Bolsa fecha novembro com mais 15,90%, maior alta mensal desde março de 2016

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores fechou o mês de novembro com uma alta acumulada de 15,90%, o maior crescimento mensal do ano e o maior ganho mensal desde março de 2016 (quando subiu 16,97%).

Nesta segunda-feira (30), a bolsa recuou 1,52%, a 108.893,32 pontos, com os investidores realizando os lucros de um mês da ganhos fortes aqui e em Wall Street, graças ao avanço das vacinas contra a Covid-19, que devem conseguir aprovações dos governos ainda em dezembro, e à definição das eleições nos Estados Unidos e nos municípios brasileiros.

Novembro foi um mês para se comemorar, com o índice quase todos os dias acima dos 100 mil pontos. Entretanto, no ano, as perdas acumuladas estão em 5,84%. Confira o fechamento de cada mês em 2020, até aqui:

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  • janeiro: -1,63%
  • fevereiro: -8,43%
  • março: -29,90%
  • abril: +10,25%
  • maio: +8,57%
  • junho: +8,76%
  • julho: +8,27%
  • agosto: -3,44%
  • setembro: -4,80%
  • outubro: -0,69%
  • novembro: +16,22%

Na mínima desta segunda, o Ibovespa ficou em 108.921,64 pontos (-1,50%); e na máxima foi a 110.993,68 pontos (+0,38%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 49,086 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (30): -1,52% (108.893,32 pontos)
  • semana: -1,52% (108.893,32 pontos)

Dólar

O dólar fechou a segunda-feira com ligeira alta. A moeda norte-americana subiu 0,39%, e terminou novembro com baixa de 6,83%.

  • segunda-feira (30): +0,39% a R$ 5,3462
  • semana : +0,39% a R$ 5,3462

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações caíram acentuadamente hoje, com os investidores finalmente realizando alguns dos ganhos históricos registrados em novembro.

Contribuiu também para a queda a notícia dada pela Reuters que o governo de Donald Trump, já em sua reta final, entrou em mais uma tensão com os chineses.

Trump está avaliando colocar na lista negra de supostas empresas militares da China a fabricante de chips SMIC, bem como a produtora nacional de petróleo e gás China National Offshore Oil Corporation (CNOOC). Com elas, seria 35 empresas chinesas na tal lista. A medida limitaria o acesso aos investidores americanos e aumentaria as tensões com a China antes que o presidente eleito Joe Biden assumisse, em 20 de janeiro. Trump deixaria mais um abacaxi para Biden descascar.

Em uma análise feita para a CNBC, John Stoltzfus, estrategista-chefe de investimentos da Oppenheimer Asset Management, disse que a “duração e a força da alta atual nos sugerem que o mercado pode estar vulnerável a alguma retração”.

“Dito isso”, ele seguiu, “o mercado em alta que emergiu das baixas em 23 de março deste ano mostrou semelhanças com seu antecessor… em ter uma predileção para subir com o auxílio e estímulo da política monetária e tendências seculares profundamente embutidas na tecnologia e globalização”.

As preocupações com a Covid-19 seguem firmes nos Estados Unidos, especialmente após o feriado do Dia de Ação de Graças, um dos mais tradicionais no país, momento em que pessoas cruzam o país para estarem com suas famílias, em semelhança com o que é visto aqui no Natal. O governo está preocupado com a explosão de novos casos, especialmente o governo eleito, que vai herdar um gerenciamento de crise caótico.

Já são mais de 100 mil novos casos todos os dias, desde 4 de novembro, dia seguinte das eleições, com um pico assustador em 20 de novembro, com mais de 204 mil casos em um único dia.

Na Europa, o esgotamento das pessoas com as políticas de isolamento está levando os governos a relaxarem as medidas anunciadas há poucas semanas.

Além disso, as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia estão caminhando para uma semana “muito significativa”, disse o ministro das Relações Exteriores britânico, Dominic Raab, no domingo, com o tempo se esgotando para os dois lados resolverem desacordos persistentes sobre sua relação comercial pós-Brexit, segundo a CNBC.

Diantes de tudo isso, a Moderna disse hoje que solicitará autorização de emergência da Food and Drug Administration, órgão nos Estados Unidos que é similar à Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil, para que sua vacina contra a Covid-19 possa já ser usada, depois que novos dados confirmaram que a vacina tem mais de 94% de eficiência na prevenção da doença.

Os russos, por sua vez, liberaram o primeiro lote de vacinas da Sputnik V contra a Covid-19 para aplicação da população em um hospital de Moscou. O governo garante que com duas doses, a vacina tem 95% de eficácia.

No sábado, o Reino Unido fez anúncio semelhante. De acordo com o Financial Times, a vacina desenvolvida pela BioNTech em parceria com a Pfizer deve receber autorização da agência regulatória do país e as primeiras doses ser aplicadas 7 de dezembro.

Impulsionados por tais notícias, os índices europeus fecharam o mês com ganhos expressivos.

