Entenda o que é spread bancário

Humberto Maurício Pennacchia
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Crédito: Reprodução / Pixabay

Você já teve a oportunidade de sentir na pele como os juros bancários no Brasil são altos? Se a sua resposta  for sim, continue a ler essa pauta, você entenderá o motivo. Um dos vilões para que isso aconteça, atende pelo nome de spread bancário.

O que é spread bancário?

Spread bancário é a diferença entre os juros que o banco paga ao cliente para captar o dinheiro (quando você empresta dinheiro ao banco por meio da poupança e da renda fixa) e os juros que esse mesmo banco cobra para te emprestar dinheiro (ao fazer um empréstimo ou financiamento). Por exemplo, ao aplicar seu dinheiro na poupança,  você recebe um rendimento de 4,0% ao ano, e o mesmo banco cobra 12% ao ano para fazer um empréstimo, o spread bancário dessa transação será de 8%. Entendeu agora? É por isso que os juros pagos pelas aplicações financeiras costumam ser mais baixos que as taxas pedidas pelos bancos em empréstimos. Para os bancos, quanto maior o spread bancário, melhor será o seu lucro nas operações realizadas.

Saiba qual é a lógica na cobrança do spread bancário:

A lógica na cobrança do spread bancário é remunerar o banco pelo risco de crédito que está tomando ao emprestar o dinheiro. Essa remuneração deve ser superior ao valor captado somado à inadimplência, impostos e outros custos, gerando lucro, caso contrário não valeria a pena emprestar o dinheiro.

Saiba qual é a composição que faz com que o spread bancário seja tão alto:

O spread bancário é composto por uma série de custos que os bancos possuem. Eles fazem parte do spread porque, ao emprestar o dinheiro captado o banco deve, no mínimo, pagar os custos da execução do empréstimo e remunerar o próprio banco com lucro. Os custos são:

  • Impostos: os impostos diretos que o banco precisa pagar ao realizar um empréstimo são computados no cálculo do spread. São eles o CSLL e o IR.
  • Custo administrativo: o custo administrativo do banco tende a ser menor, quanto maior for o banco.
  • Compulsórios, FGC e encargos fiscais: ao captar recursos, o Banco Central determina que parte do depósito seja mantida no próprio Banco Central através de depósito compulsório. Uma parte de cada recurso captado também deve ser direcionado ao  *Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
  • Essas despesas, somadas aos encargos fiscais, compõe esse itém.
  • *O que é o Fundo Garantidor de Crédito?
  • FGC é a sigla que designa o Fundo Garantidor de Créditos. Ela é uma entidade que administra uma proteção aos correntistas ou investidores,  que permite recuperar até R$ 250 mil em depósitos ou créditos em instituições financeiras em caso de falência, intervenção ou liquidação.
  • Inadimplência: os empréstimos realizados pelos bancos devem, no mínimo, cobrir a sua inadimplência e gerar algum lucro. Sendo assim, a inadimplência também compõe o spread bancário.
  • Lucros e outros: representa a margem líquida do banco, ou seja, o percentual do spread bancário que realmente fica com o banco e transforma-se em lucro para os seus acionistas. Nesse item também são inclusos outros custos que não se encaixam em nenhuma das categorias acima.