Evergrande: para se proteger de crise especialistas recomendam diversificação

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A possível quebra da Evergrande que abalou os mercados mundiais na última semana ainda está longe do fim. Mas o que o investidor pode fazer para se proteger de grandes crises como esta? Apostar na boa e velha diversificação!

Essa é a dica de Denys Wiese, sócio-fundador daEQI Investimentos. “Nada substitui a diversificação. Vamos ter equity, Fundos Imobiliários, renda fixa, tem que ter de tudo um pouco”, aconselhou ele em live na noite de quarta-feira (22).

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Segundo ele, nos momentos de stress do mercado surgem grandes oportunidaedes. “E o investidor mais atento consegue fazer movimentos nesses momentos de tremor”, afirma.

Alexandre Viotto, head de câmbio daEQI Investimentos, lembrou que a Evergrande é a segunda maior empresa do ramo imobiliário da China. Mas ressaltou que ela tem apenas 4% de Market share do mercado imobiliário chinês.

“Ou seja, é um mercado muito diluído. O que ajuda bastante a diluir o risco entre os participantes do mercado”, diz Viotto.

Ele ressalta ainda que a poupança tradicional dos chineses costuma ser em ativos do mercado imobiliário. E que, por isso também, o governo está tentando esvaziar essa bolha imobiliária e contornar uma possível quebra da Evergrande.

Apesar das preocupações, Viotto não acredita que teremos uma grande crise mundial.

O tamanho do rombo da Evergrande

As dívidas da Evegrande somam US$ 300 bilhões. Em reais, este valor soma mais ou menos R$ 1,6 trilhão. E mais de um terço dessa dívida vende nos próximos 12 meses.

O educador financeiro Bruno Perini, criador do site de educação financeira Você Mais Rico e do curso Viver de Renda, faz uma comparação com empresas brasileiras. Segundo ele, esse valor seria suficiente, por exemplo, para comprar Vale, Petrobras, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Magazine Luiza, algumas das maiores empresas do Brasil.

Comparando com o índice Ibovespa, que tem cerca de 80 empresas, daria para comprar cerca de 30% das empresas. A dívida da Evergrande é maior até mesmo do que a dívida externa brasileira, diz Perini.

“O movimento de baixa dos últimos dias, tanto nacional quanto americano europeu, tudo isso foi afetado pelo possível calote da Evergrande”, afirma.

Cidades fantasma e quebradeira

Segundo Bruno, a Evergrande se endividou para poder ampliar as construções na China. Ela arrematava lotes de terra junto a prefeituras chinesas para depois construir. Nas últimas décadas a China virou um canteiro de obras. Mas acontece que o país tem hoje várias “cidades fantasmas”, com prédios altíssimos abandonados, que não foram criados para atender uma demanda de mercado pré-existente.

Muitos bancos financiaram a compra destes imóveis e houve também a securitização da dívida.

Bruno Perini lembra da quebradeira do mercado financeiro que se alastrou para o restante dos setores e do mundo em 2008 e alerta que o mesmo poderia ocorrer agora.

Mas Bruno acha que isso não vai acontecer por que o Estado chinês deve ajudar a resgatar a Evergrande. A questão é se a China deveria realmente fazer isso.

Por um lado, Perini lembra que se a China não resgatar a Evergrande, veríamos uma quebradeira em diversas empresas, na China e possivelmente em outros países. Mas de outro lado, com a ajuda do estado chinês, o governo criará na prática mais um crédito para emprestar dinheiro a uma empresa já bastante endividada. “Tornando esse incêndio que já é grande cada vez maior. Só vão postergar o problema”, diz Bruno.

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