EUA: pacote fiscal de US$ 908 bi será divulgado nesta segunda

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Reprodução / Wikimedia Commons

Um grupo bipartidário de parlamentares anunciou que divulgará amanhã um projeto de lei de ajuda econômica contra os efeitos da pandemia do coronavírus. O valor pode chegar a US$ 908 bilhões.

Mas “não há garantia” de que o Congresso vá aprová-lo, disse um dos principais negociadores, o senador democrata Joe Manchin (Virgínia Ocidental), segundo o BDM Online.

Duas propostas

Uma proposta de alívio concorrente de US$ 916 bilhões, do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, também está circulando.

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O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, defende a proposta de US$ 916 bilhões do secretário do tesouro, Steven Mnuchin. Disse que vai fazer “tudo o que puder” para ajudar a economia.

Já Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, defende o outro plano, de US$ 908 bilhões, elaborado por um grupo bipartidário de legisladores.

Discussões

O valor é mais baixo do pacote que vinha sendo discutido há meses no Congresso e representantes do Executivo.

Em novembro, o presidente Donald Trump pediu pelo Twitter que o Congresso americano aprovasse o projeto de estímulos.

De acordo com a fala de Trump, é necessário o apoio dos democratas.

Em outubro, as discussões sobre o pacote entraram em pausa por conta das eleições. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, tinha uma perspectiva otimista apesar da resistência dos republicanos no Senado.

Os democratas sugeriram um montante de US$ 2,2 trilhões. Os republicanos falam em US$ 1,9 tri — valor que, segundo sites de notícias nos EUA, teria apoio da Casa Branca.

Mitch McConnell, líder do Senado, se pronunciou diversas vezes sobre como um pacote de U$ 500 bilhões seria o suficiente no momento.

Trump passou a apoiar um pré-acordo para US$ 908 bilhões junto aos Democratas, mas o futuro
presidente Biden sinalizou que em seu mandato irá aumentar os valores de programas paralelos.

Resistência no Senado

O presidente Trump encontrou resistência entre republicanos no Senado para criar uma proposta de alívio abrangente.

Pelosi e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, estão acertando detalhes do pacote de alívio, podendo ficar na casa dos 2,2 trilhões de dólares. Esse montante está sendo pressionado por meses pelos democratas.

Os conservadores no Senado, de maioria republicana, se opõem ao custo de mais de 1 trilhão de dólares em discussão. McConnell não quer apresentar ao Senado um grande projeto de alívio a Covid-19 antes das eleições, disse um assessor republicano.

Em abril, o congresso americano aprovou o pacote mais recente, com 3 trilhões de dólares.

Conforme a Casa Branca, um acordo bipartidário entre Pelosi e Mnuchin receberia o número de votos necessário para a aprovação. Os republicanos detém uma maioria de 53 a 47 no Senado.

“Acredito que haveria votos suficientes para garantir que isso cruze a linha de chegada e chegue à mesa do presidente. Mais uma vez, o foco nos republicanos do Senado agora, se os votos estariam lá ou não, está errado”, disse o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, em coletiva.

Contudo, não havia sinais de que esses parlamentares concordariam com algo próximo da marca de 2 trilhões de dólares.

Partido em risco

Por fim, os republicanos do Senado estão preocupados com o impacto do valor do montante no déficit federal. Dessa forma, propuseram uma quantia menor e direcionada para a economia afetada pelo coronavírus.

As pesquisas de opinião apontam que eleitores culpam Trump por sua forma de lidar com a pandemia.

Por consequência, os republicanos também correm o risco de perder a maioria no Senado. Isso fez com que alguns membros se voltassem para as tradicionais preocupações republicanas sobre a disciplina fiscal.

Biden quer pacote “rapidamente”

Joe Biden, presidente eleitos dos Estados Unidos, vem pedindo um acordo por um pacote de estímulos.

Em novembro, ao participar de uma reunião com dirigentes sindicais e patronais, ele afirmou, segundo o site G1, que a economia americana precisa de um estímulo rapidamente para enfrentar os efeitos da crise sanitária.

