EUA alertam para pandemia de coronavírus após primeiro caso na América Latina

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Reprodução Aly Song / Reuters

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos alertou, nessa terça-feira (25), que os norte-americanos precisam começar a se preparar para a disseminação do coronavírus nos Estados Unidos, depois que infecções surgiram em vários outros países, informa a Reuters.

O anúncio sinalizou uma mudança de tom para a agência de saúde dos EUA, que se concentrou em grande parte nos esforços para impedir a entrada do vírus no país e na quarentena de indivíduos que chegam da China.

“Os dados da semana passada sobre a disseminação em outros países aumentaram nosso nível de preocupação e expectativa de que a doença se espalhe por aqui”, disse a jornalistas Nancy Messonnier, chefe de doenças respiratórias do CDC, em uma teleconferência.

O que não se sabe, disse ela, é quando chegará e quão grave poderá ser um surto nos EUA: “a interrupção da vida cotidiana pode ser grave” e empresas, escolas e famílias devem começar a discutir sobre o possível impacto da propagação do vírus, alertou Messonnier.

Alerta depois de caso no Brasil

O CDC, disse que, embora o risco imediato nos Estados Unidos seja baixo, a atual situação global sugere uma provável pandemia.

A Ásia registrou centenas de novos casos de coronavírus na quarta-feira (26), incluindo um soldado americano servindo na Coreia do Sul. A doença se espalhou na Europa e chegou ao Brasil, que confirmou a primeira infecção da América Latina.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Agora, o único continente onde o vírus ainda não chegou é a Antártica.

“Não é uma questão de ‘se’. É uma questão de ‘quando’ e quantas pessoas serão infectadas”, afirmou na terça-feira a principal diretora adjunta do CDC, Anne Schuchat.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, no entanto, desaconselhou a referência a uma pandemia, definida pela agência como a “disseminação mundial” de uma nova doença: “não devemos estar ansiosos demais para declarar uma pandemia sem uma análise cuidadosa e clara dos fatos”.

“Usar a palavra pandemia de forma descuidada não traz benefícios tangíveis, mas apresenta um risco significativo em termos de amplificação do medo e estigma desnecessários e injustificados, além de sistemas paralisantes. Também pode indicar que não podemos mais conter o vírus, o que não é verdade”.

A OMS diz que o surto atingiu o pico na China por volta de 2 de fevereiro, depois que as autoridades isolaram a província de Hubei e impuseram outras medidas de contenção.

Impacto econômico da pandemia

A questão é que a OMS não está conseguindo passar esse recado. Enquanto o mundo assiste a um avanço temeroso da doença, os mercados globais vão sofrendo perdas terríveis.

A bolsas mundiais caíram pelo quinto dia com receios de interrupções prolongadas nas cadeias de suprimentos globais, enquanto o ouro voltou a atingir máximas depois de sete anos, como um refúgio ideal contra perdas.

Os mercados de ações no mundo todo eliminaram US$ 3,3 trilhões em valor nos últimos quatro pregões, conforme medido pelo índice MSCI para todos os países.

Paralelamente, os Estados Unidos registraram novos casos do vírus. Já são 59. O presidente Donald Trump, de volta a Washington após uma visita à Índia, disse no Twitter que se reuniria com autoridades dos EUA para discutir a situação.

Bruce Aylward, chefe de uma missão conjunta da OMS-China sobre o surto, disse a repórteres que não dá mais para esconder o fato de que é preciso se preparar par ao pior: “acho que o vírus vai aparecer amanhã. Se você não pensa assim, não estará pronto. Trata-se de uma epidemia que cresce rapidamente em diferentes lugares, e que temos de enfrentar rapidamente para evitar uma pandemia”.

LEIA MAIS
EUA se preparam para pandemia de coronavírus

Covid-19: especialistas em saúde alertam para a disseminação mundial do vírus