Estoque total de crédito avança 6,5% em 2019; à PF alta foi de 15,5%

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.

Crédito: Reprodução/Agência Senado

O estoque total de crédito subiu 6,5% em 2019, segundo informações divulgadas nesta quarta, 29, pelo Banco Central.

As concessões de crédito livre subiram 14,7%, na comparação com 2018, chegando a R$ 397 bilhões – avanço de 18,1% em dezembro ante novembro.

O crédito para pessoa física avançou 15,5%, chegando a R$ 206,1 bilhões. A alta foi de 8,1% em dezembro.

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Já para a pessoa jurídica, a alta foi de 13,6% no ano, alcançando R$ 190,9 bilhões – aumento de 31,4% só em dezembro.

Crédito ao setor não financeiro

Em dezembro, o crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$ 10,3 trilhões (141,7% do Produto Interno Bruto, PIB), crescendo 0,7% no mês, com expansões de 2,2% em títulos de dívida e de 1,6% nos empréstimos e financiamentos, enquanto a dívida externa recuou 3,9%, acompanhando a apreciação cambial de 4,6%.

No ano, o crédito ampliado cresceu 8,9%, resultado de expansões de 14,5% nos títulos de dívida, de 6,6% em empréstimos e financiamentos e de 2,3% na dívida externa.

Crédito a empresas e famílias

O crédito ampliado a empresas e famílias ficou em R$ 5,7 trilhões em dezembro (79,2% do PIB), com aumentos de 0,6% no mês e de 8,3% em doze meses.

Em dezembro, o saldo de títulos de dívida cresceu 3,3% (35,3% no ano), destacando-se as expansões em emissões de debêntures e instrumentos securitizados.

Os empréstimos e financiamentos cresceram 1,6% em dezembro (6,8% no ano). O estoque de captações externas recuou 3,4% no mês, principalmente em razão da variação cambial, e cresceu 0,4% no ano.

Operações de crédito

O saldo das operações de crédito somou R$ 3,5 trilhões em dezembro de 2019, com expansão de 1,6% no mês, refletindo elevações de 1,8% em pessoas jurídicas (saldo de R$ 1,5 trilhão) e de 1,5% em pessoas físicas (R$ 2 trilhões).

No ano, a carteira total cresceu 6,5% (5% no ano anterior), com expansões de 11,7% no crédito às famílias e de 0,2% no crédito às empresas. A relação crédito/PIB atingiu 47,8%, com elevação anual de 0,5 p.p.

A expansão do crédito refletiu o desempenho das instituições privadas, cuja carteira cresceu 15,7% no ano. O saldo das instituições públicas recuou 2,2%. Em consequência, a participação das instituições privadas no volume total de crédito do SFN aumentou de 49% para 53% em 2019.

Spread

O Indicador de Custo de Crédito (ICC), média do custo de toda a carteira do sistema financeiro, situou-se em 20,4% a.a. em dezembro (-0,5 p.p. mês e -0,1 p.p. no ano). No crédito livre não rotativo, redução anual de 2 p.p., para 26,8%. O spread geral do ICC situou-se em 14,5 p.p. (-0,4 p.p. no mês, +0,8 p.p. no ano).

A taxa média de juros das contratações de dezembro alcançou 23% a.a., com recuos de 0,9 p.p. no mês e de 0,2 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas de juros das concessões situou-se em 18,4 p.p., com queda de 0,9 p.p. em dezembro e elevação de 1,4 p.p. no ano.

No crédito livre, a taxa de juros atingiu 34% a.a., após reduções de 2,1 p.p. no mês e de 1,6 p.p. em doze meses. No crédito às famílias, taxa média de 47,3%, com queda de 2,8 p.p. no mês, destacando-se os recuos em crédito pessoal não consignado (-8,4 p.p.), cheque especial (-4,1 p.p.) e cartão rotativo regular (-6,7 p.p.).

No crédito às empresas, redução de 0,8 p.p. em dezembro, para 16,5% a.a. Excluindo-se as operações rotativas, a taxa média de juros do crédito livre situou-se em 24,7%, recuando 1,3 p.p. no mês e 2,5 p.p. no ano.

Base monetária

A base monetária somou R$ 316,6 bilhões em dezembro, com elevações de 6,7% no mês e de 4,8% no ano. No mês, o papel-moeda emitido cresceu 10,3% (+5,9% no ano) e as reservas bancárias recuaram 14,9% (-3,2% em doze meses).

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, em dezembro, as operações com títulos federais foram expansionistas em R$ 127,6 bilhões (colocações líquidas de R$15,6 bilhões no mercado primário e compras líquidas de R$143,2 bilhões no mercado secundário).

Foram contracionistas as operações do Tesouro Nacional (R$ 44 bilhões), as operações do setor externo (R$ 47 bilhões), as operações com derivativos (R$ 6,9 bilhões) e os depósitos de instituições financeiras (R$ 6,7 bilhões), que refletem variações nos saldos de recolhimentos compulsórios.

Tá, e aí?

Em relatório a clientes, a Rosenberg & Associados destaca que o panorama para o crédito é de melhora, “ainda mais dada a perspectiva de taxa de juros básica em patamar baixo por um período prolongado.”

“Não obstante, deve permanecer o perfil desbalanceado, com crédito livre expandindo a um forte ritmo, ao passo que o crédito direcionado se retrai amplamente para PJ e cresce pouco menos para PF”, ressaltou.

A expectativa da Rosenberg é de que o mercado de crédito seja uma importante fonte de sustentação para a economia em 2020.

“Vale notar que a expansão da concorrência no mercado de crédito e o avanço da Agenda BC#, especialmente para PF, tende a amplificar esse movimento”, acrescentou.