Especialistas apontam falta de testes para Covid-19 como maior problema do Brasil

Angélica Weise
Jornalista formada pela UNISC e com Mestrado pela UFSM. Escreve sobre tecnologia, política, criptomoedas e atualidades.
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Crédito: iStock / Getty Images

O Brasil é o país da América Latina mais afetado pela pandemia da Covid-19 e um dos pontos que são considerados importantes para evitar a disseminação do vírus, além do isolamento social é a realização de testes. É uma maneira de conter a pandemia. Será também um dos desafios que o novo ministro da Saúde, Nelson Teich vai enfrentar. A reportagem é do Estadão.

A falta de testes para diagnóstico do coronavírus é um desafio em todo mundo, e não é diferente do Brasil. O Estadão ouviu especialistas para falar sobre os desafios do novo ministro.

A testagem vem sendo adotada por países como Coreia do Sul, mas no Brasil ainda existem limitações.

Opinião dos especialistas ouvidos pelo Estadão

Na opinião de Sergio Cimerman, médico infectologista e colunista do Estado, mesmo o novo ministro da Saúde, Nelson Teich ter falta de experiência no Sistema Único de Saúde (SUS), ele conta com boa equipe técnica:

“Ele tem de tomar atitudes técnicas, médicas, não políticas. Manter o isolamento horizontal, fazendo uma reavaliação a cada 15 ou 30 dias, para não haver um colapso no sistema hospitalar”.

E falou sobre os testes para Covid-19:

“O problema desses testes, no mundo todo, é que foram aprovados a toque de caixa, emergencialmente, não têm validação, nenhum teste tem validação. A sensibilidade é baixa. Um teste adequado deve ter sensibilidade acima de 90% e esses não chegam a 90%.”

Para o biólogo e colunista do Estado Fernando Reinach é preciso ter um planejamento sobre a aplicação dos testes:

 “O que ele vai fazer? Vai isolar as pessoas? Só testar não adianta, e ele não falou nada sobre o plano”.

Também destacou como são poucos testes no momento, é preciso identificar onde eles serão aplicados:

“Quando temos poucos testes, é preciso saber muito bem onde eles serão usados, onde obteremos mais resultados. E ele não mostrou os planos”.

Já na opinião de Roberto Medronho, que é especialista em saúde pública e professor de epidemiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontou que o Brasil está atrasado na tomada de decisões para combater o novo coronavírus:

“De toda forma, não temos condições, no momento, e isso não vai acontecer da noite para o dia, de testar 100% da população”. E explicou: “Já perdemos dias valiosíssimos, num momento em que perder horas significa perder vidas, com todo o desgaste, todas as ações para queimar e isolar o ministro da Saúde.”

E para Chrystina Barros, pesquisadora do Centro de Estudos em Gestão e Serviços de Saúde da Universidade Federal do Rio (UFRJ), que conhece o novo ministro destacou a sua experiência na gestão:

“O grande desafio que ele vai ter será organizar uma estrutura de informação, de articulação entre os vários ministérios”, explicou. “A cada dia recebemos novos dados, validamos modelos anteriores, projeções, sabemos da ocupação dos hospitais. Se os leitos estão ocupados, tem de manter as restrições do isolamento.”

Entenda porque os testes são tão importantes

Testar as pessoas quanto ao coronavírus é importante para ajudar a diagnosticar indivíduos e a entender a extensão da propagação do vírus. Assim, é possível saber quem foi infectado e onde  se pode permitir que o serviço de saúde planeje e lide mais efetivamente com a demanda em unidades de terapia intensiva .

Os testes também podem ajudar a informar as decisões sobre o aperto ou relaxamento das medidas de distanciamento social. Se os testes constataram que um grande número de pessoas já foram infectadas pelo vírus, as medidas de bloqueio não precisam ser tão rigorosas.

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