Ministro Mandetta cometeu “falta grave” em entrevista, diz Mourão

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
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Crédito: Foto: Adnilton Farias / VPR

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta terça-feira (14) que o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, cometeu uma “falta grave” durante entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, neste domingo.

Na ocasião, Mandetta afirmou que o brasileiro não sabe se escuta o presidente da República, Jair Bolsonaro, ou as recomendações do Ministério da Saúde, que pede o isolamento social como saída para redução do número de casos do novo coronavírus.

As declarações foram dadas nesta terça-feira (14), em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, pela internet. Mourão afirmou ainda que, pessoalmente, defende a permanência do ministro.

Pandemia

O vice-presidente também foi questionado sobre posições divergentes no âmbito do governo Federal sobre a gravidade da pandemia e as medidas de isolamento total, criticadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

“Nós temos que buscar dados concretos para podermos transmitir a população a real situação. Na minha opinião, o que está ocorrendo no Brasil, apesar de não termos o número exato, é que a nossa curva está sendo controlada, principalmente quando a gente compara com outros países”, disse Mourão.

Ala militar

Questionado pelos jornalistas do Estadão sobre a “ala militar” ter retirado o apoio ao ministro da Saúde, Mourão afirmou que não existe essa divisão no governo Federal e que se trata de “uma invenção da imprensa”. Também criticou a politização que vem sendo feita em torno do combato ao coronavírus e que isso é fruto da polarização que se faz presente no Brasil desde a eleição de 2018.

“Sou crítico a essa questão da ala militar, isso é uma figura criada pela imprensa”, declarou o vice-presidente.

Economia e informais

Mourão também disse que a principal preocupação do presidente Jair Bolsonaro é com os trabalhadores informais e que existem três curvas perigosas. “Nós temos a curva da doença, temos a curva do PIB e temos que buscar manter o nível mais aceitável e a curva do desemprego, onde a nossa maior preocupação são com os informais”, explicou Mourão.

O vice-presidente também declarou que medidas para a retomada da economia para o período do pós-pico da pandemia já estão sendo trabalhadas e que devem ser apresentadas em breve. “O Estado terá que ter um papel preponderante. A construção civil, as obras, serão importantes para empregar essa massa e fazer a economia andar”, revelo o vice-presidente aos jornalistas do Estadão.

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Redução de salários dos servidores públicos

Em outro momento da entrevista, foi colocado par ao vice-presidente o fato de que, milhares de trabalhares da iniciativa privada já tiveram o salário reduzido e se não seria a hora de servidores (incluindo legislativo e executivo) contribuírem com uma parte, ou seja, terem os seus salários também reduzidos.

Mourão disse que, a depender dos acontecimentos isso pode vir a acontecer. Pois, reforçou que a salários podem voltar a não serem pagos e deu como exemplo os estado de Minas Gerais e Rio de Janeiro. “Às vezes é melhor ter um recuo agora e, depois de 4 ou 5 meses, retornar à realidade”, analisou Mourão.

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Mandetta: fica ou sai?

Novamente questionado sobre a permanência ou não do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, Mourão disse que é uma decisão que cabe ao presidente da República.

“Os ministros permanecem até o momento em que perdem a confiança. Existe muita especulação no presente momento. Eu julgo que o presidente não deve trocar o ministro nesse momento”, avaliou Mourão.

Cloroquina

Sobre a utilização ou não da cloroquina no tratamento contra a Covid-19, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou se tratar de uma questão em aberto. Ponderou que, mesmo entre os médicos não é uma unanimidade e que alguns defendem o uso do medicamento em casos grave.

“Ainda existe uma discussão, e prefiro esperar mais acontecimentos para ver se esse remédio é mais efetivo.

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Isolamento inteligente

Sobre a polêmica em torno do isolamento horizontal ou vertical, o presidente defendeu que cada caso seja analisado na sua particularidade e afirmou advogar em prol do “isolamento inteligente”, mas que, para isso, faltam dados.
Citou os exemplos dos estados de São Paulo, Rio de janeiro, Fortaleza e Manaus onde a transmissão do vírus está acentuada e que, portanto, essas regiões demandam ações “mais efetivas”.

Mas, destaco que, em outras regiões, onde o contágio está baixo ou onde o vírus ainda não chegou, que outras medidas podem ser pensadas. Porém, reforçou que, por falta de mais testes, fica difícil elaborar um “isolamento inteligente”.

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Reeleição comprometida?

Por fim, os jornalistas do Estadão perguntaram se a reeleição do presidente Bolsonaro, por conta de sua queda na popularidade, está comprometida. Mourão declarou que “muita água ainda vai passar embaixo da ponte” e que, se for convidado, aceita assumir, mais uma vez, o cargo de vice-presidente.