Índices EUA

  • S&P 500: -0,46% (segunda-feira) | +10,76% (novembro)
  • Nasdaq: -0,06% (segunda-feira) | +11,80% (novembro)
  • Dow Jones: -0,97% (segunda-feira) | +11,84% (novembro)

Índices Europa

  • Euro Stoxx 50: -1,00% (segunda-feira) | +18,06% (novembro)
  • DAX (Alemanha): -0,33% (segunda-feira) | +15,01% (novembro)
  • FTSE 100 (Inglaterra): -1,59% (segunda-feira) | +12,35% (novembro)
  • CAC 40 (França): -1,42% (segunda-feira) | +20,12% (novembro)
  • IBEX 35 (Espanha): -1,39% (segunda-feira) | +25,18% (novembro)
  • FTSE MIB (Itália): -1,30% (segunda-feira) | +22,95% (novembro)

Índices Ásia

  • Shanghai (China): -0,49% (segunda-feira) | +5,19% (novembro)
  • SZSE Component (China): -0,15% (segunda-feira) | +3,28% (novembro)
  • China A50 (China): -0,93% (segunda-feira) | +6,15% (novembro)
  • DJ Shanghai (China): -0,56% (segunda-feira) | +5,80% (novembro)
  • Hang Seng (Hong Kong): -2,60% (segunda-feira) | +9,27% (novembro)
  • Nikkei 225 (Japão): -0,79% (segunda-feira) | +15,04% (novembro)
  • KOSPI (Coreia do Sul): -1,60% (segunda-feira) | +14,30% (novembro)

Brasil: ambiente político e econômico

O Boletim Focus do Banco Central desta semana mostra que o mercado financeiro segue revendo para cima as estimativas de inflação para 2020 e 2021. Para o PIB, o relatório divulgado nessa segunda-feira (30) alterou levemente a projeção de queda.

A previsão do mercado financeiro para o IPCA passou de 3,45% na semana passada para 3,54% essa semana, na 16ª alta seguida. Há quatro semanas estava em 3,02%.

Para 2021, a estimativa para a inflação subiu de 3,40% para 3,47%.

E a previsão para 2020 é de uma queda de 4,50% do PIB. Na semana passada, o recuo esperado para a economia brasileira esse ano era de 4,55%. Há quatro semanas, previa-se uma queda de 4,81%.

Para o ano que vem, a estimativa de crescimento passou de 3,40% para 3,45%.

Na próxima quinta-feira (3), o IBGE divulga o PIB do terceiro trimestre. Segundo a maioria dos analistas do mercado, a alta deve ser em torno de 9% na comparação com segundo trimestre.

Depois de oito meses seguidos de resultado negativo, as contas públicas fecharam outubro com saldo positivo.

O setor público consolidado, formado por União, Estados e municípios, apresentou superávit primário de R$ 2,953 bilhões em outubro, segundo o relatório de estatísticas fiscais divulgado hoje pelo Banco Central (BC).

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, é a primeira vez que o mês de outubro apresenta superávit primário.

“Há uma mudança muito grande neste cenário após, de março ou abril para cá, observarmos déficits primários muito significativos. Este superávit de [quase] R$ 3 bilhões do setor público consolidado vem depois de déficits acima de R$ 100 bilhões mensais em abril, maio e junho”, disse em coletiva sobre o resultado das contas públicas.

Segundo o documento, houve, no Governo Central, déficit de R$ 3,210 bilhões.

Já os governos regionais (estados e municípios) e as empresas estatais apresentaram superávit de R$ 5,164 bilhões e de R$ 998 milhões, respectivamente.

Há ainda comemoração no comércio.

As vendas do e-commerce totalizaram R$ 4,02 bilhões na Black Friday, considerando quinta e sexta-feira, uma elevação de 25,1% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com levantamento feito pela Ebit/Nielsen.

Em relação dos número pedidos, foram gerados mais de seis milhões de pedidos gerados, alta de 15,5%.

Entre os dias 19 a 27 de novembro, o faturamento somou R$ 6 bilhões, crescimento de 30,1% em relação ao mesmo período de 2019.

Na questão da pandemia, o país fechou no sábado (28) a terceira semana de aumento no número de novos casos de Covid-19 e um aumento também no número de óbitos.

Bolsa: ações

Das 77 ações negociadas na bolsa, 38 subiram, e as outras 39 caíram em relação ao dia anterior.

Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) subiram nesta segunda, respectivamente, 2,44% e 3,06%, graças às muitas boas notícias sobre as vacinas – especialmente do início das vacinações em massa no Reino Unido e na Rússia, e do pedido das Moderna para que sua vacina seja logo aprovada pelo governo dos Estados Unidos.

Contribuiu também a recomendação de compra dos dois papéis feito pelo BTG.

