Exportações: Estudo do BID vê queda por Covid e recuperação incerta

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apontou que a Covid-19 pode causar estragos permanentes nas exportações da América Latina e do Caribe.

Segundo números de um estudo realizado pela instituição e divulgados nesta quarta-feira, a queda nas exportações da região é tão grande que torna a recuperação do setor incerta.

O BID revelou que, no primeiro semestre de 2020, o valor dos produtos sofreu variação de -16%, enquanto a de serviços foi de -29,5%.

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Os fluxos entre as regiões também retrocederam em todos os blocos, ficando negativos em 30,3%, na Comunidade Andina; 24,6%, no Mercosul; 24,0%, na Aliança do Pacífico; e 8,8%, na América Central e República Dominicana.

Pablo Giordano, principal economista do Setor de Integração e Comércio do BID e coordenador do estudo, comentou os números divulgados em entrevista para a agência AFP, e destacou os desafios e as oportunidades para a América Latina e o Caribe diante deste cenário.

BID e a relação América Latina x China

Segundo Giordano, o fato de a China ter sentido menos o baque da pandemia não implicará em um aumento do vínculo comercial do país com os asiáticos em detrimento do restante do mundo.]

“No curto prazo, o maior crescimento da China, a única grande economia mundial que evitará uma recessão este ano, favorecerá indubitavelmente a recuperação dos países sul-americanos que exportam para este destino uma cota maior de suas exportações. Porém, à medida que a pandemia estimule uma reorganização regional das cadeias de valor, um fenômeno conhecido como “nearshoring”, no futuro se observará um maior dinamismo dos fluxos comerciais para os Estados Unidos e entre os países da América Latina e Caribe” pontuou.

Mudanças profundas?

Em outra parte da entrevista, o executivo do BID falou sobre a possibilidade de haver mudanças estruturais profundas, similares às vistas no grande colapso comercial mundial, ocorrido entre 2008 e 2009.

“As mudanças estruturais para as quais precisamos ficar atentos estão relacionadas com a organização tanto da produção como do comércio. As estratégias empresariais orientadas a potencializar a robustez e a resiliência das cadeias de valor poderiam trazer novos investimentos para América Latina e Caribe, fomentar novos fluxos comerciais para os Estados Unidos e impulsionar o comércio entre fornecedores e compradores de insumos intermediários na região”, pontuou.

“Também não há dúvida de que o acesso aos canais de comércio eletrônico favorecerá os vendedores organizados para aproveitá-los. Nos serviços, setores mais dinâmicos serão aqueles “digitalizáveis”, que não precisam de contato pessoal direto, como, por exemplo, a educação virtual e a telemedicina”, complementou Giordano.

Na visão do executivo do BID, há uma divisão entre vencedores ou perdedores no cenário de retração imposto ao mundo pela inesperada pandemia do novo coronavírus. “O choque foi tão rápido, intenso e complexo que provocou vencedores e perdedores em múltiplas dimensões”,  pontuou.

“Os mais afetados foram os países especializados em serviços turísticos, os exportadores de petróleo e as economias mais expostas à recessão econômica provocada pela pandemia. Os que se beneficiaram, embora apenas relativamente, foram os exportadores de produtos médicos, de serviços digitais e, em certa medida, os exportadores de produtos agrícolas, cujos preços continuaram substancialmente estáveis”, concluiu.

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