Exportação de carne suína cresce em relação a novembro do ano passado

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.
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Crédito: Marfrig

O Brasil exportou 87,5 mil toneladas de carne suína in natura e processada em novembro, de acordo com a Broadcast. 

O número é 31,7% mais que em igual mês do ano passado, quando 66,4 mil toneladas foram enviadas ao exterior. 

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A receita com as exportações teve um crescimento de 35,7% no mês, passando de US$ 149,3 milhões em novembro de 2019 para US$ 202,7 milhões neste ano. 

Os dados foram divulgados nesta manhã pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em coletiva de imprensa.

Acumulado do ano

No acumulado do ano, a ABPA informou que o País exportou 39,5% mais carne suína, atingindo um total de 940,9 mil toneladas, ante 674,2 mil toneladas de janeiro a novembro de 2019. 

Em receita cambial, o setor registrou uma alta de 47,1%, com US$ 2,079 bilhões em 2020, ante US$ 1,413 bilhão nos 11 primeiros meses do ano passado.

China continua como líder de compras

Segundo a entidade, a China continua liderando as compras do produto brasileiro, tendo registrado um aumento de 115% nas aquisições de carne suína no acumulado do ano até novembro, na comparação anual. 

Nesse sentido, apenas para a China foram embarcadas 468,572 mil toneladas no período, 50% do total direcionado ao exterior. 

Outro destaque apontado pela ABPA foi Hong Kong, que está na segunda posição dos principais compradores, tendo adquirido 8% mais nos primeiros onze meses de 2020 do que no ano passado, totalizando 155,753 mil toneladas. 

Além disso, Cingapura está em terceiro lugar, tendo importado até o momento 48,986 mil toneladas de carne suína (+54%), enquanto Vietnã segue na quarta posição, com 39,204 mil toneladas (+211%). 

O quinto principal destino foi o Chile, com uma redução de 5% no volume importado no período: 38,676 mil toneladas.

Santa Catarina é o maior exportador

O Estado brasileiro que mais exporta carne suína continua sendo Santa Catarina, tendo embarcado 480 mil toneladas entre janeiro e novembro, representando 52% das embarcações do produto. 

Em seguida, o Rio Grande do Sul representa 26% das exportações, com um total de 239 mil toneladas no mesmo período. Conforme a ABPA, o Paraná ocupa a terceira posição, responsável pelos embarques de 129 mil toneladas no acumulado do ano, 14% do total.

2020 deve encerrar com alta de 8% na produção

A projeção da ABPA é de que o ano de 2020 se encerre com produção de até 4,3 milhões de toneladas de carne suína, o que seria uma alta de 8% na comparação anual. 

Desse total, as exportações devem somar 1,03 milhão de toneladas, crescimento de 37% na mesma base comparativa. 

Já o consumo doméstico deve somar até 3,3 milhões de toneladas, 2% mais do que no ano passado, com o consumo per capita anual estável ante o ano anterior, em 15,3 kg. 

“Vamos quebrar o recorde e exportar mais de 1 milhão de toneladas de carne suína em 2020”, destacou o presidente da ABPA, Ricardo Santin, durante coletiva de imprensa.

Planos para 2021

Para 2021, as perspectivas são de produção de 4,4 milhões de toneladas (+3,5%), dos quais 1,1 milhão de toneladas seriam exportadas, alta de 10% ante a estimativa para 2020. 

Já o consumo doméstico tende a crescer até 3% no próximo ano, para até 3,32 milhões de toneladas, com o consumo per capita anual podendo crescer até 2%, para 15,6 kg.

Acordo entre a União Europeia e Mercosul

Um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul poderia ser assinado em 2021, disse a ministra da Agricultura do Brasil, Tereza Cristina, segundo a Reuters, ao citar quais são as prioridades do Brasil para ganhar mercados agropecuários no ano que vem.

“Acredito, sou uma otimista, que o Brasil tem muito a dar. Mas este acordo também é muito bom para os países europeus. Acredito que, este acordo, temos grande chance de assinar em 2021, sob o comando de Portugal no Parlamento da União Europeia”, afirmou ela, durante evento online nesta quarta-feira (9) da Associação Brasileira dos Produtores de Soja e a Corteva Agriscience.

Ela lembrou que o acordo preliminar já foi todo revisado, traduzido para as diversas línguas e deve, no próximo ano, ser debatido nos parlamentos europeus e dos países do Mercosul.

Dificuldades na Europa

O acordo comercial UE-Mercosul, contudo, afirma a Reuters, enfrenta algumas dificuldades na Europa.

A França e a Irlanda ameaçaram votar contra o acordo comercial a não ser que o Brasil adote uma postura mais favorável a questões ambientais.

A Reuters lembra que em setembro, o governo francês disse que um novo relatório sobre desmatamento confirmou sua oposição à atual versão do acordo UE-Mercosul.

A ministra Tereza afirmou ainda que em 2021 o Brasil também deverá avançar em acordo comercial com Canadá e continuará trabalhando em abertura de mercados.

Busca por mais recursos

A ministra disse ainda que as linhas de crédito de investimento dentro do Plano Safra tiveram um “esgotamento” e que está buscando mais recursos.

Questionada sobre iniciativas para aliviar preços de alimentos, como medidas tributárias, ela disse que o Brasil estuda eventualmente isenções de taxas para importações de outros produtos, além de soja, milho e arroz, mas não detalhou.

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