Estudo indica que 1 doente de Covid-19 pode infectar outras 6 pessoas

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Reprodução / Getty Images

Um estudo publicado pelo Centro de Controle de Prevenção e Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos mostra que uma única pessoa pode transmitir o novo coronavírus e infectar com Covid-19 outras 5,6 pessoas. Isso é uma taxa de infecção muito maior do que se imaginava antes, mais do que o dobro de 2,7.

O estudo ainda afirma que, sem quarentena, o número de casos pode dobrar entre 2,3 e 3,3 dias. Antes, acreditava-se que o número de doentes dobraria apenas depois de 6 ou 7 dias.

O Covid-19 é uma doença ainda sem amplo conhecimento pelos pesquisadores e pelos médicos. Há muito ainda o que se aprender sobre o coronavírus.

O começo

O estudo abre lembrando como tudo começou: “a síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2) é o agente etiológico do atual surto de rápido crescimento, que começou em 2019, originário na cidade de Wuhan, província de Hubei, China. Inicialmente, 41 casos de ‘pneumonia de etiologia desconhecida’ foram relatados à Organização Mundial da Saúde (OMS), no final de dezembro de 2019”.

“Em 8 de janeiro de 2020, o patógeno foi identificado e a transmissão entre seres humanos foi relatada logo após”, segue. “Em 21 de janeiro, a maioria das províncias da China havia relatado casos de Covid-19 (que ainda não tinha recebido este nome). Em 16 de março, o surto levou a 170.000 casos confirmados no total e 6.500 mortes em todo o mundo. Em um período de 3 meses, um surto de pneumonia idiopática aparente se tornou a pandemia de Covid-19″.

Com esse preâmbulo, o CDC procura mostrar o rápido avanço da doença.

Dificuldades

“Estudar a dinâmica de um surto de doença infecciosa recém-surgido e de rápido crescimento, como o Covid-19, é importante, mas desafiador, devido à quantidade limitada de dados disponíveis”, informa o CDC. “Além disso, a indisponibilidade de reagentes de diagnóstico no início do surto, alterações na intensidade da vigilância e nas definições de casos e sistemas de saúde sobrecarregados confundem as estimativas do crescimento do surto com base em dados”.

As estimativas iniciais da taxa de crescimento exponencial do surto foram de 0,1 a 0,14 por dia, com um tempo de duplicação de 6 a 7 dias. O número reprodutivo básico, o chamado R0, definido como o número médio de casos secundários infectados por um único caso, variou de 2,2 a 2,7.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

O avanço do Covid-19, porém, mostrou-se muito mais eficiente, especialmente em um mundo globalizado, com potenciais enormes de perdas econômicas e de empregos. A única arma até aqui, o isolamento social severo, foi e continua a ser questionado por autoridades e cidadãos.

A falta de conhecimento sobre a doença, o mundo mais globalizado e o descrédito das pessoas e autoridades ajudou a proliferar o vírus.

Resultados

Com a coleta de um conjunto maior de relatórios de casos em toda a China, o CDC conseguiu estimar os principais parâmetros epidemiológicos, o que permitiu uma nova estimativa da taxa de crescimento precoce da epidemia, chegando à taxa de 5,6.

Os cientistas acreditam que 140 mil pessoas deixaram Wuhan antes do fechamento da cidade em 23 de janeiro, para o maior feriado local, o Ano Novo Lunar, que, por conta do surto, acabou se estendendo.

“Foi provavelmente um impulsionador da disseminação da covid-19”, diz o estudo.

Segundo o UOL, “os pesquisadores conseguiram, assim, estimar a duração entre a exposição ao vírus, o início dos sintomas, a hospitalização e a alta ou morte. A incubação do coronavírus dura aproximadamente quatro dias, enquanto o tempo entre o início dos sintomas e a hospitalização em Wuhan levou 5,5 dias até o dia 18 de janeiro”.

Com os dados em mãos, foi possível determinar que o tempo entre a internação e a alta foi de 11,5 dias; o tempo entre a internação e o óbito foi de 11,2 dias; e o tempo entre o início dos sintomas e a morte foi 16,1 dias.

Para chegar à estimativa do raio de contágio, onde cada pessoa pode transmitir a doença para até 6 pessoas (exatas 5,6 pessoas), os cientistas calcularam entre 6 e 9 dias o intervalo de exposição do doente “até que ele finalmente fosse internado: quatro dias de encubação e cinco de sintomas antes do isolamento”, diz o UOL.

“O contágio pode ser menor se o intervalo de exposição cair. No entanto, estudos recentes relataram que pessoas podem transmitir o vírus por um longo período, de uma a três semanas após o início dos sintomas”, diz o estudo.

A pesquisa calcula que 4.100 pessoas tinham Covid-19 em 18 de janeiro, quantidade que saltou para 18.700 cinco dias depois, em 23 de janeiro, quando Wuhan iniciou seu bloqueio. “Sem nenhuma medida de controle, o número de infectados seria de 233 mil pessoas até o final de janeiro”, calcula o estudo.

LEIA MAIS
Bolsonaro espera retorno da atividade econômica em até 4 meses

Covas diz que São Paulo pode cumprir restrições até o fim do semestre