EUA perdem 701 mil postos de trabalho em março

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Os Estados Unidos perderam 701 mil postos de trabalho em março, de acordo com os números do payroll, divulgado nesta sexta-feira (3) pelo Departamento do Trabalho norte-americano.

O resultado expõe os danos econômicos já perceptíveis no país, decorrentes da pandemia de coronavírus e das medidas de distanciamento social e dos consequentes fechamentos de fábricas e do comércio.

Este foi o primeiro declínio nas folhas de pagamento desde setembro de 2010. No pico da crise financeira do subprime, em 2009, o país perdeu 800 mil postos de trabalho.

De acordo com o relatório desta sexta-feira, a taxa de desemprego aumentou para 4,4%. Em fevereiro, o payroll dos EUA havia registrado 273 mil novos postos de trabalho.

A estimativa dos analistas era de que a queda entre os meses fosse bem menor, de 100 mil postos de trabalho.

Analistas estimam que número de desempregados é bem maior

Ainda assim, de acordo com a CNBC, o resultado não capta totalmente a realidade econômica atual dos EUA, devido à metodologia adota pelo Departamento do Trabalho. Isto porque os dados foram coletados até a semana que terminou em 12 de março. E após esta data, ocorreram ainda mais fechamentos de empresas.

De acordo com analistas ouvidos pela emissora, uma melhor imagem do cenário do mercado de trabalho é dada pelo relatório semanal de pedidos de auxílio-desemprego. Nas duas últimas semanas, cerca de 10 milhões de norte-americanos entraram com pedido do seguro.

“Minha opinião é que, quando recebermos os dados de abril daqui a um mês, veremos que a economia perdeu algo entre 10 e 15 milhões de empregos”, disse Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Anlaytics.

Antes da crise decorrente do coronavírus, o país apresentava uma taxa de desemprego de 3,5%, a menor em mais de 50 anos.

Entenda o payroll

O payroll é um relatório divulgado toda primeira sexta-feira de cada mês pelo Departamento de Trabalho, com o número de contratados dos EUA, com exceção dos trabalhadores agrícolas. O indicador é considerado o principal do mercado financeiro, por trazer alta volatilidade e por ser um termômetro importante da economia americana, no momento bastante abalada pela crise do coronavírus e seus efeitos negativos sobre a produção e o consumo.

Considerado uma prévia do relatório de empregos oficial dos Estados Unidos (payroll), o Relatório Nacional de Emprego, divulgado pela ADP e pela Moody’s Analytics na quarta-feira (1), havia apontado uma redução bem inferior, de 27 mil postos de trabalho. O relatório da ADP contabiliza as vagas no setor privado não-agrícola. Já o payroll também inclui na contagem os funcionários públicos.