EUA investiga se coronavírus veio de laboratórios em Wuhan

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

O governo norte-americano está investigando se o coronavírus teve origem em um dos laboratórios do governo chinês em Wuhan, conforme reportagem do Wall Street Journal.

A China nega essa possibilidade. “Não há como esse vírus vir de nós”, disse Yuan Zhiming no final de semana. Yuan é um dos principais cientistas do Instituto de Virologia Wuhan, que estuda alguns dos agentes infeciosos mais letais do planeta. Ele também é secretário do comitê do Partido Comunista do laboratório. Ele me acusa de “deliberadamente enganar as pessoas” por sugerir que o vírus possa ter se originado no laboratório.

A China informou que o coronavírus veio de um mercado de Wuhan, no qual animais selvagens eram comercializados. No entanto, evidências para combater essa hipótese apareceram em janeiro.

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Em 24 de janeiro, cientistas chineses afirmaram no Lancet que os primeiros casos registrados não tiveram contato com o mercado, e a mídia estatal  chinesa reconheceu a descoberta. Não existem indícios de que o mercado tenha comercializado morcegos ou pangolins, espécies que se acredita que o vírus tenha saltado para as pessoas. E os morcegos que têm a carga viral são encontrados a cerca de 160 quilômetros de Wuhan.

A cidade Wuhan possui dois laboratórios onde humanos e morcegos tinham contato. O primeiro é o Instituto de Virologia, a 13 quilômetros do mercado úmido e o segundo é o Centro Wuhan de Controle e Prevenção de Doenças, a apenas 300 metros do mercado, conforme reportagem do WSJ.

Os dois laboratórios coletam animais vivos para analisar o vírus. Para isso, os pesquisadores viajam para cavernas na China, onde pegam esses morcegos.

Em dezembro, a mídia estatal da China divulgou um documentário sobre cientistas do Wuhan CDC coletando vírus de morcegos em cavernas. Eles se preocuparam claramente com o risco de infecção.

Os perigos não se limitam ao campo. Segundo reportagem do Washington Post na semana anterior, em 2018, diplomatas norte-americanos na China advertiram sobre “uma grave escassez de técnicos e pesquisadores adequadamente treinados, necessários para operar com segurança” o Instituto de Virologia. O CDC de Wuhan trabalha com nível de biossegurança ainda menores.

Por mais que os chineses refutem a possibilidade de vazamento do laboratório, suas atitudes dizem o contrário. Os militares da China enviaram seu principal epidemiologista para o Instituto de Virologia em janeiro.

No mês seguinte, o o presidente Xi Jinping ordenou uma rápida adoção de novas regras biossegurança para lidar com patógenos em laboratório. Os estudos sobre de onde veio o vírus estão sujeitos a restrições prévias do governo.

Em janeiro, policiais ameaçaram médicos que alertaram seus colegas sobre o vírus. Entre eles estava Li Wenliang, que faleceu de coronavírus em fevereiro. Os cientistas que trabalhavam para sequenciar o código genético do vírus foram ordenados a destruir suas amostras. O primeiro laboratório a publicar o genoma do vírus foi fechado, noticiou o South China Morning Post de Hong Kong em fevereiro.

Essa evidência é circunstancial, mas tudo indica para os laboratórios de Wuhan. Evidências diretas e conclusivas podem nunca ser encontradas devido ao encobrimento do governo da China. No entanto, os americanos justificadamente podem usar o bom senso para seguir a lógica inerente dos eventos até sua provável conclusão.

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