‘Estamos mantendo os sinais vitais da economia’, diz Guedes

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Adriano Machado/Reuters

Ministro da Economia, Paulo Guedes disse que o governo está conseguindo preservar os sinais vitais da economia. Ele conversou com executivos do Itaú BBA na tarde deste sábado (9).

A afirmação diz respeito ao cenário econômico e social do país frente aos impactos do coronavírus, bem como às intervenções nacionais em comparação com outros países.

“O PIB [Produto Interno Bruto] está em queda, e queda forte, mas estou chamando a atenção em função de estarmos preservando os sinais vitais da economia”, disse.

E acrescentou: “até agora, nossa hipótese de trabalho é uma saída da crise em V. Isso porque o Brasil está surpreendendo ao preservar 6,5 milhões de empregos.”

Para Guedes, o país se mostrou mais resistente frente à pandemia do que os Estados Unidos, onde o governo jogou 20 milhões de pessoas no desemprego, contra um milhão no Brasil.

Significa dizer que as medidas emergenciais de socorro às empresas e pessoas têm sido mais eficazes. Ele frisa que o país amparou 40 milhões de informais e 30 milhões de desfavorecidos.

Trata-se da recomposição salarial e do capital de giro injetados na economia por meio do Tesouro, Banco Central (BC) e Bndes.

O ministro da Economia, Paulo Guedes. fala à imprensa no Palácio do Planalto

Maldição virou bênção

De acordo com Guedes, outro fator positivo em meio ao cenário de crise é que o Brasil é o único país do G20 cujas exportações estão aumentando.

“Aquilo que era tido por maldição se transformou em bênção. O Brasil estava fora das cadeias globais de valor [economias mundiais integradas, a chamada globalização]”, disse.

E explicou: “mas, agora que essas cadeias entraram em colapso e interromperam o ciclo de pagamentos, fomos o único país a manter os fluxos de pagamentos.”

Significa dizer que o Brasil foi o único país que manteve o comércio internacional operando. Por um lado, o país importou menos, por conta da recessão, mas a exportação alavancou.

“Nossas exportações subiram 27% para o novo eixo asiático”, frisou, acrescentando que esse volume ultrapassou as exportações que o país fazia para EUA, Europa e Argentina juntos.

Outro fator elencado por Guedes diz respeito à flexibilidade fiscal e monetária. Para ele, o Brasil está com duas vezes mais maleabilidade do que países emergentes.

Substituição tributária

De acordo com o ministro, não há pauta sobre aumento de impostos por parte do governo, mas sim substituição tributária.

“Não acreditamos que vamos encontrar a saída cavando mais fundo o buraco onde estamos. Então, essa ideia de saída pelo investimento público com aumento de impostos não será conosco, e a opinião pública seria implacável com esse equivoco”, disse.

“A economia brasileira sabe que tem uma nova combinação, que é juros baixos e câmbio alto. Mudaram os preços críticos na economia porque mudou a dosagem fiscal”, frisou.

Para ele, os gastos do governo eram excessivos e trouxeram impostos excessivos, juros elevados, endividamento em bola de neve e uma indústria em processo de desaceleração.

Gastos públicos

Assim, para frear os gastos públicos, o ministro tem pedido que o funcionalismo público abra mão de reposição salarial por dois anos.

“Aumentos funcionais tudo bem. O que pedimos é que não haja aumento generalizado por dois anos”, declarou.

Ou seja, uma promoção de um servidor vem acompanhada de reajuste salarial. Até aí tudo bem, disse, mas elevação salarial generalizada, ou para toda a categoria, é inviável.

“O primeiro item de despesa é o funcionalismo público que cresceu 50% acima da inflação nos últimos anos. O que pedimos exatamente agora é que façam contribuição ao país”, frisou.

Para Guedes, o regime fiscal continua forte e o Brasil não vai voltar ao tempo dos juros altos, dívidas altas e crescimento em baixa.

“Mas, como garantir isso? Somente se as despesas públicas forem percebidas pelo mercado como despesas temporárias e não permanentes”, concluiu.