EUA contabilizam 26,7 milhões de desempregados desde começo da crise

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira os novos pedidos de seguro-desemprego feitos na semana finalizada em 18 de abril.

Foram 4,427 milhões novas reivindicações do auxílio, ante 5,237 milhões da semana anterior. O número da semana passada foi revisado para baixo – no anúncio anterior, era de 5,245 milhões.

O resultado veio acima da expectativa do mercado, que era de 4,3 milhões de novos pedidos.

A média móvel de quatro semanas foi de 5,786 milhões. Isto significa um aumento de 280 mil em relação à média revisada da semana anterior.

A média móvel da semana anterior foi revisada em 2 mil pedidos, de 5,508 milhões para 5,506 milhões.

O avanço da taxa de desemprego com ajuste sazonal foi de 11%.

No acumulado de seis semanas desde o início da crise do coronavírus, já são 26,735 milhões de pedidos de seguro-desemprego.

O montante de desempregados apaga completamente a totalidade dos 22,442 milhões de empregos recuperados desde a chamada Grande Recessão, que se iniciou em 2008 com a crise do subprime nos EUA.

Nas últimas semanas, os pedidos de seguro-desemprego foram os seguintes, conforme data de divulgação pelo Departamento de Trabalho:

  • 23/4: 4,427 milhões
  • 16/4: 5,237 milhões
  • 9/4: 6,615 milhões
  • 2/4: 6,867 milhões
  • 26/3: 3,307 milhões
  • 19/3: 282 mil

Antes da crise decorrente do coronavírus, o recorde nos pedidos de seguro-desemprego era de 650 mil, em 1982.

A epidemia encerra um ciclo de mais de 10 anos de expansão do mercado de trabalho nos EUA.

Trabalhadores acreditam que perderão o emprego até o final do ano

Uma pesquisa do instituto Gallup, divulgada na quarta-feira (22), revelou que um quarto dos trabalhadores dos EUA acredita que é muito ou bastante provável perder o emprego nos próximos 12 meses. A pesquisa foi realizada de 1 a 14 de abril.

O resultado ficou 17 pontos abaixo da mesma pesquisa realizada um ano antes e foi a leitura mais baixa já realizada desde 1975.

“Nunca vimos isso antes”, disse Jeff Jones, editor sênior da Gallup, à CNBC.

“Não acreditaríamos nesses números se não estivéssemos vivendo esta crise”, afirmou.

A onda de demissões nos Estados Unidos começou no setor de serviços, com funcionários de restaurantes e hotéis sendo dispensados. Depois, avançou para as fábricas, que foram fechadas pelas medidas de contenção do vírus. Agora, atinge até funcionários de escritório.

Para Jones, isto indica que as previsões de uma taxa de desemprego de 20% podem se tornar realidade.