EUA investiga se coronavírus veio de laboratórios em Wuhan

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

O governo norte-americano está investigando se o coronavírus teve origem em um dos laboratórios do governo chinês em Wuhan, conforme reportagem do Wall Street Journal.

A China nega essa possibilidade. “Não há como esse vírus vir de nós”, disse Yuan Zhiming no final de semana. Yuan é um dos principais cientistas do Instituto de Virologia Wuhan, que estuda alguns dos agentes infeciosos mais letais do planeta. Ele também é secretário do comitê do Partido Comunista do laboratório. Ele me acusa de “deliberadamente enganar as pessoas” por sugerir que o vírus possa ter se originado no laboratório.

A China informou que o coronavírus veio de um mercado de Wuhan, no qual animais selvagens eram comercializados. No entanto, evidências para combater essa hipótese apareceram em janeiro.

Em 24 de janeiro, cientistas chineses afirmaram no Lancet que os primeiros casos registrados não tiveram contato com o mercado, e a mídia estatal  chinesa reconheceu a descoberta. Não existem indícios de que o mercado tenha comercializado morcegos ou pangolins, espécies que se acredita que o vírus tenha saltado para as pessoas. E os morcegos que têm a carga viral são encontrados a cerca de 160 quilômetros de Wuhan.

A cidade Wuhan possui dois laboratórios onde humanos e morcegos tinham contato. O primeiro é o Instituto de Virologia, a 13 quilômetros do mercado úmido e o segundo é o Centro Wuhan de Controle e Prevenção de Doenças, a apenas 300 metros do mercado, conforme reportagem do WSJ.

Os dois laboratórios coletam animais vivos para analisar o vírus. Para isso, os pesquisadores viajam para cavernas na China, onde pegam esses morcegos.

Em dezembro, a mídia estatal da China divulgou um documentário sobre cientistas do Wuhan CDC coletando vírus de morcegos em cavernas. Eles se preocuparam claramente com o risco de infecção.

Os perigos não se limitam ao campo. Segundo reportagem do Washington Post na semana anterior, em 2018, diplomatas norte-americanos na China advertiram sobre “uma grave escassez de técnicos e pesquisadores adequadamente treinados, necessários para operar com segurança” o Instituto de Virologia. O CDC de Wuhan trabalha com nível de biossegurança ainda menores.

Por mais que os chineses refutem a possibilidade de vazamento do laboratório, suas atitudes dizem o contrário. Os militares da China enviaram seu principal epidemiologista para o Instituto de Virologia em janeiro.

No mês seguinte, o o presidente Xi Jinping ordenou uma rápida adoção de novas regras biossegurança para lidar com patógenos em laboratório. Os estudos sobre de onde veio o vírus estão sujeitos a restrições prévias do governo.

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Em janeiro, policiais ameaçaram médicos que alertaram seus colegas sobre o vírus. Entre eles estava Li Wenliang, que faleceu de coronavírus em fevereiro. Os cientistas que trabalhavam para sequenciar o código genético do vírus foram ordenados a destruir suas amostras. O primeiro laboratório a publicar o genoma do vírus foi fechado, noticiou o South China Morning Post de Hong Kong em fevereiro.

Essa evidência é circunstancial, mas tudo indica para os laboratórios de Wuhan. Evidências diretas e conclusivas podem nunca ser encontradas devido ao encobrimento do governo da China. No entanto, os americanos justificadamente podem usar o bom senso para seguir a lógica inerente dos eventos até sua provável conclusão.

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