Ele também indicou que os mais ricos e as maiores empresas do país devem “pagar sua cota justa” em impostos.

Ele afirmou que um novo plano de estímulo é crítico para ajudar a economia em meio a um aumento das infecções por Covid-19, admitindo que as coisas ficarão “mais difíceis”.

Criação de empregos

Biden antecipou que seu plano econômico criará três milhões de “trabalhos bem remunerados” e que elevará o salário mínimo a US$ 15 a hora.

O presidente eleito expressou frustração com a recusa até o momento de Donald Trump em cooperar no processo de transição da Casa Branca, dizendo que “mais pessoas podem morrer” sem uma coordenação imediata no combate à pandemia.

Perguntado por jornalistas sobre a maior ameaça da obstrução de Trump a uma transição tranquila do poder, Biden chamou atenção para os riscos inerentes aos surtos do novo coronavírus.

“Mais pessoas podem morrer se não coordenarmos” em questões como a distribuição de vacinas contra a Covid-19 o mais rapidamente possível.

“Se tivermos que esperar até (o dia da posse) 20 de janeiro para começar esse planejamento, isso nos atrasará em um mês, um mês e meio”, disse Biden. “E, portanto, é importante que haja coordenação agora – agora ou o mais rápido possível”.

Contra a Covid-19

Em coletiva, conforme o colunista Jamil Chade, do UOL, Biden fez questão de insistir sobre a necessidade de proteger pessoas. Para ele, usar a máscara “é sobre ser patriotas, é sobre salvar vidas”. “Máscara salva vidas”, insistiu.

“Estamos em uma guerra de verdade”, apontou Biden. O presidente eleito também pediu que o distanciamento social continue a ser respeitado e defendeu encontros limitados para as festas de final de ano.

Segundo ele, não deve haver mais de dez pessoas numa casa e, mesmo assim, as pessoas devem estar protegidas. “Pensem nas suas crianças, em seus pais”, completou.

Biden ainda sinalizou que só existe dúvida sobre a vacina por conta das declarações contrárias de Donald Trump e e acenou que, uma vez aprovada pelos órgãos de regulação, ele também será imunizado.

Pedidos por seguro-desemprego nos EUA atingem níveis de setembro

Em meio à alta de casos de Covid-19 no país, a economia americana dá sinais preocupantes.

O desemprego nos Estados Unidos aumentou paralelamente à subida dos casos da Covid-19 no País, segundo os dados mais recentes do Departamento de Trabalho do país.

Apenas na última semana, encerrada em 5 de dezembro, os pedidos iniciais por seguro-desemprego somaram 853 mil, recorde desde meados de setembro, quando a economia norte-americana deu sinais de reaquecimento.

Na comparação com a semana anterior já é possível notar como os dois cenários andam de mãos dadas. A última semana havia registrado 716 mil pedidos iniciais de seguro-desemprego. Na atual, em que o país ultrapassou a marca de 15 milhões de infectados pelo novo coronavírus, o aumento foi de quase 140 mil pedidos de ajuda.

Tendência de alta mantida

Na última semana de novembro a tendência anunciada nesta quinta já mostrava que iria se manter, segundo o Departamento de Trabalho dos EUA.

Na ocasião, os pedidos iniciais de seguro desemprego nos Estados Unidos registraram um segundo aumento semanal, que coincide com o avanço dos casos de coronavírus e as novas medidas de distanciamento social adotadas em algumas localidades do país.

As reinvindicações nesta semana ficaram em 778 mil, ante 748 mil da semana anterior (revisados de 742 mil anunciados anteriormente). A projeção era por 730 mil.

A sequência de duas semanas de alta nos pedidos põe fim a uma sequência de quedas graduais observadas no país desde o início da flexibilização. Ainda assim, é a 13ª semana com reivindicações abaixo de 1 milhão.

Congresso alega “procurar caminho” para amenizar desemprego

À medida que Califórnia e outros Estados estudam adotar novamente medidas rígidas de isolamento social, o que causaria um desemprego ainda maior no país, o Congresso afirma estar “procurando um caminho” para auxiliar a população.

