Especialistas apontam: escritório híbrido chegou para ficar

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
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Você sabe o que é um escritório híbrido? Em termos bem simples, é um modo de trabalho que mistura o home office, adotado por quase todas as empresas após o início da pandemia do novo coronavírus, e a própria firma do trabalhador.

Na verdade, ele não é exatamente um local, e sim um novo modo de trabalhar, que une o serviço remoto com a expectativa de idas esporádicas semanais às empresas.

Uma reportagem do Washington Post apontou que os especialistas estão elegendo essa nova modalidade, apelidada de escritório híbrido, como a que dominará o futuro.

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“De várias maneiras, será mais disruptivo do que quando todo mundo passou para o trabalho remoto”, disse Brian Kropp, vice-presidente de pesquisa do Gartner.

Escritório híbrido, mas igualitário

Para deixar em condições iguais de trabalho, seja no campo remoto, seja no presencial, uma nova tecnologia de videoconferência será adotada.

Além disso, chefes e gerentes terão treinamentos para resistir à vontade, mesmo que involuntária, de dar tratamento preferencial aos funcionários que estejam fisicamente presentes.

A presidente-executiva do Citigroup, Jane Fraser, enviou um memorando na semana passada indicando que boa parte dos funcionários adotará o esquema híbrido,  com a expectativa de que trabalharão pelo menos três dias no escritório.

A Ford, que está de saída do Brasil, também anunciou, em meados de março, que 30 mil de seus trabalhadores de escritório nos Estados Unidos terão permissão para trabalhar em um modelo híbrido flexível.

Caminho similar foi seguido pela TIAA, firma de investimentos, enquanto a Target confirmou que vai encerrar o contrato de aluguel de um de seus edifícios-sede no centro de Minneapolis, também para adotar uma abordagem híbrida.

“A pergunta número um que recebo das empresas é: como fazer o planejamento híbrido da força de trabalho?”, disse Tsedal Neeley, professora da Harvard Business School e autora do livro Remote Work Revolution.

“Eles têm que fazer seu planejamento sobre como será o futuro pós-pandemia”, disse ela. “Esta é a esperança, é o otimismo, baseado no fato de que muitas pessoas estão sendo vacinadas”.

Um novo mundo

Apesar de soar como clichê, o tal “novo normal” e o “novo mundo” iniciado depois que a pandemia explodiu na China, realmente vêm ganhando campo.

Empresas de tecnologia como o Twitter anunciaram que deixariam os funcionários permanentemente remotos, enquanto o Google convocou pelo menos três “dias de colaboração” por semana no escritório e dois dias fora.

Os anúncios mais recentes de empresas não-tecnológicas dão a indicação mais clara de que o modelo híbrido veio para ficar, dizem especialistas.

“Quando essas outras empresas, que historicamente foram mais conservadoras ou têm muito menos mentalidade de startup, quando essas empresas começam a fazer essa mudança, elas são um termômetro”, disse Kropp. “Elas mostram que tudo isso está ficando mais comum”.

Segundo levantamento recente, divulgado em janeiro, 44% dos trabalhadores americanos que estão trabalhando remotamente pesquisados pela Gallup disseram que preferem trabalhar em casa, mesmo que as restrições sejam suspensas, enquanto 39% disseram que gostariam de voltar ao escritório.

“É um novo mundo e você tem que aceitá-lo como tal”, disse Greg Karol, diretor de recursos humanos da Lockheed Martin. “Éramos uma empresa com apenas 3% de trabalho remoto em tempo integral um ano atrás. A passagem para essa nova fase foi muito rápida, não esperamos que todos sejam especialistas”.

Sara Wechter, chefe global de recursos humanos do Citigroup, jogou para julho de 2021 a possibilidade de chamar alguns funcionários de volta ao escritório.

“Não consigo imaginar o Citi dizendo que vamos ficar totalmente remotos”, disse Wechter. “No fim das contas, provamos que podemos trabalhar num esquema híbrido. Podemos trabalhar em casa. Tem que haver um equilíbrio”.

Na TIAA, a previsão do diretor de pessoal Sean Woodroffe é de dois dias em casa e quatro no escritório. Quando muitos funcionários estão remotos, “você vê que as pessoas que estão no escritório têm tempo, oportunidades e interação com os outros funcionários de maneira um pouco diferente do que as pessoas que estão trabalhando remotamente”, disse Woodroffe. “Estamos mudando para algo completamente diferente”