EUA: sem contar ainda com a crise, déficit no semestre sobe para US$ 744 bi

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Pixabay

Os Estados Unidos acumularam um déficit orçamentário de US$ 744 bilhões no primeiro semestre do ano fiscal de 2020, isso sem contar ainda com os efeitos da crise implacável do novo coronavírus. Esse é um valor 8% maior do que o do primeiro semestre do ano anterior, de acordo com o que informou o Tesouro norte-americano nessa sexta-feira (10).

O ano fiscal dos EUA começa em outubro. Ou seja, o primeiro semestre se encerrou em março, quando o país começava a ser atingido pela avalanche de casos confirmados de Covid-19 e pela pilha de mortos que se acumulam diariamente.

Por conta da crise, os Estados Unidos precisaram abrir o cofre e já jogaram mais de US$ 2 trilhões na economia, tetando salvar empresas, empregos e vidas. Até agora, tem sido pouco.

As informações são da Reuters.

Rombo será maior

O Tesouro disse que o déficit orçamentário para março totalizou US$ 119 bilhões, mas os dados ainda não foram impactados pelos efeitos significativos da economia paralisada por conta do coronavírus.

As despesas de um pacote de resgate de US$ 2,2 trilhões, aprovado em 27 de março, estão apenas começando. Os pagamentos de impostos devidos em 15 de abril foram adiados até 15 de julho, o que pode aumentar ainda mais o rombo.

“Certamente veremos um impacto significativo nas receitas nos resultados de abril”, disse uma autoridade do Tesouro dos EUA numa rápida coletiva. “Nos gastos, haverá um impacto significativo também, já que alguns dos programas de estímulo começaram a ser pagos”.

Economistas acreditam que o déficit no segundo semestre provavelmente dobrará, chegando a US$ 1,5 trilhão.

“Se medidas adicionais de estímulo forem aprovadas, o déficit será maior”, escreveram eles.

Abril

“Cerca de US$ 283 bilhões em impostos de renda de pessoas físicas foram pagos em abril de 2019, segundo dados do Tesouro. O adiamento do restante provavelmente reduzirá esses recebimentos em abril de 2020”, disse o funcionário do Tesouro à Reuters.

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Há ainda o aumento do desemprego. Mais de 16 milhões de norte-americanos deram entrada no seguro-desemprego.

“O déficit de US$ 744 bilhões em seis meses ficou muito aquém do recorde de déficit orçamentário de US$ 957 bilhões no primeiro semestre de 2009, período que reflete os piores meses da crise financeira de 2008-2009 e o início de uma profunda recessão”, lembra a Reuters.

O déficit de 2009 também foi recorde, em US$ 1,41 trilhão. O ano de 2020 pode passar esse número.

EUA no pior ano fiscal

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, disse na quinta-feira que a pandemia do coronavírus já havia causado uma recessão pior do que a de 2009, que já havia batido a Grande Depressão causada com histórica quebra da bolsa de 1929.

A previsão da comissão de orçamento do Congresso, em janeiro, bem antes de se imaginar o tamanho do estrago que o Covid-19 poderia causar, previu que o déficit fiscal de 2020 chegaria a US$ 1,02 trilhão, superando o ano fiscal de 2019, que foi negativo em US$ 984 bilhões.

Mas a pandemia pode mudar muito esse quadro, podendo chegar ao final do ano fiscal em US$ 2,3 trilhões, na melhor das hipóteses.

As receitas dos primeiros seis meses de 2020 totalizaram US$ 1,6 trilhão, um recorde no primeiro semestre, que aumentou 6% em relação ao ano anterior, Mas não foi suficiente. As despesas totalizaram US$ 2,35 trilhões, também um recorde, no caso de 7% a mais com relação ao ano anterior.

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