Exportação de produtos de alta tecnologia cresce 4% no 1º trimestre, diz CNI

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Divulgação/CNI

As exportações de produtos de alta intensidade tecnológica cresceram 4% no primeiro trimestre de 2021 na comparação com o mesmo período do ano passado. O valor passou de US$ 1,29 bilhão para US$ 1,35 bilhão. Os dados são de análise inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que passará a divulgar essa avaliação trimestralmente, dentro do Panorama do Comércio Exterior.

Apesar do crescimento, esse foi o segundo pior 1º trimestre desde o início da divulgação dos dados por intensidade tecnológica, em 2010. O pior foi exatamente o 1º trimestre de 2020.

No mesmo período, as importações de bens de alta tecnologia cresceram 18%. O valor passou de US$ 6,8 bilhões para US$ 8,1 bilhões.

As compras de produtos chineses subiram 46%, de US$ 2,06 bilhões para US$ 3,0 bilhões. Foi a maior alta entre os países dos quais o Brasil compra esses bens. Isso reforça a posição da China como principal fornecedor de bens de tecnologia para o Brasil, com participação de 38% do total.

CNI: processo estrutural de desindustrialização no país

O superintendente de Desenvolvimento Industrial da CNI, João Emilio Gonçalves, afirma que o crescimento nas vendas desses produtos é tímido. Ela pode refletir o cenário com a pandemia de Covid-19, com uma alta na procura mundial por medicamentos e produtos químicos.

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Na falta de ações eficazes o entanto, o Brasil vem enfrentando, ao longo da última década, um processo estrutural de desindustrialização que afeta bens de alta intensidade tecnológica. Esse cenário reflete também os problemas de competitividade da indústria brasileira e reforça a necessidade de se reduzir o Custo Brasil e de apoiar a modernização tecnológica e a inovação.

Gonçalves ressalta que esse segmento reflete justamente o investimento em inovação, pesquisa e desenvolvimento da indústria brasileira. Como consequência deste processo, o Brasil perde empregos de qualidade ligados a atividades de alto valor agregado, que exigem uma alta especialização dos profissionais e pagam salários mais elevados.

“Há anos o Brasil tem tido um desempenho ruim nesses produtos, o que demonstra dificuldade do país em avançar em bens que incorporam maior tecnologia e inovação”, diz o superintendente.

Além de medicamentos, o segmento de alta intensidade tecnológica inclui produtos como aviões, química fina e máquinas especiais.

Exportação de produtos tecnológicos para os EUA cai 6%

Os números mostram que houve um aumento nas vendas de bens de alta intensidade tecnológica para países da Associação Europeia de Comércio Livre (86%), para o Mercosul (27%) e para a União Europeia (13%). Para os Estados Unidos o principal mercado, no entanto, houve um recuo de 6%.

Uma provável explicação para uma queda nas vendas desses bens para os Estados Unidos está no recuo no mercado de aviação civil, com uma queda na comercialização de aeronaves. Com a redução nas restrições e o retorno no fluxo de passageiros, a expectativa é que haja recuperação também no comércio desse setor.

*Com Agência CNI