Ex-presidente da Bayer Brasil cria startup de cannabis

Luiza Carvalho Lemos Branco
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Crédito: Freepik

Fora do setor farmacêutico há um ano e meio, o executivo Theo Van der Loo espera voltar ao ramo como empresário na área de desenvolvimento e em pesquisas clínicas de medicamentos à base da cannabis, ou maconha medicinal. Esse tipo de medicamento já é utilizado para tratar epilepsia, autismo e esclerose múltipla.

Com o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que aprovou a regulamentação do registro e venda de medicamentos à base de maconha em farmácias e drogarias no Brasil, as regras ficaram mais claras para investidores e Van der Loo pode começar o negócio com tudo.

O executivo fundou a NatuScience e afirmou para a Istoé Dinheiro que “medicamentos à base de cannabis podem ajudar muita gente. Para pacientes com câncer, por exemplo, ajuda a estimular o apetite e aplacar a dor. Conforme houver mais pesquisa, mais pacientes serão beneficiados”.

Além da NatuScience, a Entourage, vê a decisão da Anvisa como um passo importante para a expansão do negócio no país. A empresa já importa a planta para transformar em extrato para desenvolver remédios para pacientes que necessitam da medicação.

A Entourage está intensificando negociações com laboratórios nacionais para fazer parcerias e lançar novos produtos no Brasil.

Fundada em 2015 pelo advogado especializado em mercado de capitais, Caio Abreu, a Entourage irá pedir autorização da Anvisa no primeiro trimestre de 2020 para fazer ensaios clínicos para tratar epilepsia refratária. Abreu explicou ao Istoé Dinheiro que a empresa pode iniciar outros cinco tratamentos, como ansiedade e insônia.

A empresa já investiu US$ 6 milhões no negócio, com uma importadora e um laboratório de centro de qualidade em Valinhos, interior de São Paulo. A importação da planta vem de países, como Colômbia e Uruguai. “O que nos frustra é não poder plantar para fazer pesquisas no Brasil”, disse Abreu.

Já Van der Loo espera plantar a maconha no Brasil, mesmo que tenha que entrar na justiça para tal. O empresário é sócio de uma empresa que cultiva a cannabis para fins medicinais. Segundo ele, é necessário quebrar o preconceito em torno do negócio.