Ipea: investimentos em empresas e indústrias recuaram 8,9% em março

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Steve Buissinne / Pixabay

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), divulgado nesta quinta-feira (7), mostrou que em março houve um recuo de 8,9% nos investimentos de empresas e indústrias, na comparação com fevereiro de 2020, na série com ajuste sazonal.

Esse número é um reflexo da crise do novo coronavírus, já que as quarentenas estaduais, quando instituídas pelos governos locais, começaram na última semana do mês.

Por isso, o trimestre encerrado em março ainda apresenta uma alta de 1,7%, em comparação ao último trimestre de 2019, na série dessazonalizada.

Os números mostram que de janeiro de 2020 para dezembro de 2019, houve uma alta de 8%; e de fevereiro para janeiro, crescimento de 0,3% no investimento, o que ajudou o trimestre.

Comparativos

Na comparação de março de 2020 para março de 2019, a queda foi bem menor, de apenas 0,9%. E na comparação entre os primeiros trimestres de 2019 e 2020, houve uma alta ainda maior, de 4%, graças ao bom desempenho de janeiro, com 7,8% em comparação a janeiro do ano passado, e de fevereiro, com alta de 5,2%.

O acumulado do ano ainda é positivo, com o FBCF fechado em março: crescimento de 4%. O mesmo ocorre com o acumulado dos últimos doze meses, dando uma alta de 3%.

FBCF por setor

O indicador do Ipea separa a análise por três setores de atividade.

Em máquinas e equipamentos, a queda em março, em comparação a fevereiro, foi significativa, de 15,1%. Mesmo assim, no trimestre, frente ao último trimestre de 2019, houve crescimento do investimento em 6,6%, graças ao ótimo desempenho em janeiro, com alta de 17,2%.

Mesmo com o forte recuo em março, o setor ainda acumula alta de 7,4% no acumulado do ano e de 2,2% no acumulado dos últimos doze meses.

Na construção civil, tida em muitos estados como “atividade essencial”, de modo que não precisou parar suas atividades, a queda do investimento em março foi de 6,7%. No trimestre, o recuo foi de 1%.

A atividade, porém, segue com alta de 1,6% no acumulado do ano e de 2,7% nos últimos doze meses. Na comparação com março de 2019, a queda foi de 2%.

Já outras atividades tiveram recuo em março de 7,9% e no trimestre, de 2,6%; mas mantêm alta de 2,4% no acumulado do ano e de 6% no acumulado dos últimos doze meses. Na comparação com março de 2019, há recuo de 2%.

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