Estudo diz que coronavírus já pode ter matado mais de 15 mil no Brasil

Paulo Amaral
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Crédito: Twitter

O número oficial de mortos pelo coronavírus no Brasil, divulgado na sexta-feira (17) pelo Ministério da Saúde, pode estar muito longe do real.

De acordo com o órgão, até o momento 2.141 pacientes morreram de Covid-19 no País. Um estudo do Observatório Covid-19 BR, no entanto, tem números bem diferentes.

Segundo o Portal Uol, que encomendou o estudo exclusivo ao Observatório, o número de mortos pela Covid-19 no Brasil já podem ter passado de 15 mil.

O levantamento levou em conta a longa fila de espera para a análise de testes nos laboratórios do País e a demora no registro das mortes entre o fato e a entrada delas nas estatísticas oficiais.

O Observatório Covid-19 BR tem atuado junto à Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo durante a pandemia com análises periódicas sobre os cenários de coronavírus na cidade.

Participam da iniciativa pesquisadores de universidade como Unesp, USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade de Campinas), Unb (Universidade de Brasília), UFABC (Universidade Federal do ABC), Universidade de Berkeley, dos Estados Unidos, e Universidade de Oldenburg, na Alemanha, entre outras.

Cenário ainda pior

O cenário utilizado pelo Observatório levou em conta os dados divulgados pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (15), data na qual o País tinha registrado 1.736 mortes por coronavírus.

Com base nos números da quarta, o País já poderia ter entre 3.800 e 15.600 óbitos causados pela Covid-19.

Se forem levados em consideração os números oficiais atuais, o cenário será ainda pior, mas os cálculos ainda não foram feitos em cima dos dados da sexta.

“Nós olhamos quanto tempo, em média, demora entre o óbito e o anúncio [oficial] do óbito [pelo ministério]”, explicou o doutorando do IFT (Instituto de Física Teórica) da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Rafael Lopes Paixão da Silva, membro do Observatório Covid-19 BR. “Com isso, a gente tem a distribuição dos atrasos”, completou.

De acordo com Silva, o cenário de subnotificações de casos e mortes de coronavírus é comum, e isso ocorre por conta da demora nos exames, tempo de informação sobre os óbitos e processo de atualização de sistema de dados das secretarias de saúde, que repassam ao ministério.

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