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Especialistas acreditam numa economia liberal durante o governo de Bolsonaro

O relacionamento entre o presidente e o Congresso deve ter por base um novo modelo.

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Crédito da imagem: Marcello Camargo/Agência Brasil
De acordo com intelectuais ouvidos pela Agência Brasil, em seu governo, Jair Bolsonaro deve conduzir uma agenda econômica com ações voltadas para a redução das despesas governamentais e estímulo ao crescimento do país. Eles também apontam que o presidente recém empossado deve dar uma maior atenção às demandas “conservadoras” de seus eleitores e de seus aliados, contudo, deve agir com pragmatismo político de modo a conseguir a aprovação de suas propostas pelo Legislativo e obter bons resultados.

Para Simon Schwartzman, sociólogo e ex-presidente do IBGE, as prioridades da área econômica para o novo governo estão bem definidas, são elas: a reforma da Previdência, a abertura da economia e a redução do déficit público brasileiro.

Já o professor de história contemporânea da UnB, Antônio José Barbosa, acredita que o novo governo, sob um ponto de vista político e econômico, será mais “liberal”. O professor disse essas palavras ao lembrar do compromisso firmado por Bolsonaro em “cumprir aquilo que dispõe a Constituição Federal” e, também, por conta da decisão do novo presidente em escolher Paulo Guedes para o Ministério da Economia e lhe conceder uma “carta branca” para atuação.

Prioridades

Barbosa ainda aponta que Bolsonaro fará alguns “acenos” aos eleitores mais conservadores e preocupados com os “costumes”, mas que deve priorizar as medidas na área da economia. O historiador acredita que os ministros escolhidos por Bolsonaro também serão pragmáticos ao longo dos próximos anos. “O novo ministro da Educação rapidamente deve entender que a realidade do país é bem mais ampla”, opina.

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Crédito da imagem: Reuters/Ueslei Marcelino

Já Schwartzman espera que o novo governo consiga promover avanços na implementação de programas como a reforma do ensino médio, a melhoria da qualidade no âmbito da educação básica e na implementação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Tais medidas são tidas como uma forma de melhorar a qualidade da formação escolar e da força de trabalho qualificada no país.

Novo modelo

O novo governo ainda depende do relacionamento com o Congresso Nacional para a aprovação de medidas econômicas da pauta social, tais como a educação e a chamada “agenda de costumes” proposta por Bolsonaro. Vale lembrar que a aprovação de reformas constitucionais é um processo complexo e depende da aprovação da maioria dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (3/5 dos membros em dois turnos em cada Casa).

Lúcio Rennó, cientista político da Universidade de Brasília, destaca a grande força das lideranças partidárias tanto na Câmara quanto no Senado. Ele é autor de um estudo que mostra o reposicionamento conservador da população brasileira nas eleições de outubro de 2018 e pondera a importância das lideranças partidárias na negociação de questões transversais nessas Casas.

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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Rennó também lembra das regras que regeram o funcionamento do Congresso nas últimas eleições e mostra que elas “fortaleceram os partidos políticos”. Dessa forma, “as estruturas institucionais dessas organizações não podem ser ignoradas”.

O especialista também argumenta a possibilidade de que no novo governo se relacione de uma forma inédita com as lideranças partidárias.

Nesse sentido, no lugar de realizar uma política que tem por base as trocas de apoio, o Palácio do Planalto deve orientar as negociações por meio de uma maior participação das lideranças partidárias, que também são consideradas responsáveis pela concepção e pela elaboração das propostas. Rennó aponta que essa construção de forma conjunta seria um “modelo novo”.
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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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