Estoque de crédito sobe 1,5% em outubro, mas desaceleração deve ser vista no curto prazo

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

O Banco Central divulgou nesta sexta-feira (26) que o estoque de crédito total subiu 1,5% em outubro ante setembro, para R$ 4,497 trilhões.

As concessões no crédito livre caíram 1,2%. A participação do crédito no Produto Interno Bruto (PIB) alcança 53,2% em outubro, menor que os 53% de setembro.

Os empréstimos para pessoas físicas avançaram 1,9%, enquanto para pessoas jurídicas, 0,9%. Na comparação anual, o volume de crédito para PJ desacelerou de 11,7% para 11,4%. Para as famílias, o volume de crédito segue em expansão, de 19,5% para 19,7%.

estoque de crédito

Reprodução/Banco Central

Desaceleração à vista

Segundo o BTG Pactual (BPAC11), os dados seguem positivos, mas uma desaceleração deve ser vista no curto prazo.

“No mês de outubro, apesar dos dados positivos, foi possível observar uma desaceleração do crescimento da carteira de crédito em doze meses para o segmento de pessoa jurídica, refletindo o efeito da base forte de comparação. No segundo semestre do último ano, o dado foi impulsionado pelos programas emergenciais promovidos pelo governo federal”, afirma o banco.

O banco acrescenta ainda que, a despeito da melhora prevista para o mercado de trabalho, reflexo da reabertura da economia, a perda de ímpeto do setor de serviços já sinaliza que a atividade econômica deve desacelerar.

Dessa forma, o aumento da taxa Selic, somado à elevada inflação, deve limitar o crescimento do crédito para diversos segmentos, principalmente para as pessoas jurídicas, visto que o repasse da elevação dos juros é mais rápido para empresas.

Para as pessoas físicas, os impactos do aperto monetário só devem começar a ter impacto em meados de 2022, o que, somado ao fim ao Auxílio Emergencial, pode provocar uma aceleração da inadimplência.

A média do custo de toda a carteira de crédito do sistema financeiro, calculada pelo Indicador de Custo de Crédito (ICC), apresentou alta marginal de 0,3%, com os últimos 12 meses em 18%. A inadimplência ficou estável pelo quinto mês consecutivo, em 2,3%.