A Notre Dame Intermedica (GNDI3) anunciou uma oferta secundária de 40 milhões de ações ordinárias. A oferta será realizada com esforços restritos, ou seja, não aberta ao público em geral. A precificação acontece amanhã, dia primeiro de dezembro.

O montante total da oferta incial seria de R$ 2,78 bilhões. Considerando a colocação da totalidade das ações adicionais, seria de R$ 3,753 bilhões. O vendedor é o fundo de investimento Alkes II.

A Notre Dame não receberá quaisquer recursos em decorrência da realização da oferta, tendo em vista que a oferta compreende exclusivamente uma distribuição secundária de ações. Hoje, GNDI3 caiu 1,44%.

A Petrobras (PETR3 PETR4) detalhou hoje o plano estratégico para o período entre 2021 e 2025, durante o Petrobras Day. A companhia planeja distribuir neste intervalo de tempo entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões em dividendos.

Os dados mostram que esse valor é similar ao que é esperado arrecadar com a venda de ativos. Nos anos mencionados, a Petrobras quer levantar entre US$ 25 bilhões e US$ 35 bilhões. Além disso, o montante também é maior do que a meta de desinvestimentos do plano anterior, que era entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.

Os papéis, no entanto, foram afetados pelo adiamento da reunião dos países pertencentes à OPEP+ – agora, a reunião acontece dia 3 de dezembro próximo. PETR3 caiu 1,35% e PETR4 desceu 2,35%.

A Magazine Luiza (MGLU3) informou que em novembro atingiu um crescimento de vendas no e-commerce acima de 100%. Enquanto a Via Varejo (VVAR3) registrou aumento de 99% nas vendas online, com participação de 62,4% em suas vendas totais.

Nem mesmo essa boa notícia foi suficiente para fazer os papéis das duas varejistas subirem hoje: MGLU3 caiu 3,35% e VVAR3 pedeu 4,00%.

No final das contas, em novembro, apenas seis papéis tiveram desvalorização. Um ficou estável, a Eletrobras (ELET3), a R$ 31,06. Todos os outros subiram.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 78,00 (-0,56%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 24,90 (-2,35%)
  • Bradespar (BRAP4): R$ 58,10 (-2,83%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 28,56 (-1,38%)
  • Totvs (TOTS3): R$ 26,75 (-3,32%)

Maiores altas

  • Carrefour (CRFB3): R$ 20,11 (+3,61%)
  • Yduqs (YDUQ3): R$ 33,02 (+3,19%)
  • Azul (AZUL4): R$ 38,02 (+3,06%)
  • CPFL (CPFE3): R$ 31,35 (+2,45%)
  • Gol (GOLL4): R$ 23,52 (+2,44%)

Maiores baixas

  • B2W (BTOW3): R$ 70,40 (-8,11%)
  • Cosan (CSAN3): R$ 77,54 (-5,67%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 3,55 (-5,59%
  • Weg (WEGE3): R$ 73,57 (-4,45%)
  • TIM (TIMS3): R$ 13,49 (-4,33%)

Maiores altas de novembro

  • Azul (AZUL4): R$ 38,02 (+68,60%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 50,17 (+60,19%)
  • Gol (GOLL4): R$ 23,52 (+49,90%)
  • CVC (CVCB3): R$ 18,23 (+48,45%)
  • Yduqs (YDUQ3): R$ 33,02 (+44,07%)

Maiores baixas de novembro

  • B2W (BTOW3): R$ 70,40 (-6,43%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 23,38 (-5,08%)
  • Weg (WEGE3): R$ 73,57 (-2,98%)
  • Fleury (FLRY): R$ 26,56 (-2,89%)
  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 22,93 (-1,29%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -1,52% (segunda-feira) | +15,46% (novembro) (46.155,12 pontos)
  • IBrX 50: -1,53% (segunda-feira) | +16,21% (novembro) (17.881,90 pontos)
  • IBrA: -1,51% (segunda-feira) | +15,46% (novembro) (4.310,75 pontos)
  • SMLL: -1,47% (segunda-feira) | +16,64% (novembro) (2.625,04 pontos)
  • IFIX: -0,11% (segunda-feira) | +1,51% (novembro) (2.808,56 pontos)
  • BDRX: -0,24% (segunda-feira) | +2,55% (novembro) (11.402,18 pontos)

Commodities

O petróleo fechou segunda-feira com queda nas duas referências. O Brent desceu 1,24%, enquanto o WTI caiu 0,97%. A reunião da OPEP+, que aconteceria hoje foi adiada para 3 de novembro, abrindo um suspense sobre quais são as novas negociações que os países produtores alegam precisar ter.

No mês, o WTI ganhou 25,17%. Já o Brent ganhou 26,34%.

  • Brent (para fevereiro): US$ 47,65 (-1,24%)
  • WTI (para janeiro): US$ 45,09 (-0,97%)

O ouro caiu 0,27% nesta segunda.

  • Ouro (dezembro): US$ 1.783,35 (-0,27%)

Com Wisir Research

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