otimismo maior que o do texto divulgado em 27 de maio.

Naquela ocasião, o relatório do Fed apontava a queda acentuada da atividade econômica em todos os distritos do país em razão da paralisação causada pela pandemia do coronavírus.

A conclusão consta no Livro Bege, documento elaborado pelo Fed que serve como referência para as decisões que a instituição tomará sobre a economia dos Estados Unidos.

No relatório anunciado o Fed reforça o que já vinha informando sobre o impacto da crise do coronavírus na economia americana.

Recuo

Os dados do relatório do dia 27 de maio foram compilados até 18 daquele mês, quando boa parte dos estados ainda mantinha isolamento social, baixa circulação de pessoas nas ruas com medidas de restrição e funcionamento apenas de serviços essenciais.

A Livro Bege informa que houve recuo evidenciado da economia em todos os distritos do país, com queda da atividade industrial.

O Fed destacou também aumento da demanda por empréstimos a pequenas empresas, que ajudaram a reduzir demissões, e diminuição da venda de imóveis, com oferta mais baixa.

Assinalou que o governo agiu de maneira agressiva para conter os efeitos negativos da pandemia na economia americana.

Baixou as taxas de juros perto do zero e injetou trilhões de dólares, além intensificar empréstimos de emergência.

O Fed divulgou, em 1º de julho, a ata da última reunião do Fomc (sigla em inglês para Comitê Federal de Mercado Aberto), realizada no último dia 10.

Na ocasião, o Fed manteve as taxas de juros perto do zero. O Fomc informou que projeta juros perto de 0,10% pelo menos até o fim de 2022.

O documento destaca mais uma vez o impacto da crise causada pela pandemia do novo coronavírus na economia dos EUA.

Diz o documento: “Os membros pretendem manter essa meta de intervalo de juros até que estejam seguros de que a economia esteja a caminho de cumprir as metas e mantenha estabilidade de preços”.

Mais estímulo para a economia

As autoridades do Fed reforçaram que pretendem fornecer todas as ferramentas para ajudar a economia a se recuperar da recessão provocada pelo surto do novo coronavírus.

Os dirigentes do banco central disseram que a pandemia teve como consequências “enormes dificuldades ao redor do mundo e declínio agudo da atividade econômica.”

O comitê espera pela maior contração da economia desde a Segunda Guerra e por isso concordam que a economia precisará de estímulo “por algum tempo ainda”.

Os dirigentes comentam sobre o temor de uma segunda onda do coronavírus, e se mostram preocupados com a reabertura antecipada da atividade econômica.

Essa retomada antes de a curva da pandemia diminuir pode elevar infecções, ressalta o documento.

Concordam que saúde pública será vital para a retomada intensa da economia.

Lembraram que distanciamento social e outras restrições resultarão no fechamento de alguns negócios – e apoiam a estratégia para conter a disseminação do vírus.

Retomada

O comitê aponta no documento que a  melhora no mercado de trabalho depende de medidas de saúde para retomada da economia

O FOMC reitera que será apropriado ampliar e garantir crédito a empresas e famílias.

Segundo os dirigentes da autoridade monetária, as condições financeiras do país vem melhorando em parte por medidas de apoio do governo.

“A resposta fiscal tem sido grande e adequada para apoiar a atividade econômica”, assinala o comitê.

Última reunião

O Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, anunciou, em 10 de junho, que manteve as taxas de juros entre 0,10% e 0,25%.

A decisão do FOMC foi tomada de maneira unânime.

O comitê informou que projeta juros perto de 0,10% pelo menos até o fim de 2022.

A pandemia do coronavírus, que fez o governo americano injetar trilhões na economia, é o motivo principal que norteou a determinação do Fed.

A crise, lembrou o comitê, paralisou setores da indústria e comércio e seus efeitos recaíram “fortemente” sobre o “crescimento, a inflação e o emprego no curto prazo”.

Projeções

Em virtude do impacto na pandemia, o comitê estima, para este ano, recuo de 6,5% no PIB.

Mas a autoridade monetária prevê crescimento do PIB de 5% em 2021 e de 3,5% em 2022.

A instituição declarou que vai manter ritmo de compras de títulos do Tesouro a US$ 80 bilhões por mês — esse valor, segundo o comitê, poderá ter elevação de acordo com critério da instituição.

O Fed afirma que espera inflação de 0,80% este ano. Para 2021, a projeção é de 1,6%; e de 1,7% em 2022 – o que mantém a meta abaixo de de 2%.

O comitê diz que prevê, para 2020, taxa de desemprego de 9,3% este ano. Em 2021, esse índice deve ser de 6,5%. Em  2022, o Fed projeta taxa de  5,5%.

 

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