Selic: entidades e associações comentam decisão do BC sobre a taxa de juros

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Reprodução/Flickr

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), elevou pela terceira vez seguida a taxa básica de juros da economia.

Aprovada por unanimidade pelo Copom, a taxa Selic passou de 3,5% para 4,25% ao ano. O aumento da taxa ajuda a controlar a inflação, já que encarece o crédito e desestimula a produção e o consumo.

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Decisão do Copom: o que a Selic a 4,25% diz ao investidor

Entidades industriais e associações comerciais ou de setores como o imobiliário consideraram a decisão do BC como acertada e pontual. Mas a Confederação Nacional da Indústria (CNI) fez ressalvas.

CNI considera decisão sobre Selic “equivocada”

Para a CNI, a decisão do Copom é “equivocada”. Em nota, a entidade destacou que a medida encarece crédito para consumidores e empresas justamente em um “momento crítico da atividade econômica, que sofreu novo impacto negativo com a segunda onda da pandemia”.

A CNI lembra que a produção industrial de abril de 2021 ainda está 6,6% abaixo do nível alcançado em dezembro de 2020.

“A decisão por um terceiro aumento expressivo da Selic vai de encontro a essa necessidade e desestimula a demanda ao aumentar o custo do financiamento de maneira significativa”, afirmou o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade.

Também em nota, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que o novo aumento ocorre em um cenário de recuperação econômica ainda não consolidada.

“O PIB [Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços do país] mostrou bom desempenho no 1º trimestre do ano e animou as expectativas para um crescimento acima de 5,5% neste ano. Porém, um aumento excessivo dos juros em um cenário de recuperação econômica ainda não plenamente consolidada pode prejudicar o processo de retomada do crescimento econômico do Brasil”.

Abrainc: crédito imobiliário segue em patamar baixo

A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) considera que o novo aumento da taxa básica de juros foi uma medida técnica da Instituição para conter o avanço da inflação no País.

Mesmo com a elevação da Selic, as taxas de crédito imobiliário seguem em patamares baixos e o setor se mantém atrativo tanto para investimentos quanto para os interessados na aquisição da casa própria.

Aliada a isso, tem-se a expectativa de recuperação do PIB (Produto Interno Bruto), que traz mais confiança, fortalece os diversos setores econômicos e contribui para o crescimento do emprego e da renda no Brasil.

“O ambiente de negócios continua propício, com grande atratividade para investimentos em imóveis em comparação com as aplicações financeiras tradicionais”, comenta Luiz França, presidente da Abrainc.

ACSP: decisão acertada

O aumento da Selic já era esperado pelo mercado financeiro. A ata da última reunião, em maio, já projetava que ocorreria um reajuste dentro desta margem, anunciada no início desta noite.

Segundo Marcel Domingos Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a decisão do Copom de elevar a Selic deveu-se à preocupação com a aceleração da inflação que vem ocorrendo nos últimos meses. A previsão de agora dos economistas para o mercado financeiro, de acordo com o Índice Oficial de Preços (IPCA) para este ano, conforme o Relatório de Mercado Focus, prevê alta de 5,82%.

“Essa alta era esperada porque o Copom vem fazendo os ajustes de forma gradativa para não afetar o mercado”, disse Solimeo.

O aumento recente da inflação está sendo pressionado pelos ´preços administrados’ (energia elétrica, gás de cozinha, combustíveis e planos de saúde, por exemplo) e não devem continuar. “A não ser eventualmente a energia elétrica”, afirmou.

“Além disso, as atividades econômicas estão crescendo neste momento e isso também pode gerar aumento nos preços, porque as empresas estavam com suas margens contidas e poderão aproveitar o crescimento do consumo”, disse.

“Se o câmbio continuar a cair nos próximos meses, no entanto, é possível que ajude a conter a inflação não apenas pela possibilidade de importar, mas, principalmente, porque os preços de muitos produtos agrícolas no mercado interno dependem da cotação externa e da taxa de câmbio.

Por estes motivos, para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acertou ao elevar a taxa básica de juros (Selic). “Manter inalterada a Selic, apesar das pressões inflacionárias, seria um recado errado ao mercado de que a autoridade monetária não atuaria para conter a inflação”, concluiu Solimeo.

Firjan pede aprovação de reformas

Ao analisar a medida, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) entende que um aumento da taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,75 ponto percentual neste momento está em linha com a evolução do quadro inflacionário atual e com o aumento das expectativas para a inflação para os próximos meses.

De acordo com a entidade, os indicadores de atividade econômica têm surpreendido positivamente, o que corrobora com um cenário de maior pressão inflacionária nos próximos meses. “Desse modo, a federação entende que o ciclo de alta da taxa básica de juros é compatível com o momento e garante a ancoragem das expectativas. No entanto, é imprescindível acrescentar que o cenário é adverso e depende de políticas adicionais que assegurem preços em níveis baixos e crescimento econômico sustentável”, avaliou a Firjan.

Segundo a entidade, a atividade econômica apresentou resultados mais positivos, mas ainda há um longo caminho a ser perseguido. A pandemia expôs os gargalos estruturais que atrasam o desenvolvimento da economia brasileira.

“Por isso, é fundamental a aprovação de reformas que solucionem as vulnerabilidades logísticas e tecnológicas, o alto custo de produção e, consequentemente, a baixa competitividade”, analisou.

*Com Agência Brasil

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