Estudo da FGV aponta efeitos da crise do petróleo na América Latina

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução

A pior crise do petróleo desde a Guerra do Golfo derrubou os preços e causou efeitos devastadores em boa parte dos países do planeta.

Na América Latina, a crise foi ainda maior entre os que dependem das receitas petrolíferas para exportações, PIB e receitas fiscais. E foi o efeito nesses países que a FGV detalhou em um estudo divulgado nesta sexta-feira.

A Fundação Getúlio Vargas lembrou que os preços do petróleo tipo Brent caíram de aproximadamente US$ 60 o barril para menos de US$ 20 em poucos meses.

A análise sequer levou em conta o petróleo tipo WTI, que chegou a operar com índice negativo na última semana de abril.

As variáveis

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, a vulnerabilidade de alguns países que estão no entorno estratégico do Brasil pode ser ligada a três variáveis: a dependência das receitas petrolíferas, as perspectivas fiscais e o impacto dos preços baixos em investimentos futuros.

Os mais afetados, pela ordem, durante a crise do coronavírus e as baixas históricas nos preços do petróleo foram, segundo o estudo da FGV, Venezuela, que produziu perto de 750 mil barris por dia em 2019; Equador (500 mil bpd); e Colômbia (800 mil bpd).

Brasil, que produz 2,8 milhões de barris de petróleo por dia, e México, com produção diária de 1,7 milhão de barris, não são exportadores líquidos significativos e, portanto, acabaram sendo menos prejudicados do que os demais pela queda demasiada nos preços do barril.

Produção adiada

De acordo com a consultoria Wellingence, 9% da produção de petróleo da América Latina não cobre o custo operacional a US$ 35 o barril, enquanto mais da metade não cobre quando o preço é de US$ 20 o barril.

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Por conta disso, a consultoria revelou que cerca de 800 mil barris diários de petróleo de produção não desenvolvida tiveram que ser adiados.

Brasil, Colômbia e Argentina foram os países citados como os que devem ser mais afetados nesse cenário, embora o Brasil esteja, de acordo com o estudo, bem preparado para lidar com a crise, graças à recuperação financeira da Petrobras nos últimos anos.

Os efeitos da crise do petróleo em cada país

O estudo da FGV apontou detalhadamente os impactos da crise do petróleo nos principais países que circulam o Brasil.

Na Argentina, por exemplo, a expectativa é de instabilidade, segundo Francisco Monaldi, da Rice University.

Segundo Monardi, o play de Vaca Muerta pode não estar morto, mas é um “zumbi” agora.

“Fixar o preço do petróleo local em US$ 45 é improvável que atraia investimentos significativos”, disparou, criticando a atitude do governo de aumentar em 30% os preços do Brent.

“Já houve um tremendo colapso na atividade de perfuração (em Vaca Muerta)”, acrescentou Monaldi, ao Financial Times.

A Colômbia também é um país bastante afetado pelos preços baixos do petróleo, segundo o estudo da FGV. A crise do coronavírus impactou a produção diária em aproximadamente 100 mil barris e, como resultado, cerca de 25% da produção colombiana pode se tornar antieconômica.

No México, aponta o relatório da FGV, a Pemex, empresa petrolífera nacional, que perdeu US$ 18 bilhões em 2019, teve seu status revisto para “lixo eletrônico”, segundo as agências de classificação.

De acordo com a FGV, mais de 13% da produção do país está custando mais para produzir do que seu valor de mercado.

A pior situação do bloco, no entanto, é a da Venezuela. Além da situação humanitária e fiscal do país ser dramática e a dívida, de US$ 150 bilhões, praticamente impagável, a situação do petróleo é preocupante.

A FGV apontou que as características físico-químicas do óleo venezuelano fazem com que ele tenha um valor muito baixo nessa época de preços deprimidos, mesmo quando encontra comprador.

Por conta disso, de acordo com analistas especializados na economia venezuelana, há poucas chances de se recuperar a PDVSA e seu patrimônio no médio e longo prazos.

Brasil é o mais sólido

E o Brasil? A situação do Brasil, de acordo com os dados do estudo da Fundação Getúlio Vargas, não é das mais desconfortáveis em relação à crise histórica do petróleo.

O estudo apontou que, apesar da pandemia do coronavírus e da instabilidade política que o País vive, “as instituições seguem firmes na execução de suas funções e há santidade nos contratos firmados tanto em âmbito publico quanto privado”.

A FGV ressaltou, no entanto, que há alguns assuntos que não podem ser desconsiderados para que a solidez do momento não se perca nos próximos meses.

Entre eles, a Fundação apontou “a importância de que sejam discutidos tópicos como a existência per se do contrato de partilha, os valores dos bônus de assinatura (inclusive ajustados à nova realidade do mundo pandêmico) e dos excedentes em óleo, os ressarcimentos à Petrobras pelas áreas de pré-sal, a redução de royalties para campos maduros, assim como as obrigações contratuais de conteúdo local. Vale a pena arrumar a casa para quando a festa recomeçar”.

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