EUA contabilizam mais de 36 milhões de pedidos de seguro-desemprego

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira (14) o total de novos pedidos de seguro-desemprego feitos no país. Foram 2,981 milhões de novas reivindicações. O mercado projetava menos, 2,5 milhões.

Com o resultado, o montante de desemprego gerado pela crise do coronavírus alcança mais de 36 milhões.

Os dados da semana passada foram revisados em 7 mil pedidos, indo de 3,169 milhões para 3,176 milhões. A média móvel de quatro semanas é de 3,616 milhões, uma redução de 564 mil em relação à média revisada da semana anterior.

A média da semana anterior também foi revisada em 7 mil solicitações, indo de 4,173 milhões para 4,180 milhões.

Apesar de bastante alto, o número de novos pedidos vem caindo semana a semana. Confira como foram os pedidos de auxílio desde o início da crise.

  • 14/5: 2,981 milhões
  • 7/5: 3,176 milhões
  • 30/4: 3,846 milhões
  • 23/4: 4,442 milhões
  • 16/4: 5,237 milhões
  • 9/4: 6,615 milhões
  • 2/4: 6,867 milhões
  • 26/3: 3,307 milhões

Uma década de recuperação perdida

O número de desempregados pelo coronavírus ultrapassa em muito os 22,442 milhões de postos de trabalho gerados nos EUA desde novembro de 2009.

Naquele mês, o país começou a se recuperar da crise do subprime (chamada de Grande Recessão).

Ou seja, o Covid-19 pôs fim a uma década de recuperação do nível de emprego nos EUA.

Antes da crise atual, o recorde nos pedidos de seguro-desemprego tinha ocorrido em 1982, com 650 mil reivindicações.

Powell acredita que pico do desemprego ainda não chegou

Ontem (13), o presidente do banco central norte-americano (Fed), Jerome Powell, afirmou que prevê uma recuperação lenta da economia dos EUA, o que desacelerou os mercados.

Para ele, o pico do desemprego no país ainda não foi alcançado e que o caminho a ser percorrido é longo e incerto.

Payroll oficial

De acordo com o Bureau of Labor Statistics, a última folha de pagamentos (payroll) oficial dos EUA, divulgada no dia 8 de maio, contabilizou 20,5 milhões de vagas a menos em abril (excluídas as vagas agrícolas que não entram na soma).

A taxa de desemprego subiu para 14,7%. Isto representa um aumento de 10,3 pontos porcentuais em relação a março.

Esta é a taxa de desemprego mais alta da série histórica – a pesquisa é feita desde 1948.

Para o presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, o total de desempregados pode ser uma subconta. Conforme afirmou à Bloomberg, ele acredita que muitos que perderam seus empregos não puderam buscar ativamente um novo posto de trabalho devido à quarentena adotada em muitos estados para conter a proliferação do vírus.

A taxa de desemprego real, que inclui trabalhadores que não procuram emprego e subempregados, subiu para 22,8%. E esta pode ser uma imagem mais precisa da situação atual.

Goldman Sachs prevê 25% de desemprego

Já para o Goldman Sachs, o desemprego deve bater os 25%, com retomada bastante lenta. A previsão é de taxa de desemprego próxima a 10% até o final do ano.

Vale recordar que, antes da crise, em fevereiro, o desemprego alcançava um mínimo histórico de 3,5%. E que o emprego é um item fundamental para a retomada da economia.

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