ESG: a proliferação de padrões de sustentabilidade gera custos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Freepik

Hoje, 58% das empresas do índice S&P 500 publicam um relatório de sustentabilidade, contra 37% em 2011, de acordo com a Datamaran, uma fornecedora de software. Os dados ambientais, sociais e de governança (que geram a sigla ESG, em inglês) se tornam cada vez mais presentes.

Mas, segundo a The Economist, as informações variam enormemente de empresa para empresa.

The Reporting Exchange, um site que ajuda as empresas a divulgar dados de sustentabilidade, rastreia várias diretrizes relacionadas a ESG, como regulamentos e padrões.

Em todo o mundo, o número cresceu de cerca de 700 em 2009 para mais de 1.700 em 2019. Isso inclui mais de 360 ​​padrões de contabilidade ESG diferentes.

Simplificação dos relatórios

Alguns observadores podem ter revirado os olhos em 22 de setembro, quando o Fórum Econômico Mundial anunciou – com o apoio das quatro grandes firmas de contabilidade, Deloitte, EY, KPMG e PricewaterhouseCoopers (PWC) – um novo conjunto de métricas ESG para as empresas.

Os envolvidos se esforçam para enfatizar que este não é mais um novo padrão, mas uma coleção de medidas úteis escolhidas de outros padrões.

A intenção, eles afirmam, é simplificar os relatórios ESG, e não aumentar a confusão.

A simplificação é extremamente necessária, afirma a The Economist.

Os investidores reclamam que a proliferação de padrões dificulta a comparação.

Os ativistas ambientais observam que isso permite que as empresas selecionem resultados que melhor lhes caem na vitrine.

E as empresas reclamam que não sabem o que divulgar, já que o leque de opções é confuso.

Muitos desejam um ESG equivalente aos Princípios Contábeis Geralmente Aceitos (GAAP, na sigla em inglês), usados ​​em relatórios financeiros.

Mas se levou anos para chegar a um acordo nesse sentido.

Hoje, diz o chefe de um grande fundo de pensão com uma grande carteira de ESG, “há uma urgência maior” para se unir em torno de um conjunto de padrões comuns.

Mesmo assim, espera-se que demore pelo menos de cinco a dez anos para algo padrozinado e aceito.

Interesses conflitantes e desacordos sobre o que medir podem retardar o processo.

Sopa de letrinhas da ESG

Quatro padrões dominam a sopa de letrinhas da ESG.

A Global Reporting Initiative (GRI) se concentra em métricas que mostram o impacto das empresas na sociedade e no planeta.

Em contraste, o Sustainability Accounting Standards Board (SASB) inclui apenas fatores ESG que têm um efeito material no desempenho de uma empresa.

A Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês) e o Carbon Disclosure Project (CDP) estão principalmente preocupados com as mudanças climáticas.

Especificamente a exposição das empresas a seus efeitos físicos e a regulamentos potenciais para reduzir as emissões de carbono.

O GRI é o mais popular deles, em parte porque é o mais antigo, fundado em 1997.

Foi adotado por cerca de 6 mil empresas em todo o mundo.

De acordo com o Datamaran, 40% das empresas do S&P 500 citam o GRI em seus relatórios de sustentabilidade.

Mas o SASB está ganhando terreno nos Estados Unidos.

Um em cada quatro membros do S&P 500 faz referência a ele, enquanto eram só 20 há dois anos.

O TCFD experimentou um aumento semelhante. É apoiado pelo Conselho de Estabilidade Financeira, um grupo global de reguladores.

Tanto o SASB quanto o TCFD aumentaram em parte graças ao apoio de grandes gestoras de ativos, incluindo a BlackRock e a State Street.

Por um padrão

Há mais simplificação por vir.

m setembro, cinco grandes padronizadores anunciaram que tentariam cooperar mais e harmonizar algumas medidas.

Mas poucos observadores esperam que o resultado final seja um único padrão., o que seria ainda um enorme problema.

Cada padrão afirma que pode coexistir com o outro.

Quanto tempo essa coexistência pode durar não está claro.

Assim como o Fórum Econômico Mundial, outros organismos globais estão se interessando.

A International Financial Reporting Standards Foundation, uma normatizadora global de contabilidade financeira, está considerando seu próprio padrão ESG.

Além disso, a União Europeia está planejando regras que forçarão as grandes empresas a divulgar mais informações de ESG.

Entretanto, ainda está pensando quais medidas usar.

Se os definidores de padrões ESG não puderem decidir quais métricas são mais importantes, outros podem decidir por eles.

O ideal seria um padrão, o que diminuiria os custos e equilibraria as comparações. Bom para o meio ambiente e bom para os negócios.