Estudo aponta que uso de cloroquina não mudou taxas de mortes, diz jornal

Jéssica De Paula Alves
Jornalista e produtora de conteúdo
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Crédito: Reprodução

Um estudo divulgado pela Fundação Fiocruz e pela Fundação de Medicina Tropical mostra que a taxa de letalidade de pacientes graves com Covid-19 que usaram cloroquina foi de 13%. O número está dentro da margem dos que não usaram a substância, informou a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

O resultado representa que, de 81 pacientes testados com cloroquina, 11 morreram. Já o índice de mortalidade de pacientes sem o uso da substância, apresentado em estudos internacionais, foi de 18%.

Assim, devido a proximidade de resultados, para os especialistas ainda não é possível afirmar a eficácia do uso da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19.

“Os otimistas podem achar que [a taxa com o uso da cloroquina] é menor. Os pessimistas podem achar que é igual. Estatisticamente, é igual, na margem de confiança”, disse à Folha o infectologista Marcus Lacerda, da Fiocruz, que participa do estudo.

Mas os estudiosos relatam que os dados não são conclusivos. Portanto, é preciso esperar conclusões científicas concretas. “Tudo pode. Mas não podemos achar nada”, enfatiza.

Alta dosagem de cloroquina

As conclusões preliminares já foram enviadas para publicação numa revista científica. Os testes mostraram que a dose maior de cloroquina pode causar danos.

Pois a ideia inicial era que a metade dos doentes tomasse uma dose de 10g de cloroquina e o outro grupo, a metade disso. A maior dose, no entanto, se mostrou tóxica, provocando reações indesejadas, como arritmia e “outras complicações graves”, diz Marcus Lacerda.