EUA: pedidos de seguro-desemprego ficam praticamente estáveis

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos ficaram, pela quarta semana consecutiva, abaixo de 1 milhão de reivindicações.

No entanto, registraram um leve aumento em relação à semana anterior e ficaram acima do projetado pelo mercado.

Vieram em 870 mil, quando o mercado esperava 840 mil. Na semana passada, foram 866 mil pedidos, ajustados de 860 mil divulgados anteriormente.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (24), pelo Bureau of Labor Statistic (BLS), do Departamento de Trabalho americano.

Padrão instável de retomada do emprego

Segundo a Bloomberg, o resultado aponta para um mercado de trabalho que está lutando para se recuperar. E que demonstra um padrão instável de retomada, à medida que algumas empresas contratam ou trazem de volta trabalhadores, enquanto outras reduzem o pessoal.

Desde o início da crise do coronavírus nos EUA, em março, foram 22 semanas com mais de 1 milhão de pedidos e agora cinco com leitura inferior a este número (em 13 de agosto, o registro foi de 971 pedidos).

A semana mais crítica foi a de 28 de março, quando as reivindicações atingiram o recorde de 6,86 milhões. Antes desta crise, o teto nos pedidos de seguro-desemprego tinha ocorrido em 1982, com 650 mil reivindicações.

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Reprodução/BLS

Reivindicações contínuas de seguro-desemprego têm queda

As reivindicações contínuas por seguro-desemprego ficaram em 12,580 milhões, quando o mercado esperava por 12,3 milhões. Mas vieram abaixo das 12,747 milhões da semana anterior, o que aponta uma retomada modesta.

O presidente do Fed, Jerome Powell, vem abordando o tema do desemprego em seus discursos ao Congresso nesta semana.

Ele tem repetido que “O caminho à frente permanece altamente incerto” e que “A recuperação será mais rápida se houver apoio tanto do Congresso quanto do Fed”, reiterando pedidos por mais estímulos financeiros para manter emprego e renda.

Seguro-desemprego segue sendo uma incógnita

Democratas e republicanos ainda seguem sem uma definição quanto ao pacote de auxílio financeiro à população na pandemia, que incluiria um novo valor do seguro-desemprego.

Os interesses eleitorais têm atrapalhado as negociações, já que a eleição para a presidência acontece em novembro.

O benefício de US$ 600 semanais foi pago até o final do mês de julho. Desde então, o que vale são os US$ 400 semanais determinados por ordem executiva do presidente Donald Trump – US$ 300 pagos pelo governo federal, e US$ 100 complementados pelos estados.

Payroll aponta criação de 1,371 milhão de vagas em agosto

Enquanto os pedidos de seguro-desemprego dão um panorama semanal do mercado de trabalho americano, o indicador mensal oficial dos novos postos de trabalho criados é o payroll (folha de pagamento não-agrícola. Ele será divulgado na próxima sexta-feira, 2 de outubro.

A última divulgação apontou a criação de 1,371 milhão de vagas de emprego em agosto, pouco abaixo dos 1,4 milhão projetados pelo mercado.

Em julho, o payroll confirmou a abertura de 1,763 milhão de postos de trabalho. Em junho foram 4,791 milhões.

A taxa de desemprego de caiu de 10,2% em julho para 8,4 em agosto.

O número de desempregados caiu 2,8 milhões, ficando em 13,6 milhões de pessoas.