EUA x China: a nova guerra fria, segundo autoridade japonesa

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / GettyImages

O vice-primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, afirmou que Estados Unidos e China estão caminhando para um equivalente à guerra fria, mas voltados para o comércio e soberania internacional.

De acordo com o jornal Nikkei Asian Review, o político afirmou que “os futuros historiadores dirão que a era Reiwa” – a atual era imperial do Japão, que começou em 2019 – “foi o início de uma nova guerra fria entre os Estados Unidos e a China”.

As informações são do site Valor Investe.

Soberania

A Guerra Fria começou logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e terminou com a extinção da União Soviética (1991). O período é designado dessa maneira por mostrar disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, nos campos das ideias (comunismo x capitalismo), na geopolítica, na área econômica e, principalmente, no âmbito militar.

As duas grandes potências eram as mais temidas do mundo, especialmente pelo seu poderio bélico e nuclear.

Para Aso, há semelhanças com a disputa sino-americana. Ele ressaltou os planos da China em emitir sua própria moeda digital: “o banco central da China diz que a moeda será usada apenas no mercado interno de varejo (o bancário), mas provavelmente também será usada no projeto Cinturão e Rota”, referindo-se aos projetos de construção de infraestrutura em muitos países.

Para Aso, o país deve “estar preparados para que a moeda seja usada em transações internacionais”.

Já o presidente do Banco do Japão (o equivalente ao nosso Banco Central), Haruhiko Kuroda, disse que “há alguns sinais brilhantes para a economia global, como o progresso na coordenação da tecnologia da informação”.

Entretanto, destacou que “não se pode baixar a guarda no futuro próximo, considerando questões comerciais entre os Estados Unidos e a China, incertezas nas economias emergentes e riscos geopolíticos”.

Várias frentes

China e Estados Unidos disputam de fato uma guerra fria, sem armas, em várias frentes, da esportiva à tecnológica. Ambos os países investem pesado na formação de atletas, por exemplo, para conquistar hegemonia nas Olimpíadas.

Na tecnologia, as armas são mais poderosas. O 5G à frente: “o 5G não é uma bomba atômica; é algo que beneficia a sociedade. Não deveríamos ser o alvo dos Estados Unidos só porque estamos na frente deles no 5G”. Assim Ren Zhengfei, fundador e presidente da Huawei, advertia ao mundo sobre a quinta geração da telefonia móvel, supostamente destinada a revolucionar a indústria e o cotidiano dos cidadãos do planeta, não se transformar em uma arma de destruição em massa, como, no seu entender, pretende o governo de Donald Trump ao impor restrições à companhia chinesa.

Segundo artigo do El País, “o veto do governo norte-americano, primeiro às redes, e agora aos celulares do fabricante asiático, é uma declaração de guerra que vai muito além das hostilidades tarifárias. O anúncio do Google de que deixará de dar suporte aos smartphones da Huawei foi um golpe de efeito mundial. Milhões de usuários se levantaram (…) sobressaltados ao saberem que seus celulares poderiam virar uma casca de ovo vazia, porque o Android, sistema operacional com o qual operam, já não disporiam de atualizações do sistema do Google”.

Atletas, 5G, tarifas de importação e exportação, leis trabalhistas, impostos: tudo faz parte da guerra fria que o vice-premiê do Japão enxerga.