Estudo sugere manipulação na alta do Bitcoin em 2017

Gabriella Balestrero
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Crédito: Divulgação/Freepik

Um único participante do mercado de bitcoin pode ter sido responsável pela alta de mais de 2000% da moeda em 2017. É o que diz o estudo dos professores de finanças John Griffin, da Universidade do Texas, e Amin Shams, da Universidade do Estado de Ohio.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisaram mais de 200 gigabytes de transações entre o Bitcoin e o Tether, que é lastreado em moedas fiduciárias, como o dólar e o euro (e, portanto, mais estável).

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Durante a pesquisa, os professores descobriram um padrão diferente de outras transações. Através de agressivas injeções de Tethers, um único player teria manipulado a demanda por Bitcoin. Suspeita-se que a conta tenha criado uma alta artificial no preço do Bitcoin, o comprando com Tethers sem lastro. O objetivo seria vender a criptomoeda com o preço maior, obtendo lucro.

Bitcoin em alta

Como resultado, o preço da moeda disparou para US$ 20.000,00 em 2017 (R$ 66.200,00 considerada a cotação de dezembro do ano em questão). Hoje, o preço do bitcoin oscila em torno de US$ 9.000,00  (cerca de R$38.000,00 ). O estudo foi criado em decorrência de outra pesquisa, feita pela Bitwise para a Security and Exchange Comission (SEC), a comissão de valores mobiliários americana. Nela, foi identificado que apenas US$ 273 milhões dos US$ 6 bilhões do fluxo de trades em bitcoins são verdadeiros.

O estudo não identifica o responsável pela suposta manipulação. Ainda assim, os professores acreditam que a Bitfinex, se não operou o esquema, pelo menos sabia que ele estava acontecendo. A empresa é uma das maiores exchangers de criptomoedas do mundo e também hospedeira da conta responsável pela transações incomuns. A suspeita se agrava porque os sócios da Tether Holdings Limited, empresa criadora da criptomoeda que leva seu nome, também administra a Bitfinex.

Em resposta ao Wall Street Journal, Stuart Hoegner, chefe do conselho geral da Bitfinex, disse que o estudo não teria rigor acadêmico. Para ele,  o crescimento em escala global do Tether foi orgânico, atendendo a demanda do mercado.

O que diz o especialista

João Paulo Oliveira, CEO da Nox Bitcoin, vê o estudo com bons olhos, mas acredita que o boom da criptomoeda tenha a ver também com expectativas do mercado varejista. “Toda tecnologia tem um ciclo de expectativa exagerada, mas há indicativos de que havia sim uma corrida no varejo de bitcoin. Há dois anos, no Brasil, havia mais CPFs interessados em criptomoedas do que na Bolsa de Valores”, explica. Para o especialista, a expectativa para o próximo ano é de equilíbrio no preço da moeda.

Oliveira ainda aponta que o ambiente regulatório se encontra cada vez mais favorável. Especialmente no Brasil, há a Instrução Normativa 188, que torna obrigatória a declaração das transações de bitcoins para a receita, combatendo práticas de lavagem de dinheiro. A lei ajuda também a regulamentar o ambiente de negócios da criptomoeda, inibindo, assim, fraudes de esquemas piramidais.

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