Exportações do agronegócio batem recorde em junho: US$ 10 bilhões

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Foto: exportações agronegócio

Boletim da Balança do Agronegócio divulgado nesta sexta-feira (10) mostra que as exportações do agronegócio foram recordes para os meses de junho nesse mês de junho de 2020.

As vendas externas chegaram a US$ 10,17 bilhões.

Assim, houve crescimento de 24,5% em relação às exportações em junho de 2019 (US$ 8,17 bilhões).

De acordo com os dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SCRI-Mapa), em nenhum ano da série histórica (1997-2020) as exportações do agronegócio ultrapassaram US$ 10 bilhões para meses de junho.

Soja impulsionou exportações

A soja foi o principal setor responsável pelo crescimento das exportações. As vendas externas do setor subiram de US$ 3,53 bilhões em junho de 2019 para US$ 5,42 bilhões em junho de 2020.

Ou seja, uma alta de 53,4% ou quase US$ 1,9 bilhão de crescimento em valores absolutos.

Como comparação, as exportações do agronegócio cresceram US$ 2 bilhões comparando-se junho de 2019 e junho de 2020.

Em junho de 2020 foram exportadas 13,8 milhões de toneladas de soja em grãos, alcançando US$ 4,67 bilhões.

Retomada

A Secretaria também ressalta a retomada das exportações de açúcar, que subiram 1,5 milhão de toneladas relativo aos dois períodos.

A China foi o principal país responsável pela expansão das exportações pelo Brasil, adquirindo 70% da soja em junho.

O país asiático elevou ainda as aquisições de produtos do agronegócio brasileiro em US$ 1,3 bilhão entre junho de 2019 e junho de 2020.

Ou seja, 65% do crescimento em valores absolutos das exportações brasileiras do agronegócio observados junho/2019 e junho/2020.

Participação nas exportações

O agronegócio brasileiro aumentou sua participação nas exportações do país de 44,4% (junho-2019) para 56,8% no mês pesquisado.

Por sua vez, as importações do agronegócio diminuíram de US$ 984,55 milhões (junho 2019) para US$ 826,28 milhões em junho de 2020 (-16,1%).

Assim, o saldo da balança atingiu US$ 9,3 bilhões.

Vendas de carnes também foram recordes

As vendas externas de carnes foram de US$ 1,41 bilhão (4,5%). O volume exportado de carnes foi recorde para os meses de junho (626,5 mil toneladas).

A carne bovina representou mais da metade do valor exportado de carnes, com registros de US$ 742,56 milhões.

Tanto o valor mencionado como o volume (176,6 mil toneladas) foram recordes para os meses de junho.

A carne suína também apresentou valor e volume recorde em vendas externas para o mês de junho.

As exportações foram de US$ 196,86 milhões, com volume de 95 mil toneladas. Já as exportações de carne de frango foram de US$ 438,23 milhões (-32,1%).

Houve queda de 13,6% no volume exportado e redução de 21,4% no preço médio de exportação.

China: importações

A China se destacou mais uma vez nas aquisições de carnes brasileiras, tendo importado metade da carne bovina e suína exportada pelo Brasil.

A participação da China nas aquisições de carne de frango também foi relevante, chegando a 23,7% do total exportado.

Álcool e açúcar têm alta

O complexo sucroalcooleiro foi o setor que teve o maior aumento percentual das exportações dentre os principais setores exportadores do agronegócio brasileiro.

Registrou alta de 74,5% na comparação entre junho de 2019 e junho de 2020, passando de US$ 536,12 milhões para US$ 935,37 milhões.

As exportações de açúcar de cana representaram a maior parte do valor exportado pelo setor, com US$ 810,80 milhões (+80,4%) e quase 3 milhões de toneladas exportadas (+94,8%).

O álcool também registrou elevação nas vendas externas. Subiu de US$ 85,83 milhões (junho de 2019) para US$ 122,71 milhões exportados em junho deste ano.

Por fim, de acordo com a SCRI, o crescimento das exportações brasileiras decana de açúcar está vinculado à quebra das safras de cana de açúcar 2019/2020 na Índia e na Tailândia, que possibilitou a ampliação das exportações para diversos mercados.

A Indonésia é um mercado que não importou açúcar brasileiro em junho/2019 e adquiriu US$ 86,78 milhões no mês passado.