Entidades do turismo brasileiro alertam para nível elevado de falências

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).

Crédito: Reprodução/Pixabay

As principais entidades de turismo e serviços do Brasil elaboraram documento onde elencam algumas ações para o governo federal tomar diante da crise do coronavírus para que assim consigam manter a sustentabilidade dos negócios. De acordo com indicadores do setor, março teve 85% das viagens canceladas. Há risco de nível elevado de falências.

Impacto econômico

O documento atenta para o fato de que a pandemia do Covid-19 vai impactar diversos setores da economia brasileira, porém, destaca que o setor do turismo é um dos primeiros a sentir os impactos causados pelo fechamento de fronteiras e cancelamento de viagens e que, tal contexto pode levar a inúmeras falências e gerar impacto negativo no PIB.

As entidades lembram que, em março de 2019 o faturamento do setor foi de R$ 19,2 bilhões. Porém, em março de 2020, levantamento prévio das entidades revela que 85% das viagens foram canceladas e que “não há previsões de novos faturamentos”.

 

 

Falências e medidas de contenção

“É a maior crise vivenciada elo setor na era atual e prevemos um altíssimo índice de falências entre as empresas relacionadas ao turismo, resultando em milhares de pessoas desempregadas e impactos diretos e indiretos no PIB brasileiro”, alertam as entidades em documento.

Para evitar um dano profundo no setor, as entidades de turismo e serviços elencaram algumas medidas urgentes que esperam ver viabilizadas, são elas:

1) Disponibilização de linha de crédito especial na Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil para as empresas de turismo, com carência para início do pagamento de, no mínimo, 6 meses.

2) Aprovação de decreto para postergar o pagamento de impostos relativos à folha de pagamento, também por 6 meses, desde que quitados no exercício de 2020, conforme documento Texto para Decreto anexo.

3) Liberação do saque do FGTS para funcionários de empresas que exerçam atividade turística.

4) Parecer favorável do Ministério da Justiça em relação à remarcação de viagens contratadas pelo consumidor, frente ao cancelamento e devolução de valores. As agências não possuem reservas hoje para realizar a devolução de valores e a remarcação da viagem seria uma solução para manutenção do negócio sem prejudicar o consumidor. Vimos ainda reivindicar que a Nota Técnica nº 2/2020/GAB-SENACON/SENACON/MJ seja transformada em Portaria para que ela possa ser utilizada de forma mais ampla pelo setor.

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5) Redução do IRRF a 0% nas remessas para pagamentos de serviços turísticos ao exterior.

Assinam o documento: ABAV Nacional (Associação Brasileira de Agências de Viagens), ABIH (Associação Brasilileira da Indústria de Hoteis), ABRACORP (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas), AIRTKT (Associação Brasileira dos Consolidadores de Passagens Aéreas e Serviços de Viagens), AVIESP (Associação das Agências de Viagens Independentes do Estado de São Paulo), AVIRRP (Associação das Agências de Viagem de Ribeirão Preto e Região), BRAZTOA (Associação Brasileira de Operadoras de Turismo), CLIA Brasil (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos), FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação), FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil).

American Airlines

 

America Airlines cancela voos para o Brasil

A companhia aérea American Airlines anunciou que todos os voos para a America do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Europa estão cancelados a partir dess segunda-feira (16). A previsão é que a medida tenha validade até 6 de maio.

Os voos com ligações realizadas de Miami e Nova York para o Rio de Janeiro e São Paulo estão entre os serviços suspensos.

Essa medida deve tornar o cenário dos setores de turismo e serviços no Brasil ainda mais incerto.

Companhias Aéreas

 

Especialistas analisam impactos do coronavírus no turismo

Em entrevista à EQI, especialistas na área de turismo e serviços já previam esse cenário e fizeram algumas análises do cenário futuro.

Alan Guizi, professor do curso de Turismo da Universidade Anhembi Morumbi, disse à reportagem do site EuQuero Investir que, nesse momento, um dos piores problemas em torno do vírus são as incertezas.

“O mercado do turismo, assim como outros mercados, nós somos muito apegados a certezas, a gente precisa de certeza para que possamos levar os negócios de forma sustentável. O que nós estamos observando é que: apesar da China começar a ter uma queda no número de novos infectados por coronavírus, isso não acontece na Europa, que é o nosso principal destino internacional de Brasileiros”, lamenta.

Virgílio Carvalho, diretor da CEBRASSE (Central Brasileira do Setor de Serviços) para o setor de turismo, afirma que o Brasil é um país que tem experiência no combate a epidemias, inclusive, faz questão de destacar Carvalho, “o número de mortes do coronavírus é menor que uma série de outros: sarampo, chicungunha… o Brasil convive com essas doenças que são mais fortes”.

Porém, o diretor de turismo da CEBRASSE afirma que a pronta reposta do governo federal e de São Paulo foram ótimo sinais. Apesar disso, Carvalho afirma que há preocupação no setor de turismo e serviços.

“O assunto turismo preocupa porque nós já estamos sentindo mesmo com toda a orientação e prevenção que está sendo feito, uma queda nas viagens”, diz Carvalho.

Mas, para se saber a real dimensão do coronavírus sobre o turismo e serviços brasileiros, “só depois de 90, 120 dias depois de confirmado o controle do vírus”, diz Carvalho.

A reportagem completa sobre os possíveis impactos do coronavirus no turismo brasileiro, você confere aqui.