Segundo Mitch McConnell, líder da maioria no Senado, mais de US$ 3 milhões de ajuda do governo já foram direcionados par minimizar os efeitos da pandemia em empresas e cidadãos, mas esse estímulo fiscal “praticamente secou”.

O governo norte-americano alegou ter criado 245 mil novas vagas de emprego em novembro, mas que apenas 12,4 milhões dos 22,2 milhões de empregos perdidos em março e abril, auge da pandemia, foram recuperados.

O Departamento de Trabalho dos EUA alegou ainda que o índice de preços ao consumidor subiu 0,2% em novembro e que, no acumulado dos 12 meses, avançou 1,2%, algo que também encarece o custo de vida para o já defasado cidadão norte-americano.

Fed cogita comprar número maior de ativos

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) divulgou em 25 de novembro a ata sobre a última reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes da instituição.

Esse encontro, ocorrido em 5 de novembro, definiu que as taxas de juros seriam mantidas perto do zero.

A próxima reunião do Fomc será na próxima quarta (16);

O comitê reiterou que o coronavírus provocou “tremendo” impacto humano e econômico nos Estados Unidos e em nível global.

Os dirigentes falaram na reunião sobre a necessidade de comprar mais ativos para ajudar na recuperação da economia. A instituição discute um ajuste na política de títulos do Tesouro.

Ajustes

O Fed pode assim adquirir títulos em volume maior que os US$ 120 bilhões atuais comprados mensalmente.

O papel da compra de títulos foi um dos principais temas da reunião do banco central dos EUA.

Há possibilidade de o Fed estender o prazo de vencimento de títulos já comprados.

O banco central reiterou que o ritmo atual de compras tem ajudado a economia — mas que pode não ser suficiente para a retomada.

“Os dirigentes ponderam que o Fed pode oferecer mais acomodação, elevando o ritmo de compras do Tesouro para aquelas com um vencimento mais longo, sem aumentar o tamanho de suas compras”, anota o documento.

O Fed pode concluir esse ajuste na compra de títulos na próxima reunião da instituição, marcado para início de dezembro.

Na ata, os dirigentes disseram que o banco central do país vai indicar mais dados sobre o que fará para revisar o programa.

Não foi especificada uma data para implementar as mudanças: os dirigentes disseram apenas que elas poderiam acontecer “em breve”.

O Fed gastou cerca de US$ 7 trilhões para estimular a economia durante a crise da covid-19.

Atividade econômica

A ata pontua que atividade econômica continua em patamares pré-pandemia, apesar de estar se recuperando.

Segundo o Fed, a pandemia sinaliza riscos consideráveis para economia no médio prazo. Os dirigentes acreditam que a recuperação dependerá do ritmo de contaminação do vírus — hoje em alta na maioria dos estados do país.

O Fed afirma que o ritmo de recuperação da economia desacelerou nos últimos meses.

E a economia dependerá de estímulos fiscais, para tentar recuperar a trajetória do consumo.

O Fed reforçou que manterá os juros estáveis até que os níveis de emprego estejam mais altos e consolidados.

O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que o Fed ainda tem bastante “munição” e prometeu que o comitê está “fortemente comprometido em usar essas ferramentas poderosas para apoiar a economia”.

Os dirigentes expressaram preocupação sobre o ainda indefinido pacote de estímulo da economia – travado no Congresso por falta de acordo entre democratas e republicanos.

Recuperação

O Federal Reserve havia se comprometido no início de novembro a fazer o que pudesse nos próximos meses para sustentar uma recuperação econômica norte-americana ameaçada pela pandemia e que enfrenta incertezas em torno de uma eleição presidencial ainda indefinida.

“A atividade econômica e o emprego continuaram a se recuperar, mas permanecem bem abaixo de seus níveis no início do ano”, disse o comitê.

“A pandemia da Covid-19 está causando enormes dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos e em todo o mundo.”

Naquela ocasião, o Fed disse que iria por enquanto continuar comprando “ao menos” 120 bilhões de dólares por mês em títulos do governo.

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*Com Agência Brasil

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