Petróleo: estoque nos EUA sobe para 15 milhões de barris; preços têm alta

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O estoque de petróleo bruto dos Estados Unidos aumentou em 15,02 milhões de barris na semana finalizada em 18 de abril, dentro da expectativa do mercado. A projeção do mercado era que esse número chegasse a 13,8 milhões.

O país conta, assim, com 518,64 milhões de barris estocados.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (22) pela U.S. Energy Information Administration (EIA).

Na semana anterior, o aumento havia sido de 19,24 milhões de barris.

O indicador demonstra quanto do produto há nos estoques das empresas nos EUA, dado que influencia diretamente no preço do produto.

Petróleo sofre queda histórica

Esta semana, o mundo viu o preço do petróleo tipo WTI, negociado no mercado futuro com contratos de maio, cair mais de 100%, atingindo valores negativos históricos.

A capacidade de armazenamento acabou. Saía mais barato “pagar” para alguém retirar e ficar com o produto do que encontrar onde estocá-lo.

Os estoques de gasolina aumentaram em 1,01 milhão de barris. E os de destilados, 7,87 milhões de barris.

Opep deve fazer novos cortes; Brent dispara

A queda nos preços do petróleo, que derrubaram os contratos com vencimento maio do WTI, afetava também os contratos de junho na abertura do dia, mas no meio da manhã o cenário virou e as cotações mostram altas consistentes.

O motivo provável é um novo corte na produção que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados consideram adotar, conforme teria dito o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, de acordo com a Agência Estado.

O ministro russo da energia Alexander Novak disse nesta quarta (22) que corte na produção da Opep+, a partir de maio, será de 15 milhões a 20 milhões de bpd.

A fala fez preço do petróleo Brent/junho disparar, no meio da sessão, 9% e chegou a US$ 21,07.

O petróleo WTI/junho ignora alta de estoques nos EUA e também avançou mais de 26,7%%, atingindo US$ 14,62.

O petróleo fechou com essas cotações:

  • WTI (junho 2020): US$ 13,87 (+20,66)
  • Brent (junho 2020): US$ 20,69 (+7,29%)

Tuíte de Trump

Também contribui para a alta abrupta das cotações do petróleo o tuíte em que Donald Trump ameaça destruir qualquer navio iraniano que tente abordar petroleiros americanos na região do Golfo Pérsico.

Há uma semana onze navios da Guarda Revolucionária do Irã se aproximaram de navios dos EUA no Golfo.

“Eu instruí a Marinha dos Estados Unidos a abater e destruir toda e qualquer canhoneira [embarcação] iraniana que importune nossos navios no mar”, disse Trump horas após Guarda Revolucionária divulgar que lançaria em órbita o primeiro satélite militar do país islâmico.

Recuperação

O West Texas Intermediate, referência do preço do petróleo nos EUA, subiu US$ 2,23 ou 19,3%, de acordo com a CNBC. Está sendo negociado a US$ 13,80 por barril.

No início da sessão, o WTI girava em torno de US$ 10,26, até disparar mais de 40% chegando a US$ 16,20.

Como houve a queda de mais de 70% do petróleo neste ano, esse ganho, lembra a CNBC, parece baixo mas indica recuperação do preço da commodity.

Em janeiro de 2020, o WTI valia mais de US$ 60 por barril. A pandemia de coronavírus também colaborou para levar os preços para baixo.

Bloqueios

A demanda global por petróleo caiu drasticamente: as principais economias do mundo ficaram como resultado dos bloqueios induzidos pela pandemia determinados pelas autoridades.

Isso criou um choque de demanda extremo no mercado de energia, lembra a CNBC.

Diz a reportagem do site: “A Agência Internacional de Energia previu, em seu relatório mensal, que a demanda em abril poderia ser 29 milhões de barris por dia menor que a de um ano atrás, atingindo um nível visto pela última vez em 1995.”

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À medida que a pandemia continua a minar a demanda, o espaço de armazenamento – onshore e offshore – se encheu rapidamente.

“Nos EUA, acredita-se que a situação seja particularmente aguda, com as instalações de armazenamento no principal ponto de entrega do país em Cushing, Oklahoma, que devem ficar cheias dentro de semanas”, continua  a CNBC.

O centro de armazenamento de Cushing ficou 77% cheio em 17 de abril, de acordo com analistas da Goldman Sachs, com as últimas compilações de duas semanas “apontaram para um esgotamento na primeira semana de maio”.

Em suma, os futuros de petróleo dos EUA registraram a maior venda de um dia de todos os tempos na segunda-feira, como resultado de uma capacidade de armazenamento em excesso no mercado, disseram analistas da Goldman.

Derrocada

A alta desta quarta-feira contrastava fortemente com a derrocada desta semana.

Na segunda-feira, o contrato do WTI para entrega em maio caiu abaixo de zero para negociar em território negativo pela primeira vez na história.

Na terça-feira, o contrato subiu, chegando a US$ 10,01 por barril.

Mas o contrato de junho caiu 43,37% na terça-feira, até US$ 11,57. O mercado temia que o excesso de oferta acabasse com todo o armazenamento disponível no mundo.

O Brent caiu 24,4% na terça-feira em seu pior desempenho diário em quase três décadas.

 

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